18 de set de 2008

CD: “STAY POSITIVE” (THE HOLD STEADY) – NEM MELHOR, NEM PIOR, APENAS UM POUCO DIFERENTE

Pouca gente já ouviu falar em The Hold Steady. Mas, fato é que a banda já está por aí há quase cinco anos e com quatro discos muito bacanas na bagagem. (E até mesmo Daniel Radcliffe, aquele mesmo que faz o “Harry Potter”, já disse que o Hold Steady é a sua banda predileta.) Com o seu último álbum, “Stay Positive”, lançado há poucos meses lá fora (e ainda inédito no Brasil), a banda de Nova York voltou a ser bastante falada, principalmente pela imprensa britânica. Os jornais The Independent, The Observer e The Sunday Times, assim como a revista New Musical Express, consideraram “Stay Positive” o álbum da semana (quando o mesmo foi lançado). E as três principais revistas britânicas – Uncut, Q e Mojo – variaram a cotação do álbum entre quatro e cinco estrelas.

Nada mal para uma banda que faz o rock mais americanizado possível, e não tem vergonha de citar Bruce Springsteen como a sua principal influência. A primeira faixa do CD, “Constructive Summer”, é um belo exemplo dessa influência. Um rock direto que lembra também o The Replacements, com instrumental encorpado (formado por guitarra, bateria, baixo e teclados, tudo bem no ritmo de um verdadeiro verão californiano), é a senha para a banda já mostrar ao que veio. E a letra, apesar de bem pretensiosa (“Our psalms are sing-along songs”), é muito divertida.

E o novo álbum de Craig Finn, Tad Kubler, Franz Nicolay, Gavin Polivka e Bobby Drake vai seguindo este caminho, com um rock simples, direto, letras densas e interessantes (embora um pouco complicadas para quem não tem muita intimidade com o idioma) e cheio de influências bacanas. Aliás, o mais importante de tudo é que, apesar de beber em várias fontes, a (ainda) banda indie consegue fazer música com muita originalidade.

Muitos fãs do Hold Steady vão logo querer discutir se “Stay Positive” é melhor do que o álbum anterior da banda, “Boys And Girls In America”, lançado em 2006. O que deve ser falado, logo de início, é que a sonoridade da banda mudou significativamente de um disco para o outro. O novo trabalho é bem mais pesado e tem uma sonoridade um pouco mais retrô, muito por conta do abuso dos teclados (isso não é uma crítica). Mas, agora, dizer qual é o melhor ou o pior, é apenas questão de gosto. Vale lembrar que, assim como a crítica caiu de amores por “Stay Positive”, o mesmo aconteceu com “Boys And Girls In America”, que chegou a ser eleito o oitavo melhor álbum de 2006 pela Rolling Stone.

Mas o que pode ser notado de cara, e isso ninguém pode negar, é o fato de Craig Finn estar cantando absurdamente melhor nesse novo álbum. Um exemplo disso é “Sequestered In Memphis”, primeiro single do álbum, que tem um quê de punk, um quê de E Street Band e um quê de Rolling Stones. E a letra é das mais interessantes do disco: “In the barlight, she looked alright / In the daylight, she looked desperate / That’s alright, I was desperate too”.

Outras influências estão bastante claras em “Stay Positive”. Com certeza, a banda norte-americana bebeu da fonte de Bob Dylan, por conta de suas intricadas letras, e da The Band. Isso pode ser observado em canções como “One For The Cutters” (que tem até harpa) e “Lord, I’m Discouraged”, uma bonita balada com um solo de guitarra arrasador.

E por falar em Bob Dylan, as letras da banda estão cheias de referências. A música “D’Yer Maker”, do Led Zeppelin, é citada logo no primeiro verso da climática “Joke About Jamaica”, e as famosas “catholic girls”, de Billy Joel, percorrem toda a faixa “Both Crosses”, que, aliás, tem uma sonoridade meio africana, cheia de banjos fazendo as vezes de uma cítara. Outra letra que se destaca no álbum é a da faixa-título, que presta uma grande homenagem aos antigos e futuros fãs da banda (“Because the kids at the shows they’ll have kids of their own / Sing the sing-along songs will be our scriptures / We gotta stay positive!”).

A última faixa do álbum, “Slapped Actress” é outra canção que se sobressai. Contudo, nela, é possível notar um ponto fraco do álbum inteiro. A mixagem fez com que o som ficasse muito embolado, restando praticamente impossível uma nítida distinção dos instrumentos. Pode parecer um pequeno defeito, mas, após a audição do álbum inteiro – principalmente em um volume alto –, o fã vai notar que isso não é apenas um detalhe.

E voltando à discussão do início desse texto, “Stay Positive” não é melhor nem pior do que os álbuns anteriores do The Hold Steady. As raízes da banda estão todas nesse novo disco. As mudanças são apenas uma progressão natural de um conjunto musical que, aos poucos, está deixando de ser indie, para se transformar em uma “banda de arena”. Agora, se isso é bom ou ruim, mais uma vez, é apenas questão de gosto.

Abaixo, um vídeo ao vivo da faixa “Sequestred In Memphis”.

Cotação: ****

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