21 de jul de 2011

U2 se despedindo da 360° Tour em Nova Jersey

Terminou há pouco aqui em Nova Jersey, no sensacional New Meadowlands Stadium, o show do U2. Bom, para começar, vale dizer que a apresentação não foi muito diferente da que passou por São Paulo três meses atrás.

O palco todo mundo já está cansado de conhecer. Realmente ele é impressionante. Mesmo quando a gente revê aquilo pela terceira vez, não tem como passar desapercebido. Lindo ou cafona. Depende do ponto de vista. Mas indiferente o cliente não fica.

Os shows em São Paulo eu vi um do gramado e outro da Red Zone. Achei o gramado bem melhor, porque você tem uma visão mais global. Hoje, fiquei nas cadeiras logo acima (na lateral) do palco. E tive uma outra experiência. Não sei se no início da turnê era assim, mas Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. (dentro das suas possibilidades de baterista) usaram e abusaram do nababesco palco.

Independentemente do lugar no estádio, não tem como o público se sentir desprestigiado. Os quatro integrantes da banda irlandesa usam cada milímetro quadrado do palco. Até a bateria, em alguns momentos, vira de costas, para prestigiar a galera atrás do palco. Bono e The Edge, por sua vez, não param um segundo. As passarelas que ligam o palco principal ao tablado redondo que circunda a pista VIP (para os que chegam mais cedo, e não para quem paga mais, diga-se) também são usadas a torto e a direito.

O show de abertura coube à banda Interpol. A apresentação foi curtinha, 45 minutos, e pareceu não agradar muito ao público. O Muse, que abriu em São Paulo, se saiu muito melhor. O seu repertório está mais de acordo com a “sonoridade U2”. Já com relação ao Interpol, o som “indie-pós-punk” do conjunto de Nova York não empolgou o reduzido público.

Quando o U2 subiu ao palco, havia 95 mil pessoas no estádio. A plateia não parou. Parecia querer compensar o atraso de um ano - a turnê norte-americana do ano passado teve que ser cancelada por causa de uma cirurgia de emergência na coluna do cantor. Da entrada, com “Space oddity”, na voz de David Bowie, ao encerramento, com a inesperada “Out of control”, o U2 desfiou um repertório que privilegiou todas as fases de sua carreira, especialmente o álbum “Achtung baby” (1991). Não foi à toa que logo após a primeira faixa do set list, “Even better than the real thing”, Bono disse: “Welcome to 1991!”.

E seguiram-se mais três faixas de “Achtung baby”: “The fly”, “Mysterious ways” e “Until the end of the world”. Mais no final da apresentação, foi a vez de outra do mesmo disco: “One”. E “Zooropa” (1993), gravado na mesma época de “Achtung baby”, também foi lembrado com a sua faixa-título e a balada voz & violão “Stay (Faraway, so close!)”. Ainda nesse ano, O U2 vai lançar uma edição especial, repleta de bônus, desses dois álbuns. Daí talvez a preferência por essa fase do início dos anos 1990 no repertório. Do último álbum da banda, “No line on the horizon” (2009), apenas quatro músicas foram lembradas, incluindo a versão dance de “I’ll go crazy if I don’t go crazy tonight” e “Moment of surrender”, faixa de encerramento de todos os shows da turnê, com exceção desse em Nova Jersey, que acabou com uma versão turbinada de “Out of control”, faixa do álbum de estreia da banda, “Boy” (1980), que ainda foi lembrado com “I will follow”, a quinta canção do roteiro.

Bono fez menção ao início da carreira da banda, e disse que o primeiro show do U2 em Nova Jersey aconteceu trinta anos atrás. Ele leu o repertório daquela apresentação. E destacou o bis, que contava com quase todo o show repetido. “Muita coisa mudou, mas outras permanecem iguais”, disse antes de apresentar os membros do conjunto, juntos desde o primeiro álbum.

Um ícone da cidade de Nova Jersey também foi lembrado por Bono. Bruce Springsteen (chamado de “Father Springsteen” pelo vocalista) teve a sua “The promise land” lembrada durante “I still haven’t found what I’m looking for”.



E no final, antes de “Moment of surrender”, houve o momento de maior emoção da noite, quando Bono pediu um cartaz que um fã segurava na parte de trás do gramado. O cartaz foi de mão em mão, até chegar a Bono. Quando ele o abriu, lá estava escrito: “For Clarence”. Tratava-se do lendário saxofonista Clarence Clemons, da E Street Band (que acompanha “Father Springsteen”), e que morreu no mês passado. Durante “Beautiful day” (certamente a música que teve a maior recepção da plateia), Bono ainda lembrou David Bowie, cantando um trecho de “Space oddity”.

Agora, a “360 Tour” segue para Minneapolis, Pittsburgh e, finalmente, Moncton (Canadá), onde acontecerá o derradeiro show da turnê, no dia 30 de julho. Deixará saudade. Sorte de quem pôde assistir a algum show.

*****

Set list completo do show do U2 no New Meadowlands Stadium:

“Even better than the real thing”
“The fly”
“Mysterious ways”
“Until the end of the world”
“I will follow”
“Get on your boots”
“Magnificent”
“I still haven’t found what I’m looking for”
“Stay (faraway, so close!)
“Beautiful day”
“Elevation”
“Pride (In the name of love)”
“Miss Sarajevo”
“Zooropa”
“City of blinding lights”
“Vertigo”
“I’ll go crazy if I don’t go crazy tonight”
“Sunday bloody sunday”
“Scarlet”
“Walk on”
“One”
“Hallelujah”
“Where the streets have no name”
“Hold me, thrill me, kiss me, kill me”
“With or without you”
“Moment of surrender”
“Out of control”