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22 de ago. de 2010

Resenhando: Roberta Sá, R.E.M., Mart’nália, Tom Petty, Spandau Ballet

“Quando o canto é reza” – Roberta Sá & Trio Madeira Brasil
Depois de três álbuns de estúdio, Roberta Sá resolveu gravar um álbum temático. E o compositor escolhido foi o baiano Roque Ferreira, já gravado por gente como Maria Bethânia, Beth Carvalho, Martinho da Vila e Zeca Pagodinho. Para acompanhá-la na empreitada, Roberta Sá escalou o competente Trio Madeira Brasil, formado por Zé Paulo Becker, Marcello Gonçalves e Ronaldo do Bandolim. O resultado no álbum “Quando o canto é reza” pode ser analisado sob dois pontos de vista. As canções de Roque Ferreira são caracterizadas pelo samba de roda do Recôncavo Baiano. E com a adesão do excelente trio, tal sonoridade foi para longe. Aí, se isso é bom ou ruim, vai depender do ouvinte. Mas fato é que “Água doce”, por exemplo, ficou camerística demais. Já “Cocada” pode ser um maxixe, um choro, ou qualquer coisa que o valha, menos um samba de roda. Ao contrário de “A mão do amor”, que resistiu ao velho samba baiano. E, cá pra nós, ficou muito mais graciosa. Não que isso seja uma crítica. Se fugiu do estilo tradicional de Roque Ferreira, Roberta Sá inovou. Talvez tenha sido um pouco radical. Mas ao final de “Quando o canto é reza”, podemos ter pelo menos a certeza de que Roberta Sá é uma das grandes vozes do país na atualidade.

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“Fables of the reconstruction” (Edição 2010) – R.E.M.
O R.E.M. dá continuidade ao seu projeto de lançar todos os seus álbuns remasterizados acrescidos de faixas bônus, com “Fables of the reconstruction”, lançado originalmente em 1985. “Fables” pode ser considerado um dos álbuns mais difíceis – e por isso mesmo um dos mais amados – da banda norte-americana. “Driver 8”, “Life and how to live it”, “Maps and legends” e “Auctioneer” são hits (para os indies, que fique claro) que até hoje não foram esquecidos por Michael Stipe e companhia. Tanto que, volta e meia, aparecem em algum show da banda por aí. Além da versão remasterizada de “Fables of the reconstruction” (com o áudio muito melhorado com relação ao primeiro lançamento em CD), o pacote traz um CD inédito com as “Athens demos”, que foram gravadas poucos meses antes de a banda entrar em estúdio para registrar o álbum que ora ganha edição especial. Conforme o guitarrista Peter Buck explica no encarte do CD, a banda vivia uma pressão forte para compor o material de seu terceiro álbum. Apenas “Driver 8” e “Old man Kensey” haviam sido rascunhadas na estrada, e, por isso, um período no estúdio seria o ideal. E realmente foi. De lá, eles saíram com o esqueleto de “Fables of the reconstruction”. E versões cruas e iniciais (com ótima qualidade de áudio) de músicas como “Wendell Gee” e “Feeling gravitys pulls” podem ser ouvidas nessas “Athens demos”, que ainda contam com duas faixas que entraram em trabalhos posteriores da banda (“Hyena” em “Life’s rich pageant”, de 1986, e “Bandwagon” em “Dead letter office”, de 87), além da inédita (e bacana) “Thron those trolls away”. Que venha logo a edição especial de “Life’s rich pageant”.

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“Em África – Ao Vivo” – Mart’nália
Parece que para sobrevier na selv... ops, indústria fonográfica brasileira, você tem que seguir a receita de um álbum ao vivo após um de estúdio. (Não tenho nada contra isso, quem for fã que compre o disco ao vivo.) E Mart’nália é um belo exemplo de artista que segue a tal receita à risca. Assim, depois do ótimo “Madrugada” (2008), chegou a vez do ao vivo “Mart’nália em África”. Trata-se de um pacote que traz um DVD com o show completo mais uma “roda de semba” (com participação de gente como Martinho da Vila e Gilberto Gil), além de um CD com 16 faixas extraídas do DVD. O ruim desse tipo de projeto é que grande parte das faixas do álbum de estúdio lançado anteriormente é repetida. E, mais uma vez, Mart’nália não foge a regra. Ou seja, “Fé”, “Angola”, “Deu ruim”, “Alívio”, entre outras, são repisadas nesse ao vivo, com pouca diferença com relação às gravações originais. O mais legal acaba sendo o que foge um pouco de “Madrugada”, como o medley com canções do seu pai (“Ex-amor” / “Disritmia”), “Brasil pandeiro” (música de Assis Valente imortalizada pelos Novos Baianos) e o clássico samba campeão da Vila Isabel em 1988 (“Kizomba, festa da raça”). Aos que não têm paciência para discos ao vivo, a boa notícia: a tal “roda de semba” (semba é um gênero musical angolano) é muito bacana, assim como o belo documentário dirigido por João Wainer. No final das contas, o show é que vira o bônus.

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“Mojo” – Tom Petty and The Heartbreakers
Para quem gosta de rock e blues da melhor qualidade, Tom Petty é uma espécie de miojo na hora da fome. Ou seja, não tem erro. E “Mojo” (atenção: não é “miojo”), o seu último álbum, que saiu no mês passado lá fora (e nem deve ser lançado aqui no Brasil), é exatamente assim: 65 minutos em 15 faixas com um rock básico que vai agradar a qualquer fã do gênero. “Mojo” é o primeiro álbum de Tom Petty ao lado de sua fiel banda The Heartbreakers, em oito anos. E ele também marca o retorno do baixista Ron Blair, afastado do conjunto desde “Hard promises”, álbum de 1981. Os oito anos de saudade e a certeza de que com Tom Petty não tem erro fizeram com que “Mojo” estreasse logo na segunda posição da parada da Billboard. Gravado basicamente ao vivo em estúdio, o álbum começa com a temperatura lá no alto com “Jefferson Jericho blues”, um bluesão acelerado, no qual as guitarras de Petty, Mike Campbell e Scott Thurston gritam. Outros destaques são “Candy” (que lembra algo do Allman Brothers), “I should have known it” (um rock de arrebentar os tímpanos) e “Lover’s touch”, que pode ser considerada uma baladona, que segue a melhor tradição do blues. O encerramento com “Good enough” é um dos mais sensacionais de toda a discografia de Tom Petty. Climática, a faixa é toda calcada no piano de Benmont Tench, antes de Petty e Campbell mostrarem como é que se toca guitarra. Bom o suficiente. E bota suficiente nisso.

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“The reformation tour” – Spandau Ballet
Quem viveu os anos 80 certamente conhece o Spandau Ballet. Quem está na faixa dos 40 dificilmente não dançou coisas como “Gold” nas discotecas, ou deu algum beijo ao som de “True”. Lá por 1983, o Spandau Ballet disputava, pau a pau, o posto de grande banda do synth pop (com pitadas de new romantic) com o Duran Duran. E, até hoje, Morrissey elege o Spandau Ballet como uma de suas bandas prediletas. Depois de vinte anos separados, os seus integrantes resolveram se unir novamente para gravar o CD “Once more”, com regravações dos velhos sucessos, além de duas inéditas. Quando foi anunciada a turnê, os saudosistas puderam tirar o spray fixador vencido da gaveta do banheiro. Resultado: a “reformation tour” foi um imenso sucesso. E a ST2 lança agora no Brasil o DVD com o show da banda, “The reformation tour 2009”, gravado ao vivo na Arena O2, em Londres. No repertório, hits oitentistas como “Throught the barricades”, “To cut a long story short” e “Chant nº 1”, além das recentes “Once more” e “With the pride”. Só faltou mesmo “No one can hold a candle to you”, que Morrissey gosta de cantar em seus shows. Assim como o ex-Smith, o Spandau Ballet também quis ser do contra. Mas tudo bem. No fim das contas, nem fez muita diferença.

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Em seguida, Mart’nália interpreta “Conto de areia”, em seu novo DVD “Em África – Ao vivo”.

1 de jul. de 2010

Dixon, Alceu, Marisa Monte, Vandross, Bolinha, Kings of Leon, Pearl Jam, Mart'nália, Van Halen, Tired Pony, Black Cards, Decemberists, Air+MGMT, Beck

Eu já tinha avisado aqui no blog que o cantor e compositor Beck ia se juntar a gente como Thurston Moore e Tortoise para mais um Record Club (evento mensal em que Beck escolhe alguns convidados para recriar um álbum de algum outro artista, na íntegra, durante um dia, em estúdio). Pois bem, depois de Velvet Underground, INXS e Leonard Cohen, agora é a vez de Yanni! E o álbum escolhido foi "Live at the Acropolis", de 1993. A primeira faixa, "Santorini", já está disponível no site do cantor, e pode ser ouvida aqui no blog.



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O Smashing Pumpkins está de volta! *__*

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AIR + MGMT = Very nice.



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O site do Sublime, além de confirmar a sua participação no festival SWU, que acontecerá em outubro, em Itu, tasca o nome do Kings of Leon. Será?

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Acho que o Kanye West se matou na capa de seu novo single, "Power"...

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Enquanto grava um novo álbum com o R.E.M., trabalha com o Tired Pony, e ainda arruma tempo para tocar no show do Pearl Jam, o guitarrista Peter Buck dá uma mãozinha aos colegas do Decemberists, compondo algumas canções para o novo álbum da banda. As gravações do sexto trabalho do Decemberists estão acontecendo em Portland, e Buck escreveu três músicas para o disco, que está sendo produzido por Tucker Martine, e deve sair em fevereiro.

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A quem interessar possa, o ex-baixista do Fall Out Boy, Pete Wentz, anunciou que começou uma nova banda, chamada Black Cards. O músico afirmou que os fãs da antiga banda, certamente, não curtirão o som "electro-pop" do Black Cards. "Se você não gostar, vamos entender. Mas se você curtir, nos acompanhe", escreveu Wentz em seu blog. Vai ser engraçado um fã do Fall Out Boy gostar do som do Black Cards. Tem que ser muito fã do Pete Wentz... Ouça abaixo:



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E o videoclipe de "Dead american writers", do Tired Pony, hein? Música boa para um vídeo ruim...



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Olha que essa aqui é quente... A Melodic Rock publicou hoje que um novo álbum do Van Halen pode sair em breve. Um jornalista do site informou que uma fonte próxima à banda disse que o Van Halen está finalizando as gravações de um novo álbum, para ser lançado no primeiro semestre de 2011. A matéria ainda diz que "um single será lançado até o final do ano" e que "a relação entre Eddie Van Halen e Dave Lee Roth permanece complexa como sempre, mas há um desejo definido de terminar um novo álbum." Se tudo der certo, esse será o primeiro álbum do Van Halen com Dave Lee Roth nos vocais desde "1984" (1984), e o primeiro da carreira do baixista Wolfgang Van Halen (filho de Ediie).

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A Biscoito Fino promete para o final desse mês o novo DVD de Mart'nália, "Em África - Ao vivo" (capa acima). Sob a direção de João Wainer, o DVD traz um show gravado na Ilha de Luanda, além de uma "roda de semba" (com Martinho da Vila, as irmãs Analimar e Maíra Freitas, a sobrinha Dandara Black, além de Gilberto Gil, Carlinhos Brown e Mayra Andrade) e um documentário ("que foca na relação Brasil e África, segundo o release). O cantor africano Yuri da Cunha acompanha a cantora em duas músicas. Acompanhando o DVD vem um CD, com 16 das 19 faixas do DVD, incluindo 7 do último disco, "Madrugada". As faixas do DVD são as seguintes: "Cabide", "Alívio", "Para comigo", "Ex-amor"/"Disritmia", "Angola", "Essa mania", "Muxima"/"Muadiakime", "Tava por aí", "Deu ruim", "Ela é minha cara", "Conto de areia", "Batendo a porta", "Mulheres", "A tonda da mironga do kabuletê", "Fé", "Don't worry, be happy", "Brasil pandeiro", "Kizomba - Festa da raça", "Batucada final"/"Só sei que sou Vila Isabel".

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Peter Buck e Scott McCaughey, do R.E.M., participaram do show do Pearl Jam, na noite de ontem, no Wuhlheide Park, em Berlim. A música escolhida foi "Kick out the jams", do MC5. O vídeo, com qualidade bem razoável, está aí embaixo.



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NO TOPO: Na noite de ontem, o Kings of Leon fez o maior show de sua história no Reino Unido. Para um público de 60 mil pessoas no Hyde Park, a banda norte-americana apresentou os seus maiores sucessos (como "Be somebody", "Sex on fire", "Closer" e "The bucket"), além de quatro música novas e um cover de "Where is my mind", do Pixies. E a melhor notícia é que Caleb Followill disse que o quinto álbum da banda já está pronto. O YouTube, lógico, já está infestado de vídeos do show, 99% com péssima qualidade. O melhorzinho que achei está logo abaixo.



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CULTURA INÚTIL DO DIA: Hoje não tem nada sobre a Copa do Mundo aqui no blog, mas vou lembrar de uma coisa que vai deixar muito vascaíno feliz. No dia 01º de julho de 1923 aconteceu o primeiro confronto entre Vasco e Botafogo. E sabe quem ganhou? Infelizmente, o Vasco. Por três a dois.

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"Bó, bó, bó, Bolinha... Está na hora de você entrar na linha..." Quem tem mais de 30 anos de idade conhece muito bem essa música. Ela tocava todos os sábados, durante as tardes, na TV Bandeirantes. Bolinha comandava o programa "Clube do Bolinha", que era uma espécie de "Cassino do Chacrinha", só que mais cafona e com menos prestígio. Mas eu confesso que adorava. E sempre rolava aquela disputa: as boletes eram mais bonitas do que as chacretes? Até hoje ninguém soube responder... Haha... Bolinha (ou Édson Cury) morreu no dia 01º de julho de 1998, aos 61 anos.



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O dia de hoje também marca cinco anos que o cantor Luther Vandross partiu dessa pra melhor. Vou dizer que o estilão meio mela-cueca dele não faz muito o meu estilo. Mas reconheço que o cara tinha uma grande voz. Uma das maiores do soul e do rhythm & blues norte-americano, aliás. Vandross morreu precocemente, aos 54 anos de idade.



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De Alceu Valença para Marisa Monte. A MPB está muito bem representada nesse 01º de julho mesmo... Marisa completa 43 anos, e é impressionante o quanto ela fica mais bonita com o passar dos anos. Tipo vinho. O que eu mais gosto na Marisa Monte é o modo como ela conduz a sua carreira. Sabe exatamente a hora de gravar um álbum (ou dois ao mesmo tempo), sabe a hora de começar a turnê, sabe a hora de sumir, escolhe repertório de show como poucos... Enfim, uma daquelas artistas que a gente pode chamar de completa. E tomara que ela reapareça em breve.



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E uma das figuras mais bacanas da Música Popular Brasileira comemora 64 anos hoje. Alceu Valença nasceu a 01º de julho de 1946, em São Bento do Una, em Pernambuco. Já devo ter assistido a algumas dezenas de apresentações do Alceu, e devo dizer que, junto com Lulu Santos, ele faz o show mais animado no Brasil hoje - excluindo, certamente, as cantoras que fazem música para "adestrar macaco", como diz o Marcelo Nova. Em homenagem ao grande Alceu, vou citar aqui, o meu top 5 de álbuns: "Molhado de suor" (1974), "Vivo!" (76), "Coração bobo" (80), "Estação da luz" (85) e "O grande encontro" (96), esse último ao lado de Geraldo Azevedo, Elba Ramalho e Zé Ramalho.



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Bom, além da música de Renato Russo, o que temos para esse dia 01º de julho, hein? Hum, vamos começar então por um dos nomes mais importantes da história do blues. Willie Dixon nasceu a 1º de julho de 1915, no Mississippi. Não vai ser muito difícil você encontrar aí no google, a importância de Dixon para o rock n' roll. Led Zeppelin, The Doors, Rolling Stones, Beatles, The Who... Todas essas bandas beberam da fonte de Willie Dixon. E, nossa, esse você pode dizer que tocava e cantava com a alma. Dixon morreu no dia 29 de janeiro de 1992. O vídeo abaixo faz a gente ganhar o dia.



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23 de mai. de 2010

Resenhando: Keane, Knebworth, Guns n’ Roses, Martinho da Vila, Hole

“Night train” – Keane
Confesso que quando o Keane lançou “Perfect symmetry”, em 2008, fiquei surpreso. O Keane não era das minhas bandas prediletas. Imitação por imitação, ficava com o Coldplay, que, por sua vez, imita outras bandas que imitam outras, e por aí vai, afinal nada se cria, tudo se copia, mesmo. Nada contra a banda seguir o estilo da moda, mas achei bem interessante a guinada do Keane para algo mais dançante em seu álbum de 2008. E o que é que “Night train”, novo álbum (na verdade, um EP com oito faixas) poderia apresentar de bom? Infelizmente, muito pouco. “Night train” é um passo para trás na carreira do Keane. Esqueça canções bacanas como “Lovers are losing” ou “Spiralling”. Em “Night train”, você vai ouvir uma vinheta sem graça (“House lights”), rap – sim!!! rap!!! – em “Stop for a minute” e “Looking back” (ambas com a participação do canadense K’Naan) e uma balada sem inspiração como “My shadow”. Para não dizer que nada se salva, “Back in time” e “Your love” ainda trazem um eco do bom Keane, assim como “Clear skies”, uma canção pop honesta, mas, nada mais do que isso. Tomara que “Night train” tenha sido apenas um pequeno desvio de rota.

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“Live at Knebworth” – Vários
Eu devia ter uns 11 anos de idade, quando ganhei o LP duplo “Live at Knebworth”, comprado no Carrefour pela minha mãe. Naquele tempo, em que eu nem sonhava em baixar o que quisesse na internet, um disco com sucessos de Dire Straits, Robert Plant, Eric Clapton, Elton John, Paul McCartney, Pink Floyd e Genesis era tudo o que mais queria. Ouvi o disco até gastar. Gastar mesmo. O LP trazia os melhores momentos do festival anual que acontecia em Knebworth. A edição registrada no álbum tinha acontecido em 1990, e foi especial porque juntou a maior parte dos artistas que já havia faturado o prêmio Silver Clef. Esse mesmo show que tinha saído em LP ganhou, mais tarde, edição em VHS e, ainda mais tarde, em DVD. Mas agora chegou às lojas o CD duplo. Lógico que o DVD é mais vantajoso. Mas o CD tem um valor especial para esse carinha que escreve essas mal traçadas. Durante anos e anos, ele ouviu esse disco imaginando como foram esses shows. E talvez eles tenham sido mais legais na cabeça dele do que no DVD. Por isso, ele ainda com o CD.

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“In New York – Live at the Ritz 1988” – Guns n’ Roses
Esse show também tem um valor sentimental para mim. Eu me lembro que, às vésperas do Rock in Rio II (em 1991), quando a MTV brasileira ainda engatinhava, essa apresentação do Guns n’ Roses em Nova York passava umas cinco vezes por dia. Era Axl Rose, Slash & Cia. em sua melhor forma, logo após o lançamento do animalesco “Appetite for destruction”. O DVD mostra uma banda em seu auge, no ano de 1988, com toda a fome de palco do mundo – bem diferente do Sr. Axl de hoje. O repertório é paulada atrás de paulada: “It’s so easy”, “Mr. Brownstone”, “Welcome to the jungle”, “Paradise city” e “Knockin’ on heaven’s door”, que, mais tarde, seria definitivamente gravada pela banda no álbum “Use your illusion II” (1991). Pena que a imagem do DVD não seja lá essas coisas. Tomara que o Guns n’ Roses, um dia, ainda lance esse show de forma oficial. Merece. E é bem melhor do que qualquer um que Axl Rose e sua nova banda fizeram nos últimos 15 anos.

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“Poeta da cidade – Martinho canta Noel” – Martinho da Vila
Martinho da Vila, Rildo Hora, Elifas Andreato, Mart’nália, músicos como Beto Cazes, Cristóvão Bastos, e canções de... Noel Rosa. Tinha como dar errado? Claro que não. “Poeta da Cidade – Martinho canta Noel” já é um dos melhores álbuns da rica discografia de Martinho da Vila. O maior mérito do trabalho foi não ter caído na obviedade de escolher os maiores sucessos de Noel Rosa para o repertório. Lógico que “Último desejo” (com a voz um pouco empostada demais de Maira Freitas), “Fita amarela” (com ótima intervenção de Aline Calixto) e “Três apitos” (com a dispensável participação de Patricia Hora) fazem parte do álbum. Por outro lado, podemos relembrar (ou conhecer) pérolas não muito conhecidas de Noel, como “Seja breve” (talvez a melhor faixa do álbum), “Minha viola” (brejeira com a participação de Mart’nália, que também colocou voz em “Rapaz folgado”) e “Cidade mulher”, faixa perfeita para o encerramento de um álbum quase perfeito.

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“Nobody’s daughter” – Hole
Tem umas bandas que acabam e quase ninguém sente falta. O melhor mesmo seria que elas ficassem enterradas para sempre. Mas algumas insistem. E o Hole é uma delas. Liderada por Courtney Love, viúva de Kurt Cobain, a banda não apresenta absolutamente nada de novo em “Nobody’s daughter”, primeiro álbum do Hole desde 1998. Tivesse Courtney se preocupado mais em compor coisas interessantes nesses 12 anos de hiato, o álbum poderia ser melhor. Mas não. Ocupada em fazer cagadas com a imagem de seu falecido marido, ela continua apresentando canções que mais parecem sobras do último álbum do Hole. Caso tivesse sido lançado dez anos atrás, “Nobody’s daughter” poderia ainda ter alguma relevância, mas, hoje, quase nada se salva nesse álbum, como a faixa-título e “For once in my life”, que ainda trazem algo –ainda que pouco – de novo. E o pior é que, no fundo, no fundo, a própria Courtney Love desse saber disso.

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Em seguida, o videoclipe de “Clear skies”, faixa do álbum “Night train”, do Keane.

2 de set. de 2008

CD: “MADRUGADA” (MART’NÁLIA) – MART’NÁLIA EM TODA A SUA PLENITUDE (ATÉ AGORA...)

Embora pouca gente saiba, Mart’nália não vive somente do nome de seu pai, o grande sambista Matinho da Vila. Desde 1987, quando gravou o seu primeiro álbum, a cantora vem buscando o seu lugar ao sol. Após uma passagem pelo Batacotô, no início dos anos 90, a sambista voltou a gravar discos solo, tendo alcançado relativo sucesso quando estava no selo Natasha, por onde gravou “Pé Do Meu Samba” (2002) e “Mart’nália Ao Vivo” (2004). Mas foi no ano seguinte, já no selo Quitanda, de Maria Bethânia, que a cantora lançou o belíssimo “Menino Do Rio”. Logo após, em 2006, foi a vez do ótimo “Mart’nália Ao Vivo Em Berlim”, também em DVD.

Mas é nesse novo CD, “Madrugada”, que Mart’nália mostra porque é uma das melhores cantoras do Brasil atualmente. Sem o resquício dos sambas baianos que marcaram “Menino Do Rio”, no qual foi acompanhada por músicos da banda de Maria Bethânia (e ainda teve a produção do maestro da baiana, Jaime Alem), “Madrugada” apresenta Mart’nália em um ambiente do qual se mostra muito mais íntima.

A cantora dedicou o novo trabalho “às boas noites que passa bem acordada”. Mas “Madrugada” pode ser considerado, com algumas exceções, um disco solar. Com muito mais peso do que seus trabalhos anteriores, “Madrugada” é um típico disco de samba carioca, sem aquela cara industrializada que permeia o trabalho de alguns grandes sambistas que tanto sucesso fazem atualmente.

Mas logo a primeira faixa do disco, “Alívio”, não mostra realmente o valor de “Madrugada”. A parceria do produtor e baixista Arthur Maia com Djavan não funciona muito bem na voz de Mart’nália. O soul abolerado, verdade seja dita, é um início bem morno. Sorte que “Tava Por Aí”, um samba-pop bacaníssimo – um dos melhores do disco –, composto pela própria com o fiel parceiro Mombaça, coloca “Madrugada” nos eixos. Com o peso do surdo e uma grande letra (“Sou Zé Malandro, sou de rua / E bem que eu gosto / São Jorge é quem manda na lua / Me disse que eu tudo posso”), a segunda faixa mostra realmente o que o ouvinte pode esperar de “Madrugada”.

As seis canções seguintes seguem o estilo de “Tava Por Aí”. “Deu Ruim”, um samba mais lento, com destaque para os tamborins de André Siqueira, desce bem. Mas não tão bem quanto “Ela é a Minha Cara”, música de Celso Fonseca, produzida pelo próprio. Misturando uma guitarra jazzy (também de Fonseca) com surdos e tamborins e uma bela letra de Ronaldo Bastos (“Causa reboliço aonde passa / Desce mais redondo que a cachaça / Ela é a fulana de tal”), a música é outro bom momento do disco. Celso Fonseca também produziu duas regravações, digamos, um pouco perigosas: “Batendo a Porta”, clássico de 1974, do segundo disco de João Nogueira, e “Sai Dessa”, gravada por ninguém menos do que Elis Regina em seu último disco. Difícil dizer em qual Mart’nália se sai melhor. Celso Fonseca transformou “Sai Dessa” em um elegante samba jazzificado, que ficou bem parecido, mas, ao mesmo tempo, bem diferente da quase insuperável gravação de Elis Regina. E em “Batendo a Porta”, a ótima guitarra (jazzística, mas uma vez) de Celso Fonseca, quase ofusca a excelente interpretação de Mart’nália.

Já “Não Encontro Quem Me Queira” e “Fé”, ambas produzidas por Arthur Maia são mais populares (e isso não é uma crítica) do que as trabalhadas por Celso Fonseca. A primeira, composição de Thiago Mocotó, segue o estilo despojado dos Demônios da Garoa, enquanto que a segunda, com a letra ‘esperançosa’ de Jorge Agrião e Evandro Lima (“A gente tem que levar fé / Acreditar não sucumbir / Na vida sabe como é / Cuidado pra não se iludir”), poderia muito bem fazer parte do repertório de Zeca Pagodinho.

As quatro faixas seguintes poderiam realmente representar a “Madrugada” do álbum. São canções mais introspectivas e com arranjos mais discretos. Em “Angola”, na qual, como o próprio título já sugere, Mart’nália se aproxima dos ritmos africanos (cheia de marimbas, congas e timbales), se afastando do samba, o que faz dela apenas uma canção mediana. A regravação de “Alegre Menina”, música que alçou Djavan ao estrelato, é o oposto de “Sai Dessa”. Se na canção gravada por Elis, a filha de Martinho se saiu muito bem, na composição de Dori Caymmi e Jorge Amado, o resultado não foi dos melhores. Apesar de Mart’nália cantar com um estilo bem próprio, a sua gravação não supera a (esta sim, pelo visto, insuperável) de Djavan. E a participação de Luiza Possi na faixa é dispensável.

Mas quando regrava a obra de seu pai. Mart’nália se sai bem melhor. “Tom Maior”, clássico do primeiro disco de Martinho da Vila, ganha mais uma interpretação – Marina Lima já a havia registrado em seu “Acústico MTV” – primorosa. Na faixa seguinte, “Sem Dizer Adeus”, a cantora ainda consegue se superar. Das canções que não fazem parte do universo do samba, esta, de Paulinho Moska, é, sem dúvidas, a melhor. A voz de Mart’nália juntamente com o violoncelo de Lui Coimbra e o clarinete de Ademir Jr., tudo envolto por uma belíssima letra (“Se eu não sei o nome do que sinto / Não tem nome que domine o meu querer / Não vou voltar atrás / O chão sumiu a cada passo que eu dei”) fazem desta canção outro grande destaque de “Madrugada”.

E como a “Madrugada” só termina quando o dia amanhece, Mart’nália encerra o disco com uma sacada genial do produtor Arthur Maia. A clássica canção norte-americana “Don’t Worry, Be Happy!” em ritmo de samba, cheia de cuíca, pandeiro, tamborim e surdo já pode ser considerada uma das gravações do ano. A adaptação da letra também dá um charme todo especial à faixa (“Don’t worry pra não se estressar / Be Happy para se alegrar... / Relax e tudo fica diferente!”). E já no início da canção, a sambista manda o seu recado: “Tô indo lá pros States, diretamente de Vila Isabel”. Tem tudo para virar um grande hit lá fora...

O release do disco diz o seguinte: “Madrugada não é um ‘prosseguimento’ ou uma ‘evolução’ de ‘Menino do Rio’, (...) é seu oposto, seu complemento, o outro lado daquela mesma moeda. A própria cantora tem isso claro na cabeça. ‘Menino do Rio deu super certo e eu sentia no ar aquela expectativa: ‘e agora, o que a Mart’nália vai fazer?, como vai superar esse disco?’, ela conta. ‘Decidi que não queria superar nada, mas seguir o caminho contrário. E fui.’”

Sinto informar, mas, querendo Mart’nália ou não, acabou superando. E muito!

Cotação: ****