E em 1994, o nosso eterno Antonio Carlos Jobim ia tocar piano para os anjos lá em cima. Saudades do "Maestro Soberano"...
Já acendi duas velas hoje aqui em casa! Amém.
“Raw power” – Iggy and The Stooges
“13 parcerias com Cazuza” – George Israel
“Que de-lindo” – Caetano Veloso
“The complete Reprise recordings” – Frank Sinatra & Tom Jobim
“Zé Ramalho canta Jackson do Pandeiro” – Zé Ramalho
Essa semana foi boa em leitura. Devorei "O anjo pornográfico", biografia de Nelson Rodrigues, escrita por Ruy Castro. Bom, não vou fala nada sobre o livro, mas apenas que foi a melhor biografia que já li na minha vida (junto com a dos Beatles, de Jonathan Gould). Outro livro que li (não todo, porque é uma obra mais de consulta) foi "O mundo das Copas", de Lycio Vellozo Ribas. Recomendo mesmo para todos os fanáticos por futebol, especialmente Copas do Mundo. O autor fala de cada um dos jogos e dá detalhes e curiosidades interessantes. Lycio ficou seis anos trabalhando no livro. E valeu a pena. Sem exagero, podemos dizer que é uma verdadeira bíblia das Copas, melhor ainda do que o famoso livro "Enciclopédia de todas as Copas do Mundo", de Orlando Duarte. O único pecado do livro é a pequena quantidade de fotos. Embora muito ilustrado (com desenhos), a ausência de fotos é uma falha considerável, já que as Copas têm aqueles momentos históricos que somente uma foto é capaz de traduzir.
Um dos livros mais interessantes sobre música que li nos últimos meses foi "História de canções", de autoria de Wagner Homem, que contava a história das músicas de Chico Buarque. Agora é a vez de "Histórias das minhas canções", escrito pelo compositor Paulo César Pinheiro, que tem no currículo mais de duas mil músicas. O autor selecionou 65 de suas canções (como "Tô voltando", "Lapinha" e "Vou deitar e rolar") para o livro, que será lançado nos próximos dias pela editora Leya, pelo preço sugerido de R$ 44,90.
E no dia 08 de maio de 1970, os Beatles colocavam nas lojas o seu derradeiro álbum. À época, a banda já não existia mais. E "Let it be" está bem longe de ser o melhor disco do quarteto de Liverpool, mas... bem, é um disco dos Beatles, né? Então, hoje todo mundo pode tratar de colocar "Let it be" na vitrola, no cd-player de casa ou do carro. Quarenta é só uma vez na vida.
Oi Pessoal. Nossa, hoje estou começando tarde. Impressionante como a gente perde um dia inteiro só para trocar de celular. Enquanto você é atendido, o cara se levanta seis vezes e demora uns dez minutos em cada uma. Não sei o que tanto faz... Bom, mudando de assunto... Sabe de quê é dia hoje? Além do aniversário de Gustave Flaubert - o autor de "Madame Bovary" estaria completando 130 anos hoje - comemoramos o dia do artista plástico. E a imagem acima é obra de Leonílson, o principal nome da "Geração 80" que revolucionou as artes plásticas no Brasil.
1987. Tom Jobim era vivo, Dorival Caymmi era vivo e João Gilberto fazia shows com (um pouco mais de) freqüência. E nessa época, a Rede Globo também costumava passar alguns ótimos programas sobre música, sem precisar apelar à emoção fácil do “Por Toda Minha Vida” de hoje. Sem querer cair no saudosismo, mas, àquele tempo, a gente ainda podia ver um programa com imagens inéditas de Cazuza, Tim Maia, Gal Costa e Tom Jobim no horário nobre!! Hoje, qualquer coisa ligada à música dificilmente é transmitida antes da meia-noite...
Pois no dia 29 de maio de 1987, os telespectadores da Rede Globo puderam assistir a um programa histórico. “Antonio Brasileiro” comemorou os 60 anos do nosso Maestro maior, Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. E bem ao gosto de Tom, as locações da gravação foram o Rio de Janeiro e Nova York, as suas duas cidades prediletas.
Não é possível afirmar se o programa deu mais audiência do que um capítulo da novela “A Favorita” (provavelmente não), mas fato é que “Antonio Brasileiro”, dirigido por Roberto Talma, e com roteiro de Euclides Marinho e Nelson Motta, foi vendido para vários países e premiado internacionalmente. O mais impressionante é o fato que o programa só foi reprisado uma única vez, quando a emissora de Roberto Marinho completou 40 anos. E o melhor de tudo é saber que, a partir de agora, “Antonio Brasileiro” está disponível em DVD, via Som Livre / Biscoito Fino ao alcance de nossas mãos.
O roteiro do especial é muito simples e mostra Antonio Carlos Jobim em toda a sua simplicidade, passeando pelo Museu de História Natural de Nova York, e tocando violão ou até mesmo se exercitando no Central Park. Ele fala para as câmeras como se estivesse conversando com um amigo próximo e cita uma frase clássica de Fernando Sabino: “Nova York é uma cidade para ser vista de maca”. Após tocar “Desafinado” no parque mais famoso do mundo, Jobim fala da ave Jereba, que o leva diretamente para o Brasil, mais especificamente o Rio de Janeiro, com estonteantes imagens do Cristo Redentor com a Lagoa Rodrigo de Freitas ao fundo. É a deixa para Danilo Caymmi cantar, acompanhado por Tom ao piano e a sua Banda Nova, “Samba do Avião”.
Depois desse momento, “Antonio Brasileiro” foca mais na parte musical, ou seja, pouco papo e muita música. Assim, Tom revisita parte do repertório de seus dois últimos álbuns, “Terra Brasilis” e “Passarim”. Marina Lima é a primeira convidada, e com toda aquela sua sensualidade, arrasa, ao lado do Maestro, com “Lígia”. Já “Insensatez” é interpretada por Joyce, acompanhada apenas pelo piano de Gilson Peranzzetta. Tom Jobim assiste solene à apresentação e, ao final, com toda aquela humildade dos grandes, agradece à Peranzzetta.
Os três grandes momentos do especial vêm logo em seguida. Gal Costa faz um dos duetos mais lindos da história da Música Popular Brasileira com Tom Jobim em “Dindi”. Chico Buarque emociona ao lado do Maestro, interpretando “Anos Dourados”. Algumas cenas da histórica minissérie homônima de Gilberto Braga se misturam aos dois músicos. E “Choro Bandido” coloca Tom, Chico e Edu Lobo, lado a lado cantando os célebres versos: “Mesmo que os cantores sejam falsos como eu / Serão bonitas, não importa / São bonitas as canções / Mesmo miseráveis os poetas / Os seus versos serão bons”.
Em seguida, é a vez de Tom homenagear ninguém menos que Heitor Villa-Lobos. “Ele é o guru. O mestre. O mestre. Ai que saudades de Villa-Lobos”, diz. E, já no Jardim Botânico, Jobim fala de outro herói: Carlos Drummond de Andrade, de quem cita duas importantes poesias, “Elegia” e “Poema da Necessidade”. E Caetano Veloso, acompanhando-se apenas pelo seu violão, relembra mais uma obra-prima do Maestro: “Eu Sei Que Vou Te Amar”.
“Antonio Brasileiro” ainda traz um extra que vale por um DVD inteiro. Na explosão da Bossa-Nova, Tom Jobim bate um papo com Gerry Mulligan e o ensina a melodia de “Samba de Uma Nota Só”. Chega a ser emblemático assistir a um dos maiores jazzistas de todos os tempos se curvar ao nosso Maestro perguntando se ele conseguiu acertar os acordes da canção...
Bom, e para quem pensa que acabou, não acabou não. Em um bate-papo informal com Stan Getz, Tom recebe o seguinte elogio: “Na primeira metade deste século nós tivemos grandes compositores: os Gershwin, Jerome Kern, Harold Arlen, Cole Porter, Irving Berlin. Na segunda metade, do meu ponto de vista, há três compositores que representam o máximo de gênio e beleza na música. Um deles é Jobim”.
Pois é. Naquela época, a televisão ainda dava algum valor a esse tipo de gente...
Abaixo, o dueto de Tom e Gal em “Dindi”.
Cotação: *****
Em maio de 1987, a Rede Globo transmitiu o especial “Antonio Brasileiro”, em homenagem aos 60 anos do Maestro Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. Gravado entre Nova York e o Rio de Janeiro, com direção de Roberto Talma, e roteiro escrito por Euclides Marinho e Nelson Motta, “Antonio Brasileiro” só voltou a ser reprisado na televisão em 2005, dentro das comemorações dos 40 anos da Rede Globo.
Mas para a alegria dos fãs, a Biscoito Fino, em parceria com a Jobim Music, finalmente vai colocar o especial nas lojas, em formato DVD, até o final desse mês.
No programa, Jobim passeia pelo Central Park de Nova York e pelo Jardim Botânico do Rio, canta com Chico Buarque e com Gal Costa, recita Drummond e relembra Villa-Lobos. Tom Jobim ainda interpreta diversas canções do álbum “Passarim”, seu último lançamento àquele momento, acompanhado pela sua Banda Nova.