16 de out de 2008

CD: “ÁLBUM BRANCO” (VÁRIOS ARTISTAS) – O TRIBUTO VERDE E AMARELO AO ÁLBUM BRANCO

Há 40 anos, um dos álbuns mais importantes da história da música chegava às lojas. “The Beatles”, mais conhecido como “White Album” (ou, aqui no Brasil, “Álbum Branco”), foi lançado em novembro de 1968. O nono álbum oficial da banda inglesa é considerado por muitos como o melhor disco de rock de todos os tempos. Além disso, “White Album” é o trabalho mais vendido dos Beatles, e também é o disco que mais encontrou compradores nos Estados Unidos, desde o seu lançamento.

A maior parte das canções do álbum foram compostas durante uma viagem dos Beatles à Índia. E a influência pode ser notada em várias faixas do álbum, que possui, de um modo geral, uma sonoridade imitada por diversas bandas até hoje – se tiver alguma dúvida, basta colocar para rodar “Dig Out Your Soul”, último CD do Oasis, lançado na semana passada. Inclusive, com relação às composições, John Lennon chegou a dizer, como pode ser lido em “Anthology”, que escreveu algumas de suas melhores canções para este disco.

Mas “White Album” não é famoso ‘somente’ por isso. Durante as suas sessões, Yoko Ono foi apresentada à banda. E Eric Clapton participou com um solo de guitarra histórico na faixa “While My Guitar Gently Weeps”, de autoria de George Harrison. Aliás, neste álbum, além de contar com várias composições de Harrison, Ringo Starr contribuiu pela primeira vez, com uma canção de seu próprio punho (“Don’t Pass Me By”) para um álbum dos Beatles.

Como se tudo isso não bastasse, o mítico disco marcou a transição por parte do quarteto de Liverpool das gravações feitas em quatro canais para oito canais. Ademais, “White Album” foi o primeiro álbum dos Beatles a ter mais de 14 faixas e o último de sua discografia a ser lançado em som mono.

Aqui no Brasil, os 40 anos do clássico disco dos Beatles foi lembrado com o CD duplo “Álbum Branco”, que reproduz a íntegra do disco (com as faixas na mesma ordem) interpretado por vários artistas brasileiros, alguns consagrados, outros independentes. Da mistureba de Zé Ramalho com Tantra, Márcio Greyck com Pato Fu, Celso Fonseca com Autoramas e os Britos com Jerry Adriani, até que o resultado soou mais coeso do que o esperado.

Como já era provável, muitos artistas participaram do projeto de forma contida, como se não quisessem “desrespeitar” a obra dos Beatles. Entre esses músicos, estão Rodrigo Santos & George Israel (que abrem o disco com uma versão bacana para “Back In The U.S.S.R”), Os Britos (com “Ob-La-Di, Ob-La-Da”), Sylvinha Araújo (que se despediu dos estúdios com uma bonita versão para “Blackbird”), Tantra (que fez uma honesta gravação de “Revolution 1”) e Jerry Adriani, que encerra o álbum com uma comovente “Good Night”.

Outros cantores saíram pela tangente e desconstruíram as clássicas canções dos Beatles. Tais versões são exatamente o diferencial desse “Álbum Branco”. Zé Ramalho, por exemplo, levou o Nordeste à Índia e revitalizou “Dear Prudence”. O Pato Fu, como de costume, também fez muito bonito com uma moderna versão para “Birthday”. Já o Manfred, se não fugiu muito do original de “While My Guitar Gently Weeps”, fez bonito com uma versão honesta do clássico de Harrison. Rogério Skylab, por sua vez, deixa “Revolution 9” (aquela que o New Musical Express classificou como um “pretensioso exemplo de imaturidade idiota”) mais estranha ainda.

Enfim, se não chega a ser um disco essencial, “Álbum Branco” serve para aguçar a curiosidade do fã, que, certamente vai correr e ouvir o disco original do Beatles. E méritos para o selo Discobertas, de Marcelo Fróes, que tornou viável o ambicioso projeto. A indústria fonográfica brasileira ficaria bem mais interessante com trabalhos dessa grandeza.

Abaixo, a música “Revolution 9”, interpretada por Rogério Skylab e presente nesse “Álbum Branco”.

Cotação: ***1/2

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