Jornalista, autor do livro "Rock in Rio - A história do maior festival de música do mundo" (Editora Globo), ex-trainee e colaborador da Folha de S.Paulo, ex-colunista e redator da International Magazine, e colaborador do site SRZD.
BEACH BOYS + GERSHWIN: No ano passado, Brian Wilson mencionou a possibilidade de trabalhar em cima de canções que o compositor George Gershwin deixou inacabadas. Pois bem, o álbum já está pronto. "Reimagines Gershwin" chegará às lojas no dia 17 de agosto. Além das músicas inacabadas ( "The like in I love you" e "Nothing but love"), o álbum traz clássicos do cancioneiro de Gershwin, como "Summertime" e "They can't take that away from me". Uma versão a capella de "Rhapsody in blue" fecha o álbum. As faixas de "Reimagines Gershwin" são as seguintes: "Rhapsody in blue", "The like in I love you" (abaixo), "Summertime", "I loves you Porgy", "I got plenty of nothin'", "It ain't necessarily so", "'S wonderful", "They can't take that away from me", "Our love is here to stay", "I've got a crush on you", "I've got rhythm", "Someone to watch over me", "Nothing but love" e "Rhapsody in blue (reprise)".
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O projeto "Mount Wittenberg Orca", que junta Björk e o Dirty Projectors, teve a sua primeira música divulgada hoje também. A faixa "All we are" pode ser ouvida logo abaixo. E, bem, eu achei bem estranha. No estilo Björk mesmo...
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Quem também lançou oficialmente a sua nova música hoje foi Phil Selway, baterista do Radiohead. "By some miracle" é a primeira faixa de "Familial", primeiro álbum solo de Selway, que chega às lojas no dia 30 de agosto. A sonoridade pode ser bem diferente da do Raiohead, mas é interessante do mesmo jeito.
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E que tal a música nova do Klaxons, "Echoes", primeiro single de "Surfing the void", que será lançado no dia 23 de agosto, hein? Eu gostei mais do que "Flashover". O Klaxons está mudado mesmo...
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O Cansei de Ser Sexy está prestes a lançar novo álbum. Pelo menos foi o que disse Adriano Cintra ao CSS Fan News. Segundo o músico, o disco terá 11 faixas, e ficará pronto em setembro. A banda está trabalhando nesse novo disco desde o final do ano passado. Será que o hype continuará? Ou já deu?
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O guitarrista Johnny Marr confirmou que participará da trilha sonora do novo filme de Christopher Nolan (o mesmo diretor de "Batman begins"), "Inception". O integrante do Cribs (e ex-The Smiths) tocará guitarra em faixas compostas por Hans Zimmer, responsável por trilhas de filmes como "Gladiador" e "O código Da Vinci". "Inception", que terá o ator Leonardo DiCaprio em seu elenco, estreará, lá fora, no dia 16 de julho. A trilha sonora será lançada em CD, três dias antes.
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O Rush iniciou a sua turnê "Time Machine" ontem em Albuquerque, nos Estados Unidos. A ideia é apresentar, na íntegra, o álbum de maior sucesso comercial do trio canadense, "Moving pictures" (1981). Mas, além de todas as faixas do álbum (como "Tom Sawyer" e "Limelight"), a banda mostrou clássicos como "The spirit of radio" (a primeira da apresentação), "Free Will", "Closer to the heart" e "Working man" (a última). Canções novas, e que farão parte do próximo disco do Rush ("BU2B", "Caravan") também fizeram parte do roteiro: "The spirit of radio", "Time stand still", "Presto", "Stick it out", "Workin' them angels", "Leave that thing alone", "Faithless", "BU2B", Free Will", "Marathon", "Subdivisions", "Tom Sawyer", "Red barchetta", "YYZ", "Limelight", "Camera eye", "Witch hunt", "Vital signs", "Caravan", "Love 4 sale", "Closer to the heart", "2112 Overture", "Temples", "Far cry", "La Villa Strangiato" e "Working man". Abaixo, o vídeo com a abertura do segundo set, e "Tom Sawyer".
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Finalmente alguém com bom senso... Os organizadores do festival T in the Park, que acontece na Escócia, proibiram que as pessoas entrem com vuvuzelas. Se aquele barulho de enxame de abelhas assassinas já incomoda no jogo de futebol pela televisão, imagina em um show de música? O festival acontecerá entre os dias 09 e 11 de julho. Muse e Eminem são algumas das atrações.
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Como ainda não lançou nada inédito nesse ano, Bruce Springsteen promete um presente de Natal para os seu fãs. Trata-se da edição comemorativa dos 30 anos (na verdade, 32 agora) do clássico "Darkness on the edge of town". Prometida para o ano passado, a edição atrasou porque Springsteen estava procurando coisas inéditas gravadas no período, segundo o guitarrista da E Street Band, Steven Van Zandt. "Encontramos mais dez outtakes além dos que estão no box 'Tracks'", disse o guitarrista a Rolling Stone. Ele ainda afirmou que Springsteen e a banda vão fazer alguns overdubs em estúdio. Fico na torcida para que o tal box ainda venha com o registro de algum show da época de lançamento do álbum, assim como aconteceu na fantástica caixa comemorativa do "Born to run", em 2005.
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Quem já leu algumas poucas linhas sobre a história do Led Zeppelin sabe muito bem que Jimmy Page gostava de, hum..., como dizer?, copiar algumas coisinhas de seus colegas. Mas essas mesmas coisinhas que Page copiou (e não fizeram sucesso com os artistas, digamos, originais), acabaram estourando com o Led Zeppelin, o que nos leva à conclusão de que até para plagiar tem que ter talento. A última novidade é que o cantor folk Jake Holmes está processando Page por suposto plágio na música "Dazed & confused". Holmes gravou a música, com o mesmo nome, em 1967, enquanto o Led a registrou dois anos depois. Em 67, Holmes abriu uma apresentação do Yardbirds (banda de Page à época). Em 68, os Yardbirds começaram a tocar "I'm confused" nos shows, muito parecida com a música de Holmes. Só não se sabe o motivo pelo qual Holmes demorou 43 anos para processar Page. Mesmo que tenha ganho de causa, de acordo com a legislação norte-americana, ele só receberá royalties pelos com relação a "Dazed & confused" pelos últimos três anos. Ah, minha opinião: a causa está ganha! Veja abaixo.
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Se o Portishead demorou 11 anos para gravar o seu terceiro álbum, certamente o mesmo não acontecerá com o quarto. Geoff Barrow disse ao Guardian que o próximo álbum da banda chegará às lojas em breve. O processo de composição das canções, segundo o músico, acontecerá entre julho e agosto. Quando do lançamento de "Third" (2008), o Portishead disse que o próximo álbum seria lançado por um selo independente. Mas parece que agora a banda mudou de ideia. Segundo o jornal britânico, o novo trabalho deverá ser lançado pela gravadora Universal.
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E para vocês não falarem que eu não disse nada de Copa do Mundo hoje, vou lembrar que no dia 30 de junho de 2002, o Brasil foi campeão mundial pela última vez, naquele dois a zero em cima da seleção alemã, em Yokohama. Sob o comando de Luiz Felipe Scolari (na época da Copa, não aguentava mais as pessoas me chamarem de Scolari ou de Felipão), a seleção venceu todas as sete partidas que disputou na Copa. Além de vencer, jogou bonito. Tanto que muitos consideram essa a melhor seleção brasileira desde 1970 - eu ainda acho a de 1982 melhor do que a de 2002. A escalação da final da Copa foi a seguinte: Marcos, Lúcio, Roque Júnior, Edmílson, Cafu, Gilberto Silva, Kleberson, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Rivaldo e Ronaldo, que marcou os dois gols.
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O segundo grande esportista que faz aniversário hoje é Michael Phelps. O nadador norte-americano, que nasceu em 1985, levou oito medalahas de ouro nas Olimpíadas de Pequim, em 2008. Só isso já seria o suficiente para ser considerado um dos maiores atletas de todos os tempos. Mas some-se a isso a quebra de 37 recordes mundiais, as suas outras seis medalahas de ouro (e duas de bronze) nas Olimpíadas de Atenas (2004) e as 22 medalhas de ouro em campeonatos mundiais de natação. Torço muito para que César Cielo alcance essas marcas, mas que vai ser difícil, ah, isso vai.
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Hoje dois grandes esportistas fazem aniversário. O primeiro é Mike Tyson, que nasceu no dia 30 de junho de 1966. Um dos grandes lutadores de boxe de todos os tempos, Tyson lutou 58 vezes, e ganhou 50, sendo 44 por nocaute. Eu me lembro de um dia, devia ter uns sete anos de idade, que ia ter uma luta do Tyson na madrugada de sábado para domingo (na época do Tyson, uma luta de boxe era algo que pouca gente perdia, me acredite). Meu irmão tinha guardado um chocolate para comer na hora da luta. Quando começou, ele se levantou e foi apanhar o chocolate no quarto dele. Tadinho, quando voltou, tipo 50 segundos depois, Tyson já tinha nocauteado o seu adversário, e a luta, terminado. Tem coisas que a gente não faz em uma luta do Tyson...
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Ah, agora eu vou contar uma das histórias mais bizarras que já presenciei na minha vida. Eu era muito fã do Tom Hanks (ainda sou, mas hoje bem menos), a ponto de assistir as estreias de seus filmes no primeiro horário do primeiro dia. Isso aconteceu com "Apollo 13". O filme fica uns 90 minutos meio em marcha lenta, até que nos últimos 20 minutos, você não consegue nem respirar de tanta ansiedade. Será que aquela nave vai conseguir voltar ao planeta Terra? No fundo, a gente sabe que vai, mas sempre rola aquele nervoso no filme. Pois bem, quando fui assistir "Apollo 13", devia ter uma meia dúzia de gatos pingados no cinema. Quando o filme estava pegando fogo no final, uma criança com os seus cinco anos, na mesma fileira que eu, fala para a mãe: "Quero mijar". A mãe responde: "Ah, agora não. Faz aí se você quiser". Trinta segundos depois, quando vejo, meu sapato está em cima de um rio de xixi, que escorria exatamente na minha direção. A mãe ainda completou: "Nossa, você fez mesmo!". Bom, essa história é só para lembrar que hoje faz 15 anos da estreia de "Apollo 13".
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Quem foi criança na década de 80 não se esquece do "Cassino do Chacrinha". Ainda mais quem gostava de música. Em tempos sem internet, o programa do Chacrinha era uma boa pedida para a gente ficar um pouco por dentro do que acontecia na música brasileira. Tanto que ele foi, de certa forma, muito responsável pelo estouro do rock brasileiro na década de 80, seja com apresentações no seu programa ou na controvertida "Caravana do Chacrinha". Mas, enfim, hoje eu lembro aqui do Velho Guerreiro José Abelardo Barbosa de Medeiros, porque há 22 anos ele partia lá para o andar de cima. Eu me lembro bem do dia em que ele morreu. Eu senti um vazio muito grande. E esse vazio ficou ainda maior quando não tinha mais nada de interessante na televisão nas tardes de sábado. E hoje então, as coisas estão bem piores nas tardes de sábado...
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Alô, fãs do Queen, esse disco logo aí acima faz 30 anos hoje. "The game" chegou às lojas no dia 30 de junho de 1980, e contém alguns dos maiores clássicos da banda inglesa, como "Another one bites the dust" e "Crazy little thing called love". Duas das grandes baladas do Queen também estão nesse álbum: "Play the game" e "Save me". Muitos fãs do Queen dizem que "The game" foi o último grande álbum da banda. Discordo. "The works" (1984) e "A kind of magic" (1986), apesar de serem essencialmente pop, trazem boas músicas como "I want to break free" e "Who wants to live forever". E isso sem contar com o canto do cisne "Innuendo" (1991), uma verdadeira obra-prima. "The game" já está rolando aqui a todo volume. E acho que depois vou partir para o "Innuendo".
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Ontem, falei aqui dos 45 anos do Dado Villa-Lobos, ex-guitarrista da Legião Urbana. E, hoje, é dia de outro grande guitarrista do Rock Brasil soprar velinhas. Cinquenta velinhas, na verdade. Tony Bellotto nasceu no dia 30 de junho de 1960, em São Paulo, e é guitarrista dos Titãs desde a sua fundação, no início dos anos 80. Além de bom guitarrista, Bellotto é escritor, e já lançou três romances: "Bellini e a esfinge" (1995), "Bellini e o demônio" (1997) e "Bellini e os espíritos" (2005). Ah, e eu também posso garantir que ele é muito gente boa. Valeu, Bellotto!
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Ih, pessoal! Boa tarde. Nossa, hoje acabei perdendo a hora mesmo. E ainda tive uns problemas para resolver... Acho que foi uma espécie de ressaca porque hoje não tem jogo da Copa. É bom mesmo que tenha esse intervalo, porque acho que a coisa vai pegar fogo a partir de sexta-feira. E prefiro também não fazer apostas. Mas, bom, vamos ao que interessa. E, olha que curioso: hoje, dia 30 de junho, é o Dia do Caminhoneiro. Tal profissão, há muito, deixou de ser "romântica". Hoje, os caminhoneiros estão organizados em fortes sindicatos, e também não podem dar tanto mole por conta do aumento da violência e das estradas cada dia piores. Mas eu acho que deve ser algo fascinante viajar Brasil afora com um caminhão, por dias e dias. Então, vai aqui a minha homenagem a todos os caminhoneiros:
A prestigiosa revista britânica Uncut anunciou hoje os 25 álbuns que concorrerão ao prêmio de melhor do ano. Esta será a primeira edição do Uncut Music Award. Todos os indicados foram lançados entre os dias 01º de setembro de 2007 e 31 de agosto de 2008. Dez pessoas ligadas à indústria da música vão decidir qual será o disco vencedor.
Entre os álbuns indicados, estão pesos-pesados como “The Seldom Seen Kid”, do Elbow – e que já faturou o Mercury Prize no início do mês –, “Third”, do Portishead, e “22 Dreams”, de Paul Weller.
Abaixo, segue a relação com os nomes de todos os álbuns (e respectivos artistas) indicados: Kevin Ayers – “The Unfairground” James Blackshaw – “Litany Of Echoes” Bon Iver – “For Emma, Forever Ago” Isobel Campbell & Mark Lanegan – “Sunday At Devil Dirt” Nick Cave & The Bad Seeds – “Dig, Lazarus, Dig!!!” Drive-By Truckers – “Brighter Than Creation’s Dark” Elbow – “The Seldom-Seen Kid” The Felice Brothers – “The Felice Brothers” Fleet Foxes – “Fleet Foxes” Pj Harvey – “White Chalk” The Hold Steady – “Stay Positive” Howlin Rain – “Magnificent Fiend” Joan As Police Woman – “To Survive” Stephen Malkmus & The Jicks – “Real Emotional Trash” Robert Plant & Alison Krauss – “Raising Sand” Portishead – “Third” The Raconteurs – “Consolers Of The Lonely” Radiohead – “In Rainbows” Bruce Springsteen – “Magic” Rachel Unthank & The Winterset- “The Bairns” Vampire Weekend – “Vampire Weekend” Paul Weller – “22 Dreams” White Denim – “Workout Holiday” Wild Beasts – “Limbo, Panto” Robert Wyatt – “Comicopera”
Quem ouviu o primeiro single de “Third” deve ter pensado que a gravadora do Portishead enlouqueceu. Com uma melodia extremamente anti-comercial (isso não é uma crítica) e repetitiva (isso não é um elogio), “Machine Gun”, se estivesse presente em um álbum de qualquer outra banda, jamais se transformaria em single. Mas com o Portishead, é outra história. Em sua essência, “Third” é como “Machine Gun”: difícil, desorientador, experimental, claustrofóbico, sombrio, cru, torturante e, acima de tudo, intrigante. Ou seja, se você espera por singles fáceis, melhor nem colocar “Third” para rodar.
A abertura em português (“Esteja alerta para a regra dos (sic) três. O que você dá, retornará para você. Essa lição você tem que aprender. Você só ganha o que você merece”) dá a impressão de ter sido retirada de algum programa de televisão – provavelmente daqueles religiosos que são transmitidos madrugada adentro. E essa é exatamente a sensação que “Third” passa. Cada faixa é uma faixa, assim como cada canal de televisão é um canal de televisão.
A conclusão parece óbvia e burra, mas não é. Assim como “Third” está longe de ser óbvio e burro. Isto porque, apesar de seus fãs considerarem o Portishead uma banda de trip-hop, as canções desse novo disco são tão diferentes entre si, que fica impossível classificar o que o Portishead faz hoje, depois de 11 anos sem lançar um álbum de estúdio.
A banda de Bristol fundada em 1991, e formada por Geoff Barrow (samples), Beth Gibbons (vocais) e Adrian Utley (guitarra), fez de seu terceiro disco de estúdio algo bem diferente de “Dummy”, o primeiro, lançado em 1994 e que foi puxado pelo single “Numb”. Do segundo álbum, que saiu em 1997, e que leva o mesmo nome da banda, também está bem distante.
Na verdade, “Third” representa uma viagem sem fim do Portishead, tudo bem diferente dos discos anteriores. Pelo jeito, a mentalidade dos integrantes do grupo mudou bastante nesse 11 anos... E o resultado é o trabalho menos acessível de sua discografia. Demanda uma atenção extrema do ouvinte, e o fato de ter chegado a segunda posição da parada de discos britânica chega a ser, de certa maneira, surpreendente.
Em entrevista ao site Pitchfork, em abril passado, Geoff Barrow disse: “Nós realmente queríamos soar como nós mesmos, mas sem soar como nós mesmos. E isso está ficando cada vez mais difícil”. Difícil compreender a mensagem, não? Então, prepare-se, porque em “Third”, as coisas ficam muito mais sombrias.
A faixa de abertura já mostra o porquê. “Silence” começa com um ‘loop’ de bateria repetitivo, até que guitarras distorcidas aparecem para deixar o negócio ainda mais complicado. E a sua neurótica letra (“Did you know when you lost? / Did you know when I wanted? / Did you know what I lost? / Did you know what I wanted?”) deixa o ouvinte ainda mais desorientado. Realmente é difícil se acostumar com esse novo trabalho da banda inglesa. “Hunter”, a faixa seguinte não fica longe da estranheza inicial, com as suas referências acústicas e os vocais flutuantes e hipnotizadores de Beth Gibbons, no melhor ‘estilo década de 50’.
“Nylon Smile”, uma espécie de ‘folk-árabe’, tem mais uma letra digna dos divãs de psicanálise: “I struggle with myself / Hoping I might change a little / Hoping that I might be / Someone I want to be”. Como se não bastasse, “Deep Water”, uma espécie de ode ao suicídio, com um minuto e meio de duração parece uma gravação dos anos 20, com a sua melodia calcada em um ukulelê.
“We Carry On” já tem mais a cara do Portishead, com a sua batida industrial e a forte levada no baixo. Talvez seja o melhor momento de “Third”. Já “Small”, com a sua melodia angelical, é uma canção que cresce ao longo de seus (longos) sete minutos de duração. A melancólica “Threads” tem um diferencial por conter os melhores vocais de Beth no disco inteiro. “The Rip”, com o seu andamento rítmico indecifrável e as suas guitarras cheias de eco, é uma espécie de síntese de “Third”.
Até agora fica difícil dizer se 11 anos longe dos estúdios fizeram bem ao trio inglês. Com a palavra, os fãs...
A banda Portishead revelou que já pode começar a gravação do próximo disco no final desse ano. Segundo os integrantes da banda essa seria uma das razões para que a banda fizesse uma turnê de divulgação relativamente curta do álbum “Third”, lançado em abril passado.
Em entrevista à BBC 6Music, o guitarrista Adrian Utley confirmou que os fãs, dessa vez, não precisarão esperar tanto tempo para um novo disco do Portishead. O segundo álbum da banda foi lançado em 1997, e o terceiro somente nesse ano.
“Estamos pensando em um novo disco. Isso é uma das razões pelas quais não vamos fazer uma grande turnê. Em 1998, saímos dando shows por mais de um ano e isso nos quebrou. Ao final, nenhum de nós queria ver os outros por um bom tempo. Nós estivemos juntos essa noite discutindo o novo material e planejando algumas coisas. E, decididamente, vamos terminar a turnê do ‘Third’ nesse ano porque temos outras coisas a fazer”, afirmou Utley.