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19 de set. de 2010

Resenhando: Arcade Fire, Paula Morelenbaum e João Donato, CSN, Wilson das Neves, Broken Bells

“The suburbs” – Arcade Fire
“The suburbs”, terceiro álbum do Arcade Fire, já saiu tem quase dois meses lá fora. Mas só escrevo sobre ele agora porque quis digeri-lo um pouco melhor. As primeiras resenhas que li, comparavam-no a “Ok computer”, terceiro disco do Radiohead, lançado em 1997. A comparação é difícil. Os dois são grandes álbuns. O Arcade Fire estreou com “Funeral”, em 2004. Um álbum de estreia que pode ser considerado perfeito. O seguinte, “Neon bible”, escorregou em algumas viagens (um pouco que pretensiosas) da banda canadense. Também era um bom álbum, mas que não deixava claro qual rumo o Arcade Fire tomaria. “The suburbs” tira essa dúvida. De fato, o Arcade Fire, para bem ou para o mal, está pronto para o maistream (êta palavrinha horrorosa). Nesse terceiro álbum, a sonoridade da banda está bem mais palatável – no estilo Arcade Fire, é verdade. As letras estão bem mais próximas da realidade, eis que falam sobre... a vida nos subúrbios, tipo aquelas coisas comuns que qualquer pessoa de classe média gosta de fazer, sem esquecer das tristezas. Com relação à sonoridade, bem... Esqueça aquela coisa épica de “Funeral” ou as experimentações de “Neon bible”. “The suburbs” pode ser chamado de um álbum pop – ao estilo do Arcade Fire, repita-se. A faixa-título, que abre o disco já apresenta esse cartão de boas vindas, que se repete em outras faixas como na bela “Modern man”, no rock pesadinho “Empty room” e na quase new-wave “Mouth of may”. Mas o Arcade Fire também não desiste de coisas mais experimentais, como “Rococo” (uma das melhores faixas do álbum) e “Deep blue”. Mas nada supera a quase-disco “Sprawl II (Mountains beyond mountains)”, diferente de tudo o que o Arcade Fire já fez. E que vontade que dá assistir a um show do Arcade Fire depois de ouvir “The suburbs”...

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“Água” – Paula Morelenbaum & João Donato
Quando vi a capa do álbum de Paula Morelenbaum e João Donato, pensei: “as mesmas músicas, os mesmo arranjos, a mesma voz, o mesmo piano...” Tá certo, me enganei. Também não era pra menos. Paula Morelenbaum, com a sua ótima voz, é daquelas artistas que dificilmente se repetem. E João Donato... Bem, João Donato é João Donato. E ponto. Todas as 12 composições de “Água” são de sua autoria. Muitos clássicos: “A rã”, Lugar comum”, “A paz”, “Mentiras”... Mas as canções de Donato estão naquele grupo que podem ser regravadas zilhões de vezes de formas diferentes. E é isso o que acontece em “Água”. Você já ouviu “A rã” algumas centenas de vezes? Mas, certamente, não ouviu nessa maneira agora gravada por Paula Morelenbaum e João Donato. E “Ahiê”? Nessa nova versão, com arranjo de Beto Villares, a sonoridade transita entre o tradicional e o moderno, com destaque para o guitarron de Villares e o flugel horn de Mahor Gomes. Já “Everyday” se destaca pelos sopros de Leo Gandelman, enquanto “Muito à vontade” ficou mais à vontade ainda com as programações de Alex Moreira, e “Café com pão” cresceu ainda mais com o auxílio luxuoso do Paraphernalia, de Donatinho, Alberto Continentino, Renato “Massa” Calmon e outras feras. “Água” é mais um grande exemplo de que grandes canções podem (e devem) sempre ser regravadas. Basta ter originalidade.

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“Demos” – Crosby, Stills & Nash
Sabe aquele tipo de disco que a gente vê em alguma loja e pensa: “esse não tem erro, vai dar para ouvir até furar”? “Demos”, novo álbum de Crosby, Stills & Nash, está nesse time. Com 12 faixas gravadas entre 1968 e 1971, o CD (que chega às lojas brasileiras com mais de um ano de atraso) apresenta versões cruas de faixas como “Déjà vu”, “Almost cut my hair” e “Chicago”. David Crosby, Graham Nash e Stephen Stills se dividem nos vocais, e Neil Young (que entrou na banda em 1969) dá o ar da graça em “Music is love”, canção que só veio a ser gravada oficialmente no primeiro álbum solo de Crosby, lançado em 1971. Apenas a faixa de abertura, “Marrakesh express” (gravada quatro meses antes da estreia do trio em disco, em 1969), traz Crosby, Stills e Nash cantando juntos. Nas outras, eles se dividem em duplas ou se apresentam solo. “Long time gone”, também do álbum de estreia do CSN, na versão demo, traz as vozes de Crosby e de Stills. Isso porque a canção foi gravada em junho de 1968, ou seja, poucas semanas antes de Nash entrar no conjunto. “My love is a gentle thing” (na voz de Stills), por sua vez, é uma das pérolas do álbum, já que nunca havia sido lançada em um álbum oficial da banda anteriormente, mas tão somente no Box “CSN”, de 1991. Uma das músicas mais interessantes de “Demos” é “Love the one you’re with”, que foi gravada no primeiro trabalho solo de Stephen Stills (de 1970), e que acabou se transformando em seu maior hit. A versão desse CD foi registrada em abril de 1970, seis meses antes da gravação de seu disco de estreia. Já “Singing call” (também na voz de Stills) apareceria em seu segundo álbum solo. A única dificuldade aqui é concluir qual a melhor versão: as demos ou as oficiais? Eu ainda tenho as minhas dúvidas.

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“Pra gente fazer mais um samba” – Wilson das Neves
Wilson das Neves é um dos maiores músicos do mundo. Posso fazer essa afirmação de forma taxativa. Ouça o trabalho dele n’Os Ipanemas. Ou então em seu antológico álbum gravado ao lado de Elza Soares, em 1968. Ou então em gravações esparsas, como a de “Não identificado”, clássico do “Álbum branco” (1969), de Caetano Veloso. Ou então nas últimas turnês de Chico Buarque, em que Wilson das Neves, com a classe habitual, destrói a sua bateria. Ou então nas apresentações da Orquestra Imperial. Ou então em seu último álbum, “Pra gente fazer mais um samba”, lançado no mês passado. Samba com Wilson das Neves é coisa séria. E ele mostra isso nesse novo disco. Provavelmente, a sua maior virtude é conseguir ser popular e sofisticado ao mesmo tempo. O público do Zeca Pagodinho vai gostar? Vai. E o do Chico Buarque? Também. Sente só a poesia presente em “Outono chegou” (parceria de Das Neves com Paulo Cesar Pinheiro): “O outono chegou / No meu peito o arvoredo secou / Já murchou cada ramo de flor / E a folhagem amarelou / O outono chegou / E esse meu coração já virou / Folha seca que um vento arrancou / E outro vento carregou.” Tudo isso com a adesão de músicos como João Carlos Rebouças (piano), Zé Luiz Maia (baixo), Vittor Santos (trombone) e Don Chacal (percussão). Ah, e claro a bateria e a voz de mestre Wilson das Neves. Para finalizar, cito aqui parte do texto de apresentação do CD: “Aí está com ele sua graça, com a ginga que é só dele, com essa voz que deve ser a voz rouca das ruas, eis aí Wilson das Neves cantando versos prenhes de sabedoria popular”. Assinado: Chico Buarque.

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“Broken bells” – Broken Bells
Pouca gente deve ter ouvido falar do Broken Bells. Explico: é uma banda formada no ano passado pelo produtor Brian Burton (ou Danger Mouse, se você preferir) e James Mercer, vocalista e guitarrista da banda The Shins. O álbum de estreia saiu lá fora em março – por aqui, só Deus (ou nem ele) sabe. A sonoridade da banda é daquele tipo bem complicado de ser definido. Meio que cada faixa carrega algo diferente. “The high Road”, primeiro single (e faixa de abertura), por exemplo, transita entre uma delicadeza quase invisível, e uma epicidade surpreendente no refrão. É, é difícil mesmo definir em palavras. Já “Vaporize” carrega um ambiente quase spaghetti, lembrando um pouco alguma coisa do último trabalho de Beck, “Modern guilt” (2008), produzido por... Danger Mouse. Mas a minha preferida é mesmo “Citzen”, praticamente uma balada de ninar, cheia de climas. Pode parecer viagem, mas se o Radiohead e o The National cruzassem, certamente o nome do filho seria “Citzen”. Já a instrumental “Sailing to nowhere” é uma espécie de lado “Kid A” do Broken Bells. E o encerramento com “The mall & misery” chegou a lembrar até mesmo o New Order. Vai entender... Aliás, não precisa entender muito não. Melhor escutar esse “Broken Bells” e tirar as suas próprias conclusões.

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Em seguida, “Rococo”, do último álbum do Arcade Fire, “The suburbs”. A canção foi gravada ao vivo na semana de lançamento do disco, no Madison Square Garden, em Nova York.

23 de ago. de 2010

Gene Kelly, Lulu, Keith Moon, Paula Toller, Mehldau, Casablancas, Bowie, Cor do Som, Kobe, U2, Neil Young, Donato, Page, Lennon, Eno, Selway, Ron Wood

Ron Wood programou o lançamento de seu novo álbum, "I feel like playing" para o dia 27 de setembro. E o guitarrista dos Rolling Stones se cercou de gente boa. Participam do álbum Eddie Vedder (Pearl Jam), Slash (ex-Guns n' Roses) e Flea (Red Hot Chili Peppers). O álbum contará com 12 faixas inéditas, inluindo o single "Lucky man". Kris Kristofferson, Billy Gibbons (guitarrista do ZZ Top) e o cantor Bobby Womack também deram uma forcinha para Wood. O último álbum do guitarrta foi "Not for beginners", de 2001. A relação de faixas de "I feel like playing" é a seguinte: "Why’d you wanna do a thing", "Sweetness", "Lucky man", "I gotta go", "Thing about you", "How am I gonna catch you", "Spoonful", I don't think so", "100%", "Fancy pants", "Tell me something" e "Forever".

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Bora ouvir o álbum solo do Philip Selway, batera do Radiohead, inteirinho? Aqui.

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"Small craft on a milk sea" (capa acima), novo álbum de Brian Eno, chega às lojas no dia 15 de novembro. Gravado com Jon Hopkins e Leo Abrahams, o disco será lançado em CD, download digital e em uma caixa limitada, com um vinil e dois CDs.

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Alguém quer comprar uma privada usada por John Lennon?

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Jimmy Page está preparando o lançamento de um livro pela Genesis Publications, para o dia 27 de setembro. Pelo que parece, é um livro de fotografias, que conta com várias inéditas, extraídas dos arquivos particulares do ex-guitarrista do Led Zeppelin. O livro tem mais de 500 páginas, e reproduz cerca de 650 fotos e ilustrações. A capa é toda em couro, e a edição é limitada em 2.500 cópias, todas assinadas por Jimmy Page. O preço? 445 libras, ou 1.200 reais. Mais detalhes aqui.

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A Biscoito Fino coloca nas lojas nos próximos dias o álbum gravado em dupla por João Donato e Paula Morelenbaum. "Água" (capa acima) conta com 12 faixas, todas elas compostas por João Donato com diferentes parceiros. A relação de faixas é a seguinte: "Flor de maracujá", "Café com pão (Jodel)", "A rã", "Muito à vontade", "Lugar comum", "Ahiê", "Mentiras", "Entre amigos", "E muito mais", "Every day", "A paz" e "Tudo tem".

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Sai no dia 28 de em setembro "Le noise", o novo álbum de Neil Young, produzido por Daniel Lanois. A boa nova foi dada pelo próprio artista, em seu perfil no Facebook. "'Le noise' está finalizado. É um disco solo. Estará disponível em CD, vinil e no iTunes, seguido por blu-ray e aplicativos para iPhone e iPad, um mês depois. Os aplicativos serão grátis e trarão a capa do álbum em versão interativa", explicou o músico canadense. No mesmo dia, Eric Clapton também lança o seu novo álbum, "Clapton".

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Alguns fãs podem até dizer que o acidente com Bono foi bom, tendo em vista que, volta e meia, o U2 estreia alguma música nessa nova nessa europeia. No show de ontem, em Helsinki, na Finlândia, foi a vez de "Every breaking wave". É legalzinha, mas longe do padrão U2.



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E para os fãs de basquete, fica aqui a minha homenagem a Kobe Bryant, gigante do Los Angeles Lakers, e que completa 32 anos hoje.



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Quem também estaria fazendo 40 anos hoje é o saudoso ator River Phoenix, que morreu precocemente aos 23 anos de idade. Mas foi tempo suficiente para ele estrelar bons filmes como "Conta comigo" (1986), "Indiana Jones e a última cruzada" (89), "Garotos de programa" (91) e "Um sonho, dois amores" (93). E tempo suficiente também para ser homenageado por ninguém menos que Milton Nascimento.



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O blog do Paulo Marchetti me lembra que hoje faz 30 anos que o clássico "Transe total", álbum de maior vendagem da banda A Cor do Som, chegou às lojas. "Transe total" foi o quarto álbum da carreira do grupo, que, na ocasião testava um som mais popular. As faixas desse discaço são as seguintes: "Dança das fadas", "Palco" (aquela do Gilberto Gil), "Moleque sacana", "Farraforró", "Zanzibar (As cores)", "Massaranduba", "Semente do amor", "Maracangalha" (de quem??), "Bruno e Daniel", "Para ser o sol" e "Transe total".



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Sabe qual música estreava no topo da parada inglesa de singles exatos 30 anos atrás?? Essa aqui:



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Hoje também é dia de dar os parabéns a Julian Casablancas, vocalista do The Strokes. Casablancas nasceu a 23 de agosto de 1978 e, na minha opinião, também manda muito bem tanto na carreira solo quanto na sua banda. Vi o Strokes em algum Free Jazz (ou já seria Tim?) e foi um dos shows mais vibrantes que já tive a oportunidade de presenciar. Ouvi um boato de que eles estavam quase fechados com o Planeta Terra, mas desistiram. Pena. Contudo, acho que não vai demorar muito para eles voltarem não. Seria lindo fechar uma noite do Rock in Rio, por exemplo.



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O grande pianista Brad Mehldau vai soprar 40 velinhas hoje. Reconheço que sou um pouco preconceituoso quando o jazz está no meio. Para mim, eu fico com os clássicos, como Coltrane, Bill Evans, Oscar Peterson, Horace Silver, Miles Davis, Duke, Monk e quejandos. Mas o Brad Mehldau eu conheci não tem nem dez anos, e acho sensacional. O que eu acho mais bacana em seu trabalho é a mistura que ele faz, tipo vertendo "Paranoid android" (Radiohead) ou "Wonderwall" (Oasis) ou ainda "O que será" (Chico Buarque) para o jazz. E, olha, se você não conhece, ouça, porque é muito legal.



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Agora vou falar da gatíssima Paula Toller, que faz aniversário hoje. (E fica mais linda a cada ano.) Adoro a carreira solo dela e gosto muito do Kid Abelha. Aliás, cresci ouvindo e comprando cada LP do Kid Abelha. E parece que, em breve, terei mais um na coleção. Difícil mesmo é eleger a minha música predileta deles. Tem muita coisa... E qual é a de vocês?



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E hoje é dia de homenagear Keith Moon (23/08/46), para muitos, o maior baterista de todos os tempos. Insubstituível no The Who, Moon ficou famoso também pelas suas bebedeiras homéricas. Mas não tem a mínima graça ver um DVD mais recente do The Who. Keith Moon era engraçado, carismático e tocava muito. Para mim, junto com o baixista John Entwistle, ele formou a melhor cozinha da história do rock. Pena que os dois já se foram (e por motivos bem parecidos, diga-se). Mas se Pete Townshend e Roger Daltrey aparecerem aqui pelo Brasil, pode ter certeza que estarei na primeira fila.



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"O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda."
(Nelson Rodrigues - 23/08/12 / 21/12/80)

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Nossa, muito bom começar o dia assim com essa cena clássica do Gene Kelly em "Singing in the rain", não? E o fim de semana, hein? Como foi? No sábado, fui ver esse novo show do Lulu Santos, "Acústico MTV 2", aqui no Vivo Rio. Eu estava curioso para ouvir os novos arranjos que o Lulu preparou para as suas músicas antigas. Para quem cresceu nos anos 80, show do Lulu não tem erro, é sempre muito bom e tal. Mas acho que as suas apresentações estavam ficando muito iguais. Ele colocava uma ou duas músicas novas aqui e ali, e o resto se repetia sempre. Daí a minha curiosidade com esse novo trabalho do Lulu. E gostei muito. Ouvi canções que não rolavam havia séculos em seus shows, como "Dinossauros do rock" (quando vi o primeiro show do Lulu, em 1989, ele estava lançando essa música), "Papo cabeça" (a minha predileta do Lulu ever), "Tudo azul" (com um arranjo muito legal, com direito até a zabumba), "Auto-estima" (faixa perdida, que havia sido lançada em single, no ano de 1993, acho), "Brumário" (do clássico "Popsambalanço e outras levadas", de 89), "Vale de lágrimas" (do "Letra e música", de 2005), a inédita (e mediana) "E tudo mais" (que abiu o show), entre algumas outras. Destaco aqui a disco "Baby de Babylon", de seu último álbum, "Singular" (2009), que ganhou um arranjo puxado para o samba, que ficou supimpa. De resto, algumas músicas do "Acústico 1", com arranjos iguais ao álbum lançado dez anos atrás, como a trinca "Toda forma de amor" / "Um certo alguém" / "Último romântico", "Assim caminha a humanidade", "Tudo bem", "A cura", "Aviso aos navegantes", "De repente Califórnia", "Como uma onda", "Tempos modernos" (essa fechou o show, com Lulu tocando guitarra) etc. Mas essas não podiam faltar mesmo...

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(Gene Kelly - 23/08/12 / 02/02/96)

17 de ago. de 2010

Drummond, Donato, Candeia, Elba, Ed Motta, Ira Gershwin, Sean Penn, Piquet, Jeff Beck, Katy Perry, Jamiroquai, Waters+Gilmour, Big Four, Stereolab

Você usaria o desodorante dos Sex Pistols??



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Mesmo em hiato, o Stereolab anunciou um novo álbum para o dia 16 de novembro. "Not music" (capa acima) foi gravado em 2008 e traz 13 faixas. Enquanto isso, Laetitia Sadier disse que o seu álbum solo, "The trip", chegará às lojas em 21 de setembro. As faixas de "Not music" são as seguintes: "Everybody's weird except me", "Supha Jaianto", "So is cardboard clouds", "Equivalences", "Lelekato sugar", "Silver sands", "Two finger symphony", "Delugeoisie", "Laserblast", "Sun demon", "Aelita", "Pop molecules (Molecular Pop 2)" e "Neon beanbag (Atlas Sound Mix).

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Só para dar água na boca, um trechinho de "I want the world to stop", faixa que fará parte do oitavo álbum do Belle And Sebastian, "Write about love", que sairá no dia 11 de outubro.



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"Eu me sinto desleal. É como se estivesse traindo a minha esposa." (Brandon Flowers em entrevista ao The Sun, falando sobre o hiato do The Killers e a sua carreira solo)

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A turnê que reuniu Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax, chamada de "Big Four", sairá em DVD e em blu-ray no dia 11 de outubro. "The Big Four: Live from Sonisphere 2010" deve trazer a apresentação das bandas na Bulgária, que passou em cinemas ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Pelo que pesquisei, haverá duas versões: uma simples, com os melhores momentos, e outras com dois DVDs e cinco CDs, poster e palheta das bandas.

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Aquele showzinho que Roger Waters e David Gilmour fizeram juntos, no mês passado, foi, enfim, disponibilizado. No total, são 27 minutos, e você pode assistir logo aí abaixo. A qualidade de som e imagem é de médio pra cima.

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O Jamiroquai anunciou que vai lançar um álbum de inéditas em novembro. O disco, que vai se chamar "Rock, dust, light, star", será o primeiro da banda desde "Dynamite" (2005). Segundo o site oficial do conjunto, o novo álbum foi gravado ao vivo em estúdio.



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Julian Casablancas, dos Strokes, disse à Rolling Stone, que seria "um sonho" produzir uma canção do Pearl Jam.

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E o novo videoclipe da Katy Perry (para a música "Teenage dream")? Sexy, não?



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Depois do Planeta Terra e do Scissor Sisters, é a vez de Jeff Beck anunciar show no Brasil. E detalhe: tudo na mesma semana! Haja grana, hein? O guitarrista britânico se apresenta no dia 24 de novembro no Vivo Rio (Rio de Janeiro), e, no dia seguinte, na Via Funchal (São Paulo). Os ingressos para as duas apresentações começam a ser vendidos já a partir do dia 25 de agosto. O seu último disco foi o mediano "Emotion & commotion", que traz até a ária "Nessun dorma", da ópera "Turandot", de Puccini. Os preços no Rio variam entre 200 e 400 reais, e em São Paulo, 200 e 300. Estudante paga meia. Ah, eu vi a apresentação do Jeff Beck no Free Jazz de 1998 (acho!), e se essa apresentação for metade do que foi aquela, já vai valer a pena, pode ter certeza.

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Outra figura bem polêmica também sopra velinhas hoje. Nelson Piquet, um dos maiores vencedores da história do automobilismo, está completando 58 anos. Eu também prefiro analisar o Piquet sob o ponto de vista profissional. E acho que os seus três títulos mundiais (mesmo número de Ayrton Senna), em 1981, 83 e 87, são o suficiente para que tenhamos todo o respeito para com Nelson Piquet. O resto, a gente deixa pra lá.



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Agora eu quero falar um pouco de cinema. Sabe quem faz 50 anos hoje? O ator Sean Penn. Bom, não conheço muito meio-termo com Sean Penn. Ou você adora ou odeia. Os fanáticos pela Madonna, por exemplo, o odeiam. Eu já prefiro analisar sobre outro ponto de vista. E acho que Sean Penn fez grandes papéis. Os meus prediletos? Nos filmes "Os últimos passos de um homem", "Além da linha vermelha", "Sobre meninos e lobos", "Milk" e, principalmente, "Uma lição de amor" (o título original em inglês é "I am Sam"), no qual Penn interpreta um deficiente mental que vê a sua filha de sete anos ultrapassá-lo intelectualmente. É um filme bem especial, e que, de quebra, traz em sua excelente trilha sonora, apenas canções dos Beatles interpretadas por gente como Eddie Vedder, Rufus Wainwright, Nick Cave e Ben Harper.



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No dia 17 de agosto de 1983, morreu um dos grandes letristas de todos os tempos. Ira Gershwin (que fazia dupla com o seu irmão George Gershwin) compôs clássicos como "I got rhythm", "Embraceable you", "They can't take that away from me", "The man I love" e "Someone to Watch Over Me". Ele também fez o libreto da ópera "Porgy and Bess". Meio mundo gravou as suas composições. Exemplos? Vamos lá: Louis Armstrong, Frank Sinatra, Janis Joplin, John Coltrane, Billie Holiday, Miles Davis, Herbie Hancock, Judy Garland, Barbra Streisand, Natalie Cole, Nina Simone, Ella Fitzgerald (o seu songbook é fantástico!), Sting, Renato Russo, Caetano Veloso, entre vários outros.



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Hoje também é dia de lembrar outro grande cantor e instrumentista - e que faz aniversário no mesmo dia de João Donato, lembremos. Ed Motta nasceu a 17 de agosto de 1971, e eu me lembro bem quando saiu o seu primeiro disco, com a Conexão Japeri, em 1988. Eu adorava aquela parte de "Manuel", que era cantada com sotaque americanizado: "se eu fosse americano, minha vida não seria assim". Por via das dúvidas, comprei o meu bolachão nas Lojas Americanas mesmo. Eu queria pedir vênia para contar duas historinhas aqui sobre o Ed Motta. A primeira aconteceu acho que em 2005. Eu estava hospedado no mesmo hotel que ele em Amsterdã. Tomava café da manhã todo dia na mesa ao lado da dele. E uma coisa me impressionou: o respeito com o qual ele era tratado. Verdadeiro popstar (ou jazzstar, se preferir). Bacana ver um brasileiro ser tão bem tratado pelos europeus. E a gente que, muitas vezes, trata tão mal os nossos próprios artistas... A segunda história foi na última edição do Tim Festival (2008?). Uma mocinha que limpava o banheiro parou o Ed Motta para dizer que gostava muito das suas músicas. Eu vou dizer que pouca vezes vi um artista ser tão atencioso com um fã. Acho legal contar essas duas histórias aqui. A imprensa também pode falar bem dos artistas, viu Ed? Hehehe...



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E quem nasceu no dia 17 de agosto de 1951 foi a cantora Elba Ramalho. Nossa, acho que desde bem pequeno assisto aos shows da Elba. As suas músicas acabam grudando na cabeça de um moleque que cresce nos anos 80, não sei se por causa das novelas. Afinal, você pode até se esquecer da história de Roque Santeiro, mas não se esquece de que a sua música-tema era "De volta pro aconchego". Elba também foi das poucas artistas que participou das três edições brasileiras do Rock in Rio. Eu me lembro que na terceira edição, em 2001, ela fez um show explosivo com Zé Ramalho. Nunca vi tanta poeira subir na minha vida. O mais engraçado foi que, no dia seguinte, encontro com uma amiga minha na Cidade do Rock, e ela manda: "você dança forró muito bem". "Eu????". "Sim, você apareceu na TV uns dois minutos dançando no show da Elba". Nossa mãe, o que que eu bebi naquele dia??



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Agora é a vez do samba. E agora é a vez de homenagear Candeia, que estaria completando 75 anos. Grande mestre do partido alto, Candeia compôs clássicos como "Pintura sem arte" (abaixo), "Preciso me encontrar", "Anjo moreno", "Eterna paz", "Filosofia do samba", "De qualquer maneira" e "Não tem vencedor". Suas músicas foram regravadas por gente como Martinho da Vila, Ney Matogrosso, Marisa Monte e Paulinho da Viola. Candeia morreu no dia 16 de novembro de 1978.



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No dia em que comemoramos os 27 anos da morte do grande poeta Carlos Drummond de Andrade, devemos nos lembrar também de outro grande da música. João Donato nasceu a 17 de agosto de 1934, e começou a sua carreira, veja só, tocando acordeão. Tem um álbum fantástico dele, que o Charles Gavin lançou em CD deve ter uns sete anos, que se chama "Chá dançante" (1956), creditado a "Donato e seu conjunto". Esse foi o seu primeiro LP, que ainda teve o repertório escolhido por Antonio Carlos Jobim (dizem que o maestro também tocou em algumas canções, apesar de não ter sido creditado no encarte). E olha que é difícil indicar os melhores álbuns do Donato, porque a quantidade é imensa. Mas arrisco alguns: "A bossa muito moderna de Donato e seu trio" (1963), "Muito à vontade" (62), "A bad Donato" (70) e "Quem é quem" (73).



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"João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava
Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos,
Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre,
Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história."
("Quadrilha" - Carlos Drummond de Andrade - 31/10/1902 / 17/08/1987)

5 de jul. de 2008

ÁLBUM: “BOSSA ETERNA” (RAUL DE SOUZA E CONVIDADOS) – UMA AULA DE MÚSICA INSTRUMENTAL

Enquanto João Gilberto não faz os seus esperados shows aqui no Brasil, os fãs de Bossa Nova já ganharam um belo presente pelos 50 anos de um dos movimentos musicais mais importantes da história da Música Popular Brasileira. “Bossa Eterna”, novo trabalho de Raul de Souza, lançado pela Biscoito Fino, é um deleite para o apreciador da boa música instrumental produzida no país.

Para quem não sabe, Raul de Souza (antes conhecido como Raulzinho) é considerado um dos maiores trombonistas do mundo, já tendo gravado com diversos artistas brasileiros e estrangeiros, como João Gilberto, Sarah Vaughan e o grande jazzista norte-americano Lionel Hampton. Raul também chegou a integrar o grupo Bossa Rio, de Sergio Mendes, tendo participado do antológico álbum “Você ainda não ouviu nada”. Em 1965, gravou o seu primeiro trabalho solo, o não menos antológico “À vontade mesmo”, que com alguma procura é possível encontrar à venda. Após, gravou diversos discos nos Estados Unidos, e hoje está radicado em Paris.

Para a gravação de “Bossa Eterna”, ao lado desse músico de invejável currículo, estão o pianista João Donato – que, juntamente com o trombonista, foi responsável pelos arranjos –, o baixista Luiz Alves (que tocou no célebre grupo de música instrumental Som Imaginário) e o baterista Robertinho Silva, que, além de também ter sido baterista do Som Imaginário, integrou a banda de Milton Nascimento por 26 anos e já gravou com músicos importantes como Antonio Carlos Jobim, Wayne Shoter e George Benson.

Mas, voltando a “Bossa Eterna”, o CD tem início com uma composição do próprio Raul de Souza. Além da sincopada faixa, que dá título ao álbum, Raul também compôs “A La Donato” e “Pingo D’Água”, um ‘free jazz’ no melhor estilo de Ornette Coleman, e que se transforma em um tremendo samba-jazz, na acepção mais pura da palavra. Um parêntese: nestas duas faixas, Raul toca o lendário ‘souzabone’, um trombone elétrico de quatro válvulas criado por ele mesmo. Outra curiosidade interessante é o fato de essa ter sido a primeira vez que Raul de Souza e João Donato gravaram juntos.

Além dessa três canções, “Bossa Eterna” traz mais três de João Donato: “Fim De Sonho”, “Malandro” e “Lugar Comum”, esta última com um arranjo puxado para a música latina.

Mas o grande destaque do CD é a faixa “Nuvens”, que além de contar com a gaita de seu compositor, Maurício Einhorn, mostra um Raul de Souza inspiradíssimo, tocando o seu trombone com uma suavidade digna do canto de João Gilberto. Nem parece aquele instrumento imenso que fazia tanto barulho nas bandinhas das festas infantis de outrora...

Fechando o disco, três composições de três monstros sagrados da MPB. “Só Por Amor” (de Baden Powell e Vinicius de Moraes) conta com aquele piano magnífico que só poderia ser de João Donato. Por sua vez, “Balanço Zona Sul” (Tito Madi) ganha uma suavidade impressionante com o trombone de Raul, e “Bonita”, de Tom Jobim, é a chave de ouro de “Bossa Eterna”.

Com esse álbum, é possível a identificação imediata com os versos do jornalista e produtor musical Wagner Merije, “Daqui Para a Eternidade”:

“Todo mundo é Bossa
Tem de todo jeito, pura e misturada
Em todo canto encanta
A Bossa é uma parada
Bossa no sertão e nas Oropa
Bossa Lounge e Bossa japa

Bossa ‘n’ Roll e BossaCucaNova
Não tem quem escapa
A bossa balança o pop e o piano
Conquista os deuses, as minas, os manos”

Que a Biscoito Fino lance outros álbuns nesse estilo!

Abaixo, um vídeo de Raul de Souza declamando a íntegra do poema.

Cotação: ****1/2