24 de out de 2008

CD: “THE BLOCK” (NEW KIDS ON THE BLOCK) – LEVANTADOS DO TÚMULO

A moda de antigas bandas se reunindo realmente pegou. Isso, se é bom por um lado, pode ser muito ruim por outro. Traduzindo: se por um lado temos a reunião de uma banda como o The Police, por outro, também temos a reunião dos New Kids On The Block. Para ser mais claro: “The Block”, primeiro álbum em 14 anos da ex-banda ‘teen’ – o último álbum foi o medíocre “Face The Music”, de 1994 –, é ruim demais.

Se no final dos anos 80 e início dos 90, canções como “Hangin’ Tough”, “Step By Step” e “Tonight” ainda tinham, vá lá, seu charme, a tentativa dos New Kids On The Block de atualizarem sua sonoridade soa sofrível. Catorze anos se passaram e, pelo jeito, Donnie Wahlberg, Danny Wood, Joey McIntyre, Jordan Knight e Jonathan Knight não andaram para frente.

Mesmo com um time de produtores (da moda) formado por gente como RedOne, Timbaland, Teddy Riley e Akon, os New Kids não conseguiram fazer uma, umazinha sequer, canção que realmente valesse a compra (nem mesmo o download gratuito) de “The Block”, que estreou em segundo lugar na parada da Billboard e depois desapareceu do ‘top ten’ norte-americano. A sonoridade está mais pasteurizada que nunca, as letras conseguem ser piores e os vocais, ao que parece, envelheceram não só 14 anos, mas 14 décadas.

A faixa menos ruim de “The Block”, é exatamente o primeiro single do álbum. “Summertime” ainda traz um pouco daquela juventude que fez com que um Maracanã fosse lotado durante o Rock in Rio de 1991. Tentando imitar um pouco o Take That, até que a faixa poderia estar presente no disco “Step By Step”, lançado 18 anos atrás. Mas em 2008, a sensação de déjà vu paira no ar.

O segundo single de “The Block”, intitulado... “Single”, consegue ser pior. Apesar da participação de Ne-Yo, que não costuma se meter em furada, a faixa, com a sua letra melosa, é outra que faz parte dos ‘piores melhores’ momentos de “The Block”. Akon, outro medalhão presente no álbum, também nada consegue fazer em “Put It On My Tab”. De resto, faixas como “Click Click Click”, “2 In The Morning”, “Dirty Dancing”, “Sexify My Love” (não estranhem o título da canção, até mesmo porque as fãs dos New Kids estão 20 anos mais velhas...) e “Full Service” também não surpreendem: são igualmente ruins.

Nas duas últimas faixas do CD, “Stare At You” e “Close To You”, os New Kids tentam fazer aquele tipo de balada com vocal meloso, letra pegajosa e uma melodia que faria uma garota de dez anos de idade chorar. “Faria” porque, em 2008, provavelmente as garotas de dez anos não vão chorar com algo tão clichê e previsível.

Talvez “Big Girl Now” e “Twisted”, por contarem com umas batidas mais originais, consigam agradar a alguém. A primeira lembra até alguma coisa de “Hard Candy”, de Madonna, e a segunda, produzida por Timbaland, seria uma ótima canção se não tivesse sido gravada pelos New Kids On The Block.

Enfim, 18 anos após “Step By Step”, o tempo dos New Kids On The Block acabou. A própria banda foi responsável pela criação desse estilo musical que resultou em ‘boy-bands’ como os Backstreet Boys e os ‘N Syncs da vida. Só que esse negócio de banda ‘teen’ não cai nada bem para artistas com mais de 40 anos. Regras do mercado. Coisas do mundo, minha nêga.

Definitivamente, os New Kids On The Block caíram na própria armadilha que criaram.

Abaixo, o videoclipe de “Summertime”, primeiro single de “The Block”.

Cotação: *1/2

2 comentários:

Eduardo Verme disse...

É realmente lamentável que bandas como essa retornem. Já não valia um mísero centavo no começo dos 90... imagina agora, nessa época em que vivemos.

O bom é que não vai durar muito, se Deus quiser.

Gisele Imóveis disse...

Sou obrigada a discordar em gênero, número e grau, pois hoje tenho 30 anos de idade e minha filha 10, eu mostrava pra ela no youtube a banda que marcou para sempre a minha adolescência, gostava e ainda gosto da banda. Sem exceção de álbum. Hoje sou eclética e gosto de todos os tipos de boa música, as que tem letra e sentimento como a deles. Fiquei muitíssimo feliz em saber que eles de volta. Agora eles precisam é vir para o Brasil.