13 de jun de 2010

Resenhando: The National, Nasi, The Dead Weather, Gilberto Gil, Carole King & James Taylor

“High violet” – The National
Quando lançou “Boxer”, em 2007, o The National era considerada uma banda indie. Três anos depois, com o lançamento de “High violet”, ela não deixar de ser indie – até mesmo porque, o R.E.M. é chamado de indie até hoje. Mas, fazendo a comparação com a banda de Michael Stipe, “High violet” pode ser considerado um “Document” para o The National. Ou seja, “High violet” começa a marcar a transição de uma banda conhecida por um grupo pequeno de pessoas por algo mais... hum... mainstream. Nesse novo disco, o The National continua fazendo rock para adultos. Pode-se até dizer que “High violet” é mais difícil do que “Boxer”. E parece ser mesmo – mas, ao mesmo tempo, a legião de fãs só cresce, a começar pelo atual presidente dos Estados Unidos, que usou “Fake empire”, do “Boxer”, em sua campanha. Tirando algo mais palatável, como “Bloodbuzz Ohio” ou “Little faith”, o que sobra nesse álbum são melodias rebuscadas repletas de texturas sonoras que você nunca ouviu antes e a voz (cada dia melhor) de Matt Berninger. Um bom exemplo está logo na primeira faixa, “Terrible Love”, uma das músicas mais belas já escritas pelo The National. “Afraid of everyone” pode ser considerado o hino do álbum (e do National), e faixas como as delicadas e quase épicas “England” e “Vanderlyle crybaby geeks” dão a certeza de que vai ser muito difícil alguma outra banda superar “High violet” por um bom tempo.

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“Vivo na cena” – Nasi
Ex-vocalista do Ira!, uma das bandas mais bem sucedidas do Rock Brasil, Nasi, apesar de nunca ter sido um grande cantor, sempre teve aquilo que pode ser chamado de atitude (êta! palavrinha esquisita). Não à toa, ele sempre esteve na mídia, seja gravando algum bom disco com a sua antiga banda, seja participando de algum campeonato de futebol para roqueiros. O novo álbum de Nasi decreta o divórcio com o Ira!. “Vivo na cena” pode ser considerado uma retrospectiva da carreira de Nasi, mas não espere encontrar uma “Dias de luta” ou um “Núcleo base” no CD/DVD ora lançado pela Coqueiro Verde. Pelo contrário, da antiga banda, somente coisas não muito conhecidas, como “Tarde vazia” e “Milhas e milhas” aparecem nesse projeto gravado ao vivo em estúdio. Em “Vivo na cena”, Nasi ainda relembra os tempos de Voluntários da Pátria (“Verdades e mentiras, somente no DVD, infelizmente) e homenageia bandas e artistas do rock nacional, como os Picassos Falsos (“Carne e osso”), Cazuza (“O tempo não para”, também só no DVD), Raul Seixas (“Rockixe”, em dueto com Marcelo Nova) e Musak (“Onde estou?). Ainda há espaço para músicas de Zé Rodrix (“Por amor”, já gravada pelo Ira! no “Acústico MTV”) e João Bosco (“Bala com bala”). Bem diferente da delicadeza e superprodução do “Acústico” do Ira!, esse “Vivo na cena” mostra um lado mais sujo e rascante de Nasi. E quer saber? É bem mais interessante.

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“Sea of cowards” – The Dead Weather
Jack White é um dos caras – ou o cara – que mais trabalha no mundo do rock. Fato. Se o White Stripes está em hiato, ele grava um disquinho com os Raconteurs. E se os Raconteurs já terminaram a turnê, ele já emenda outra com o Dead Weather. Não sem antes colocar um álbum fresquinho nas lojas. “Sea of cowards”, novo disco do Dead Weather, chegou às lojas no mês passado, lá fora. E temos uma boa e uma má notícia. A ruim é que ele pouco se difere dos trabalhos lançados pelas outras bandas de White. E a boa é exatamente o fato de a sonoridade ser bem parecida com a do White Stripes e a do Raconteurs. “Sea of cowards” apresenta rock simples, direto, com um pezinho nos anos 70 (as ótimas “Blue blood blues”, “Hustle and cuss” e “I can’t hear you), outro em uma delicada psicodelia (“Old Mary” e “Looking at the invisible man”) e um pezinho em algo funky (a sensacional “I’m mad”). Mas com tudo muito em comum, acredite. Tanto que o The Dead Weather tem se mostrado o melhor projeto de Jack White. Podem dizer que o som é parecido com o do Led Zeppelin. E é mesmo. Afinal, tem algum problema nisso?

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“Fé na festa” – Gilberto Gil
Dez anos depois de lançar o seu primeiro álbum “forrozeiro” (“As canções de ‘Eu, Tu, Eles’”), Gilberto Gil decidiu voltar ao tema com “Fé na festa”. Só que agora as coisas são bem diferentes. Se no álbum lançado em 2000, Gilberto Gil dedicava quase que a totalidade de seu repertório a Luiz Gonzaga, nesse novo, o que impera são canções inéditas escritas pelo próprio Gil. E a primeira conclusão a que chegamos é que Gilberto Gil, depois de um bom tempo no Ministério da Cultura, voltou a sua melhor forma. Provavelmente, desde “Parabolicamará” (1992), Gil não gravava um trabalho tão substancioso. Em “Fé na festa”, Gil consegue a proeza de misturar bom gosto com algo mais popular, sem precisar apelar ou fazer concessões, em seu xotes, xaxados, frevos e baiões. Os destaques do álbum são “Não tenho medo da vida” (uma espécie de resposta à belíssima “Não tenho medo da morte”, de seu álbum “Banda larga cordel”, de 2008), “O livre-atirador e a pegadora” (que nasce com cara de hit, e deve estourar no circuito junino), “São João carioca” (idem, uma das mais deliciosas de “Fé na festa”), “Dança da moda” (um xaxado de Luiz Gonzaga e Zé Dantas) e “Estrela do céu”. No álbum, Gil gravou mais uma de Targino Gondim (o mesmo compositor de “Esperando na janela”, o maior sucesso de Gil na década passada). Só que “Maria minha” não tem o mesmo brilho. Mas também nem precisava. Como é bom ver (e ouvir) Gilberto Gil em sua melhor forma. Só falta agora ele lançar o super-adiado álbum de sambas – autorais, por favor.

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“Live at The Troubadour” – Carole King & James Taylor
Carole King e James Taylor sempre tiveram nomes e carreiras interligadas. Alguns dos maiores sucessos de Taylor, inclusive, foram compostos por Carole, como “Up on the roof” e, claro, “You’ve got a friend”. Em novembro de 2007, a lendária casa de shows californiana The Troubadour – local onde os dois fizeram a sua primeira apresentação em conjunto, em 1970 – completou 40 anos. James Taylor e Carole King foram chamados para fazer o show de aniversário. E é exatamente essa apresentação que agora é lançada no pacote com CD e DVD “Live at The Troubadour”. Em uma hora de show, a dupla desfia clássicos dos respectivos repertórios, que acabam se entrelaçando em duetos como as já citadas “Up on the roof” e “You’ve got a friend”. James Taylor ainda relembra clássicos autorais, como “Carolina in my mind”, “Something in the way she moves” e “Fire and rain”. Já Carole King interpreta sucessos como “So far away”, “I feel the earth move” e “It’s too late”. Parece que, a cada ano que passa, fica mais gostoso ouvir o violão de James Taylor e o piano de Carole King. Ah, e as suas vozes também.

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Abaixo, um vídeo de “Little faith”, uma das boas faixas de “High violet”, do The National.