13 de set de 2008

SHOW: FITO PAEZ – CANECÃO (RIO DE JANEIRO) – 11/09/2008 – O DIA EM QUE OS BRASILEIROS APLAUDIRAM UM ARGENTINO

Quando se ouve o nome de Fito Paez, muitos brasileiros já torcem o nariz pelo simples fato de o compositor ser argentino e cantar em espanhol, como se fosse uma língua muito distante do português. Mas como Fito é muito insistente, para a nossa sorte, ele conseguiu quebrar, de certa forma, barreiras e preconceitos com relação ao cancioneiro em língua hispânica.

E a maior prova disso foi o show que o cantor fez na última 5ª feira, num Canecão, que se não tinha a sua lotação esgotada, estava bem cheio. Apesar de o principal jornal do Rio de Janeiro ter anunciado que Fito Paez viria acompanhado de sua banda, o argentino veio apenas com o seu piano – o guitarrista Coki Debernardi participou de somente duas músicas do roteiro. E bastou! Talvez os cariocas tenham visto o melhor show de Fito na cidade.

Como Fito Paez estava gravado CD e DVD ao vivo durante a apresentação no Canecão, os cariocas tiveram o privilégio de ver o argentino dividir o palco com Herbert Vianna, Vanessa da Mata, Ana Cañas e Milton Nascimento. Até por conta da proximidade natural do estilo de música, o líder dos Paralamas do Sucesso proporcionou alguns dos melhores momentos do espetáculo. A sua presença foi anunciada por Fito, após um início instrumental, apenas ao piano (“Waltz for Marguie”), uma versão para “Vaca Profana”, de Caetano Veloso, em uma interpretação em português perfeita e o sucesso oitentista “11 y 6”. Ou seja, o público já estava mais do que animado.

Herbert Vianna apresentou, ao lado de Fito, uma versão sublime para “Trac Trac”, sucesso dos Paralamas (do álbum “Os Grãos”, de 1991), apenas com piano e guitarra. Em seguida, Herbert e Fito apresentaram “El Vampiro Bajo El Sol”, que faz parte do álbum (maldito) “Severino” (1994), também dos Paralamas.

Após a participação de Herbert, o show teve continuidade com mais sucessos de Fito Paez, como “Un Vestido Y Un Amor” (que Caetano gravou em seu “Fina Estampa”) e “Tumbas De La Gloria”, que, apesar de sua letra dificílima, foi cantada em coro pela platéia carioca. Um destaque nessa parte do show foi “El Cuarto De Al Lado”, faixa do último disco de Fito, “Rodolfo”. A sua belíssima letra (“Yo solo se que nunca estuve a la altura / Yo estaba muy pirado y vos eras tan pura”) foi exposta no telão ao fundo do palco, enquanto Fito cantava a música. Curioso que, por uma falha técnica, a letra só começou a percorrer o telão após Fito ter cantado os dois primeiros versos da canção. Então, para a gargalhada do público, ele fez uma pausa até que a sua interpretação ‘encaixasse’ nas letras apresentadas pelo telão.

Vanessa da Mata foi a segunda participação especial da noite. Dividiu o mesmo banco de Fito Paez para cantar o sucesso “Amado”, que faz parte da trilha sonora da novela “A Favorita”, e “Tres Agujas”, uma das canções mais difíceis do argentino. Vanessa da Mata mostrou a sua competência habitual e conseguiu fazer uma boa interpretação (mas não tão boa quanto a de Fito Paez) da canção. O argentino gostou tanto que pediu para Vanessa da Mata ficar no palco para mais uma canção, não prevista no roteiro do espetáculo. E a escolhida foi “Desde Que o Samba É Samba”, de Caetano Veloso.

Após a saída de Vanessa, apesar de Fito permanecer apenas ao piano, o show tomou um rumo mais roqueiro, até chegar a “Detrás Del Muro De Los Lamentos” e “La Rueda Mágica”. Aí, foi a vez de Ana Cañas entrar e cantar “Coração Vagabundo” (Caetano de novo?), canção presente em seu álbum de estréia. Nessa música, a química da dupla não rolou legal. Mas, em seguida, nas canções “Fue Amor” e “A Rodar Mi Vida”, a cantora mostrou porque estava dividindo o palco com Fito Paez, apesar de seu estilo espalhafatoso e ‘over’. Nesta última canção, o guitarrista Coki Debernardi fez uma discreta participação – discreta mesmo, eis que não saiu som algum de sua guitarra durante a primeira metade da canção.

Já com a temperatura lá em cima e grande parte do público do Canecão de pé, Herbert Vianna se juntou à Fito Paez (que empunhou uma guitarra) e à Debernardi. Juntos, tocaram uma estridente – estridente até demais – versão de “Ciudad De Pobres Corazones”.

A última participação especial foi anunciada no bis. Ninguém menos que Milton Nascimento dividiu os vocais com Fito em “Yo Vengo a Ofrecer Mi Corazón”, de autoria do compositor argentino, e gravada por Milton no disco que dividiu com Gilberto Gil, em 2000. Foi um dos melhores momentos da noite, mas, infelizmente, Milton saiu do palco em seguida, sem chances de dividir os vocais com Fito Paez em um segundo número. Ao mesmo tempo que a platéia se deliciou, deu uma sensação de ‘quero mais’.

Mas se não tinha mais com Milton, tinha mais com Fito sozinho ao piano. E, para terminar, ele enfileirou logo três de seus maiores sucessos. “Brillante Sobre El Mic”, “Dar Es Dar” e “Mariposa Tecknicolor,” foram a chave de ouro para um show tecnicamente perfeito e que levou o público ao delírio.

Tanto levou, que era comum, no bis, ver muitos brasileiros levantando camisas da seleção argentina de futebol. Pelo menos essa barreira Fito conseguiu quebrar...

Abaixo, segue uma gravação amadora de “Trac Trac”, que teve a participação especial de Herbert Vianna.

Cotação: ****

4 comentários:

ciudadfitopaez disse...

TOMARÉ TU LINDK Y FOTO PARA CIUDADFITOPAEZ.BLOGSPOT.COM
GRACIAS.

Morganna disse...

ó, céus! como gostaria de ter visto esse show! ainda mais fito cantando desde que o samba é samba! *suspiros*
levantaria a blusa da argentina com o maior orgulho. (L)

Bárbara disse...

Deve ter sido um belo show!!! Queria muito ter ido mas não deu!
Adoro Fito Paez.
Agora é aguardar que seu cd/dvd saia p/ seus fãs!

Léo disse...

foi muy muy fueda o showwwwwwwwwwwwwww que shooooooozaçoooooooooo!
vaca profana foi uma coisa de doido...nossa Fito Paez é o cara ao vivo, que voz, que dominio do piano...