11 de jul de 2010

Resenhando: Ozzy Osbourne, O Rappa, Foals, Skank, The Police

“Scream” – Ozzy Osbourne
Bom, o que esperar de um novo álbum de Ozzy Osbourne? Hum, acho que nada de muito diferente, certo? Certo. “Scream”, primeiro álbum de inéditas do ex-Black Sabbath em três anos, traz aquele mais do mesmo a que os fãs estão mais do que acostumados a ouvir. Ou, como disse o crítico Antonio Carlos Miguel, de O Globo, “óbvzzzyo” demais. Mas, vamos por partes. Apesar da repetição dos velhos clichês (criados pelo próprio Ozzy e pela sua antiga banda), “Scream” é o melhor álbum da carreira do cantor desde “No more tears” (1991). Ele é encorpado, tem um som poderoso e conta com ótimas canções. Bem diferente dos, de certa forma, anêmicos “Down to Earth” (2001) e “Black rain” (2007). Por exemplo, a música de trabalho, “Let me hear you scream” traz um Ozzy em ótima forma. (Dá até para imaginar a loucura que será essa canção em seus shows.) E “Scream” não para por aí. “Life won’t wait”, no melhor estilo “Mama I’m coming home”, é uma das melhores baladas de Ozzy. E “Soul sucker” é uma pedrada que faz lembrar os melhores momentos do Black Sabbath. A cavernosa “Latimer’s mercy” é outro bom momento, assim como “I want it more”, na qual se destaca a poderosa guitarra de Gus G., capaz de deixar os fãs de Ozzy com um pouco menos de saudade de Zakk Wylde.

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“Ao vivo” – O Rappa
Uma das bandas que mais enche os seus shows Brasil afora, O Rappa não dá mole e coloca na loja CD e DVD com o registro de sua última turnê, quando divulgou o mediano álbum “7 vezes” (2008). Os shows d'O Rappa passam perto da catarse coletiva em alguns momentos, e isso ficou muito bem registrado no CD (dois volumes simples ou um duplo) e especialmente no DVD, filmado na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, e dirigido por Heron Domingues. O público canta todas as músicas, inclusive as mais novas, e não para de pular. Poucas bandas conseguem isso no Brasil. Por isso que o lançamento de um trabalho ao vivo d'O Rappa não pode ser chamado de caça-níqueis, mas um presente para os fãs. Até mesmo porque, tirando o “Acústico MTV” (2005), em 17 anos de carreira, O Rappa só havia lançado um CD ao vivo, “Instinto coletivo” (2001). Nesse “Ao vivo”, a banda de Marcelo Falcão dá uma geral na carreira com músicas de todos os álbuns da banda, além das novidades de “7 vezes”. O repertório é bem balanceado, e o show resulta explosivo do início ao fim. E você ainda pode ver que os fãs d'O Rappa cantam músicas como “Meu mundo é o barro” e “Hóstia”, tão alto quanto “Minha alma (A paz que eu não quero)”, “Pescador de ilusões”, “Me deixa” e “Hei Joe”. E a versão da (quase) imbatível “Lado B lado A” ainda consegue ser melhor do que a do álbum original, lançado em 1999.

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“Total life forever” – Foals
Se eu tivesse uma banda, acho que teria pesadelos com a “síndrome do segundo álbum”. Imagina: você compôs um bando de música durante uns quatro anos, escolhe as melhores, grava o primeiro álbum, ele é bem elogiado, começa a turnê, não há mais tempo para nada e, quando você vai ver, tem que entrar em estúdio para entregar um novo álbum à gravadora. Tenso, não? A banda Foals passou por isso agora. O seu primeiro álbum, “Antidotes” (2008), foi bastante elogiado pela crítica, com um rock simples e direto que lembrava um pouco o Franz Ferdinand. Nesse segundo álbum ficou a impressão que a banda de Oxford quis correr atrás de uma sonoridade própria, até mais adulta. Se não soa tão vibrante quanto “Antidotes”, “Total life forever” tem a vantagem de apresentar uma banda, para o bem e para o mal, mais original. Para o bem, porque o Foals mostra algumas canções bem interessantes e que soam diferentes das outras bandas que surgem a rodo por aí. Exemplos? A viajante “This orient”, de longe a melhor do álbum, ou então a abertura com “Blue blood”, melodicamente rica, e com uma guitarra esperta de Yannis Philippakis, ou ainda “After glow”, cheia de variações rítmicas, que mostram que a banda amadureceu. Por outro lado, a banda peca em algumas canções que acabaram ficando, hum, talvez adultas demais. Nesse quesito entram “Spanish Sahara”, que beira à pretensão, e “Alabaster”, um tipo de música que poderia até estar em um álbum do Muse, mas não do Foals. Enfim, a banda passou no teste do segundo álbum. Mas terá que passar por outro no terceiro.

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“Calango – 15 anos” – Skank
Muito comum lá fora, edições comemorativas de álbuns históricos são algo raro aqui no Brasil. Aliás, raro não. Inexistente. Aproveitando os 15 anos (atrasado) do lançamento de “Calango” (1994), o Skank explora esse terreno até então inédito e coloca nas lojas uma edição especial do álbum que catapultou a banda mineira para o estrelato, com clássicos do rock brasileiro dos anos 90, como “Jackie Tequila”, “Esmola”, “Pacato cidadão” e “É proibido fumar”. Todas as músicas do álbum original aparecem remasterizadas nessa edição de aniversário, além de oito faixas raras, como as versões em espanhol para “Amolação” e “É proibido fumar”, remixes de “Te ver” e “A cerca”, e demos de “Estivador”, “O beijo e a reza”, “Jackie Tequila” e “Te ver”. No encarte, um ótimo texto do jornalista Ricardo Alexandre contextualiza o disco. “E a história do álbum ‘Calango’ é a história de como esses quatro amigos mineiros começaram um ano como um bem-sucedido grupinho de dance-hall de branco e o terminaram como um dos maiores fenômenos pop nacional de todos os tempos”, escreveu o jornalista. O resto é história. Tomara que outras bandas se animem a lançar CDs comemorativos de seus trabalhos mais importantes. É uma forma de vender disco e de agradar os fãs. Ao mesmo tempo.

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“In concert – Live at Tokyo Dome” – The Police
A gravadora Coqueiro Verde tem investido no lançamento de CDs/DVDs com shows de bandas como Pearl Jam, Duran Duran, Guns n' Roses e, agora, The Police. “In concert – Live at Tokyo Dome” traz uma apresentação da banda de Sting, Stewart Copeland e Andy Summers na capital japonesa, nos dias 13 e 14 de fevereiro de 2008, ou seja, dois meses após a turnê pela América do Sul, que passou pelo Rio de Janeiro e por Buenos Aires, onde, aliás, gravou o CD/DVD/BD “oficial” da turnê, “Certifiable”. Em tempos de internet, um lançamento como esse show em Tóquio teria que se justificar muito. E não é o caso. Os discos trazem o mesmo repertório do DVD “Certifiable”, com o diferencial de deixar de fora a última música do show, “Next to you”. Além do mais, o áudio (mixado apenas em 2.0) não está lá grande coisa. E a imagem, idem, com baixa resolução, que mais parece um show baixado na internet. Em suma, apesar de ser sempre agradável ouvir clássicos como “Message in a bottle”, “Can’t stand losing you”, “King of pain” e “Every little thing she does is magic”, “In concert – Live at Tokyo Dome” não se justifica nem para um colecionador. Melhor ficar com “Certifiable”, esse sim com imagem límpida, repertório completo e áudio estrondoso.

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Abaixo, um trecho de “Minha alma (A paz que eu não quero)”, extraída do DVD “Ao vivo”, d'O Rappa.