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8 de dez. de 2010

John Lennon & Tom Jobim

Tudo bem, eu sei que esse blog anda meio capenga. Mas eu avisei, né? Até o início de janeiro, só vou passar por aqui de vez em quando, para dar um alô. E hoje é um dia desses. O dia 08 de dezembro é um dos mais trágicos da história da música. Perdemos dois mestres. Em 1980, John Lennon foi assassinado...



E em 1994, o nosso eterno Antonio Carlos Jobim ia tocar piano para os anjos lá em cima. Saudades do "Maestro Soberano"...



Já acendi duas velas hoje aqui em casa! Amém.

6 de jun. de 2010

Resenhando: Iggy and The Stooges, George Israel, Caetano Veloso, Frank Sinatra & Tom Jobim, Zé Ramalho

“Raw power” – Iggy and The Stooges
O terceiro álbum da banda The Stooges (que já se chamava, à época, Iggy and The Stooges) foi lançado em 1973, mas, até hoje, é essencial em qualquer discoteca que se preze. Não fosse por esse motivo, uma edição especial não estaria sendo lançada agora, 37 anos depois. O CD duplo que ora chega às lojas contém o álbum original remasterizado por David Bowie, o que é uma raridade, eis que, desde o seu relançamento em 1997, Iggy Pop optou pela sua própria remasterização, mais limpa, que tirou toda a sujeira (deliciosa) das músicas. Assim, agora, você poderá ouvir clássicos como “Search and destroy” e “I need somebody” da forma como foram concebidos. O CD 2 traz uma apresentação inédita de Iggy e seus Stooges, em outubro de 1973 (logo após o lançamento do álbum), em Atlanta. O show tem pouco menos de uma hora, e consegue ser melhor que o CD originário. Nele, Iggy toca canções ora recém-lançadas (como uma versão arrasadora de “Raw Power”) e adianta músicas que viriam a fazer parte de “Metallic K.O.” (1976), como “Heavy liquid” e “Head on”. Essencial para entender quase tudo o que surgiu no rock a partir dos anos 70.

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“13 parcerias com Cazuza” – George Israel
Pode até soar oportunista o lançamento de um álbum com regravações de músicas do Cazuza. Mas esse está longe de ser o caso de “13 parcerias com Cazuza”, novo trabalho de George Israel. Em primeiro lugar, porque ele fugiu de um repertório óbvio. E em segundo lugar, e mais importante, todas as canções também levam a assinatura de George. Produzido por Dadi, o CD conta com participações de Elza Soares & Marcelo D2 (“Brasil”), Tico Santa Cruz (“A burguesia”), Ney Matogrosso (“4 letras”), Sandra de Sá (“Solidão, que nada”), entre outros. De quebra, ainda tem a participação do próprio Cazuza, no (delicioso) reggae inédito “Você vai me enganar sempre II” (“Você me deixa orgulhoso/ Gostoso te ouvir jurar/ Mentir com esse olhar guloso/ Pra disfarçar”), que contou com a presença luxuosa de Family Man (The Wailers) e Charlie Lalibe (Alphablondy) no baixo e na bateria, respectivamente. “13 parcerias com Cazuza” é um disco bom e, acima de tudo, honesto. Apesar de sua pouca voz, George Israel não poupou esforços para fazer a mais justa homenagem ao poeta do Baixo Leblon. E ele conseguiu. Que Ney Matogrosso se anime a gravar o seu tão adiado projeto com repertório exclusivo de Cazuza.

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“Que de-lindo” – Caetano Veloso
Finalmente Caetano Veloso lançou o último volume de seu box “Quarenta anos Caetanos” – agora já são 43 anos de carreira –, com direito ao CD bônus “Que de-lindo”. Como o disco agrega músicas que não fazem parte dos álbuns oficiais do artista baiano entre 1995 e 2007, há poucas raridades de verdade no pacote. A verdade é que quem consome discos nos últimos anos, certamente terá a maior parte das faixas espalhadas em sua discoteca. Não há nenhuma raridade de verdade, como sobra de estúdio ou alguma canção ao vivo jamais lançada. É uma pena, porque o baú de Caetano não deve ser pequeno. De qualquer forma, o produtor Rodrigo Faour se esforçou para juntar boas canções há muito fora de catálogo, como a versão para “O calhambeque”, que faz parte do pacote “30 anos de Jovem Guarda”, lançado em 1995. Ou então a lindíssima “Merica, Merica”, música composta por Caetano em italiano, e presente na trilha sonora do filmaço “O quatrilho”. Outras nem tão raras assim fecham o pacote, como “A luz de Tieta” (do filme “Tieta”, de 1996, em dueto com Gal Costa), “Céu de Santo Amaro” (lançada originalmente no álbum “Por que não tínhamos bicicleta?”, de Flávio Venturini) e “Maluco beleza”, do CD “Uma homenagem a Raul Seixas – O baú do Raul” (2004). Enfim, “Que de-lindo” consegue, com êxito, organizar um pouco a obra esparsa de Caetano. Mas a gente ainda fica esperando, por exemplo, o registro integral do show “Circuladô”, de 1992/93.

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“The complete Reprise recordings” – Frank Sinatra & Tom Jobim
Difícil dizer para quem foi mais importante o encontro de Frank Sinatra com Antonio Carlos Jobim. Se o álbum “Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim” abriu as portas dos Estados Unidos para Tom, ele também foi importante para que Sinatra se reinventasse e vendesse milhões e milhões de cópias. Depois desse álbum gravado em dupla no ano de 1967, foram lançados “Sinatra-Jobim” (1970) e “Sinatra & Company” (1971), que tinham uma faixa ou outra interpretada pela dupla. Agora, para dar uma organizada geral, chegou às lojas (por enquanto lá fora – depois ainda falavam mal do Tom porque ele se dedicava tanto ao mercado norte-americano) o CD “The complete Reprise recordings”, que em 20 faixas rebobina todas as parcerias dos dois artistas – só “Fly me to the moon”, que saiu no “Duets II” (1994), de Sinatra, ficou de fora. Em mais de 60 minutos, Sinatra e Tom nos entregam pepita atrás de pepita: “The girl from Ipanema”, “Quite night of quite stars”, “Triste”, “One note samba”, “Desafinado”, entre outras. Um CD para separar o melhor uísque, apagar a luz e esquecer a vida.

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“Zé Ramalho canta Jackson do Pandeiro” – Zé Ramalho
Zé Ramalho já havia gravado algumas canções compostas por (ou que haviam feito sucesso na voz de) Jackson do Pandeiro. Para organizar tudo, ele e o produtor Marcelo Fróes juntaram as faixas no CD “Zé Ramalho canta Jackson do Pandeiro”, não sem antes gravar seis novas canções. Ao lado de músicas mais do que conhecidas, como “”Chiclete com banana” (com participação especial de Waldonys), “Cantiga do sapo” (aqui na versão constante no álbum “Estação Brasil”, de 2003) e “Um a um”, Zé Ramalho ainda relembra coisas bem raras, como “Ela disse” e “Lá vem a boiada”, essa última em gravação inédita. Uma homenagem merecida de um dos grandes artistas brasileiros da atualidade para um dos grandes artistas de todos os tempos. Tomara que o álbum tenha a divulgação merecida. Todos merecem conhecer a obra de Jackson do Pandeiro.

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Abaixo, a versão de Caetano Veloso para “Maluco beleza”, de Raul Seixas, uma das “raridades” de “Que de-lindo”, CD bônus incluído no box “Quarenta anos Caetanos – 95/07”.

8 de mai. de 2010

Beatles, Mary Lou Williams, Rossellini, Baresi, Taffarel, Gahan, Skank, PC Pinheiro, Mars Volta, Chemical Brothers, Dead Weather, Cássia Eller, Tom

Feliz dia das mães!



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Essa semana foi boa em leitura. Devorei "O anjo pornográfico", biografia de Nelson Rodrigues, escrita por Ruy Castro. Bom, não vou fala nada sobre o livro, mas apenas que foi a melhor biografia que já li na minha vida (junto com a dos Beatles, de Jonathan Gould). Outro livro que li (não todo, porque é uma obra mais de consulta) foi "O mundo das Copas", de Lycio Vellozo Ribas. Recomendo mesmo para todos os fanáticos por futebol, especialmente Copas do Mundo. O autor fala de cada um dos jogos e dá detalhes e curiosidades interessantes. Lycio ficou seis anos trabalhando no livro. E valeu a pena. Sem exagero, podemos dizer que é uma verdadeira bíblia das Copas, melhor ainda do que o famoso livro "Enciclopédia de todas as Copas do Mundo", de Orlando Duarte. O único pecado do livro é a pequena quantidade de fotos. Embora muito ilustrado (com desenhos), a ausência de fotos é uma falha considerável, já que as Copas têm aqueles momentos históricos que somente uma foto é capaz de traduzir.

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Um disco ao vivo de Tom Jobim com participação especial de Milton Nascimento. Eu quero! Quando é que chega às lojas?

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UMA MÚSICA PARA O FIM DE SEMANA: "Non, je ne regrette rien", na voz de Cássia Eller. Muita saudade.



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Jack White disse que se inspirou em Lady Gaga para escrever a música abaixo, que faz parte do novo álbum do Dead Weather, "Sea of cowards". Faz sentido.



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Já viram o videoclipe novo do Chemical Brothers?



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Esse livro deve ser bem bom.

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O guitarrista do The Mars Volta, Omar Rodriguez-Lopez, lançou um EP virtual (e gratuito) de sete faixas através do seu site. O ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers, John Frusciante (que já havia participado de todos os discos do Mars Volta), também deu as caras nesse trabalho de Rodriguez-Lopes. Ainda não baixei e nem ouvi, mas, levando-se em conta os álbuns do Mars Volta, deve ser bem interessante.

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Um dos livros mais interessantes sobre música que li nos últimos meses foi "História de canções", de autoria de Wagner Homem, que contava a história das músicas de Chico Buarque. Agora é a vez de "Histórias das minhas canções", escrito pelo compositor Paulo César Pinheiro, que tem no currículo mais de duas mil músicas. O autor selecionou 65 de suas canções (como "Tô voltando", "Lapinha" e "Vou deitar e rolar") para o livro, que será lançado nos próximos dias pela editora Leya, pelo preço sugerido de R$ 44,90.

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Ontem recebi e-mail da assessoria do Skank avisando que a banda mineira vai gravar DVD/BD no dia 19 de junho, no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte. "Skank Mineirão ao Vivo" sairá no segundo semestre desse ano pela gravadora Sony, em parceria com o canal Multishow. A estimativa de público é de 30 mil pessoas. O show não terá venda de ingressos, e as entradas serão distribuídas através de ações sociais e promoções de empresas patrocinadoras. Bacana!

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Agora vamos partir para amanhã, dia 09 de maio. Dave Gahan, vocalista do Depeche Mode (uma das bandas da minha vida), comemora 48 anos. Gahan, no ano passado, passou por poucas e boas, com a descoberta de um tumor na bexiga, que o obrigou a cancelar diversas apresentações da turnê de sua banda. Felizmente, ele ficou bom e pôde retomar os shows. Mas, infelizmente, cancelou, sem mais nem menos, as apresentações agendadas no Brasil. Mas espero que um dia ele venha aqui para fazer isso aqui com o público:



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Outro grande futebolista - e esse realmente muito amado pelos brasileiros - que faz aniversário hoje é Taffarel. O ex-goleiro, que já passou pelo Internacional, Parma, Reggiana, Atlético-MG, Galatasaray e, claro, seleção brasileira, sopra 44 velinhas. Taffarel, como todos sabemos, foi o goleiro que ganhou a Copa do Mundo de 1994 e o vice-campeonato em 1998. SAI QUE É TUA, TAFARELLLLLLLL!



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Agora, partindo para o futebol. Franco Baresi, um dos maiores líberos de todos os tempos, faz 50 anos hoje. Os brasileiros têm um carinho especial para com Baresi, pelo fato de ele ter perdido um pênalti na final da Copa de 1994, contra o Brasil. Mas a carreira de Baresi foi tão grandiosa, que, os italianos preferem lembrá-lo como o grande líbero que vestiu apenas duas camisas a sua vida profissional inteira: a do Milan (de 1977 a 1997) e a da seleção italiana.



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E sabe quem faria 104 anos hoje? O italiano Roberto Rossellini, um dos grandes cineastas de todos os tempos, foi um dos principais nomes do neorrealismo italiano, movimento cultural surgido após a segunda guerra mundial, e que tinha como principal característica o uso do real na ficção, de forma a buscar a realidade social da época. Ao lado de Rossellini, os principais nomes do movimento surgido na Itália foram Vittorio De Sica e Luchino Visconti. O filme mais famoso de Rossellini foi "Roma, cidade aberta", de 1945.



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E também hoje comemoramos o centenário de uma das minhas pianistas prediletas. Mary Lou Williams nasceu no dia 08 de maio de 1910. Jazzista de primeira linha, Mary Lou compôs mais de cem canções, além de ter trabalhado ao lado de pessoas como Duke Ellington, Benny Goodman, Thelonious Monk, Charlie Parker e Dizzy Gillespie. Nascida em Atlanta, na Georgia, Mary Lou morreu aos 71 anos, no dia 28 de maio de 1981. Abaixo, um vídeo com uma grande versão para "The man I love".



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E no dia 08 de maio de 1970, os Beatles colocavam nas lojas o seu derradeiro álbum. À época, a banda já não existia mais. E "Let it be" está bem longe de ser o melhor disco do quarteto de Liverpool, mas... bem, é um disco dos Beatles, né? Então, hoje todo mundo pode tratar de colocar "Let it be" na vitrola, no cd-player de casa ou do carro. Quarenta é só uma vez na vida.

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Oi Pessoal. Nossa, hoje estou começando tarde. Impressionante como a gente perde um dia inteiro só para trocar de celular. Enquanto você é atendido, o cara se levanta seis vezes e demora uns dez minutos em cada uma. Não sei o que tanto faz... Bom, mudando de assunto... Sabe de quê é dia hoje? Além do aniversário de Gustave Flaubert - o autor de "Madame Bovary" estaria completando 130 anos hoje - comemoramos o dia do artista plástico. E a imagem acima é obra de Leonílson, o principal nome da "Geração 80" que revolucionou as artes plásticas no Brasil.

17 de ago. de 2008

DVD: “ANTONIO BRASILEIRO” (ANTONIO CARLOS JOBIM) – BEM-VINDO À ÉPOCA EM QUE A TELEVISÃO FAZIA BONS MUSICAIS

1987. Tom Jobim era vivo, Dorival Caymmi era vivo e João Gilberto fazia shows com (um pouco mais de) freqüência. E nessa época, a Rede Globo também costumava passar alguns ótimos programas sobre música, sem precisar apelar à emoção fácil do “Por Toda Minha Vida” de hoje. Sem querer cair no saudosismo, mas, àquele tempo, a gente ainda podia ver um programa com imagens inéditas de Cazuza, Tim Maia, Gal Costa e Tom Jobim no horário nobre!! Hoje, qualquer coisa ligada à música dificilmente é transmitida antes da meia-noite...

Pois no dia 29 de maio de 1987, os telespectadores da Rede Globo puderam assistir a um programa histórico. “Antonio Brasileiro” comemorou os 60 anos do nosso Maestro maior, Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. E bem ao gosto de Tom, as locações da gravação foram o Rio de Janeiro e Nova York, as suas duas cidades prediletas.

Não é possível afirmar se o programa deu mais audiência do que um capítulo da novela “A Favorita” (provavelmente não), mas fato é que “Antonio Brasileiro”, dirigido por Roberto Talma, e com roteiro de Euclides Marinho e Nelson Motta, foi vendido para vários países e premiado internacionalmente. O mais impressionante é o fato que o programa só foi reprisado uma única vez, quando a emissora de Roberto Marinho completou 40 anos. E o melhor de tudo é saber que, a partir de agora, “Antonio Brasileiro” está disponível em DVD, via Som Livre / Biscoito Fino ao alcance de nossas mãos.

O roteiro do especial é muito simples e mostra Antonio Carlos Jobim em toda a sua simplicidade, passeando pelo Museu de História Natural de Nova York, e tocando violão ou até mesmo se exercitando no Central Park. Ele fala para as câmeras como se estivesse conversando com um amigo próximo e cita uma frase clássica de Fernando Sabino: “Nova York é uma cidade para ser vista de maca”. Após tocar “Desafinado” no parque mais famoso do mundo, Jobim fala da ave Jereba, que o leva diretamente para o Brasil, mais especificamente o Rio de Janeiro, com estonteantes imagens do Cristo Redentor com a Lagoa Rodrigo de Freitas ao fundo. É a deixa para Danilo Caymmi cantar, acompanhado por Tom ao piano e a sua Banda Nova, “Samba do Avião”.

Depois desse momento, “Antonio Brasileiro” foca mais na parte musical, ou seja, pouco papo e muita música. Assim, Tom revisita parte do repertório de seus dois últimos álbuns, “Terra Brasilis” e “Passarim”. Marina Lima é a primeira convidada, e com toda aquela sua sensualidade, arrasa, ao lado do Maestro, com “Lígia”. Já “Insensatez” é interpretada por Joyce, acompanhada apenas pelo piano de Gilson Peranzzetta. Tom Jobim assiste solene à apresentação e, ao final, com toda aquela humildade dos grandes, agradece à Peranzzetta.

Os três grandes momentos do especial vêm logo em seguida. Gal Costa faz um dos duetos mais lindos da história da Música Popular Brasileira com Tom Jobim em “Dindi”. Chico Buarque emociona ao lado do Maestro, interpretando “Anos Dourados”. Algumas cenas da histórica minissérie homônima de Gilberto Braga se misturam aos dois músicos. E “Choro Bandido” coloca Tom, Chico e Edu Lobo, lado a lado cantando os célebres versos: “Mesmo que os cantores sejam falsos como eu / Serão bonitas, não importa / São bonitas as canções / Mesmo miseráveis os poetas / Os seus versos serão bons”.

Em seguida, é a vez de Tom homenagear ninguém menos que Heitor Villa-Lobos. “Ele é o guru. O mestre. O mestre. Ai que saudades de Villa-Lobos”, diz. E, já no Jardim Botânico, Jobim fala de outro herói: Carlos Drummond de Andrade, de quem cita duas importantes poesias, “Elegia” e “Poema da Necessidade”. E Caetano Veloso, acompanhando-se apenas pelo seu violão, relembra mais uma obra-prima do Maestro: “Eu Sei Que Vou Te Amar”.

“Antonio Brasileiro” ainda traz um extra que vale por um DVD inteiro. Na explosão da Bossa-Nova, Tom Jobim bate um papo com Gerry Mulligan e o ensina a melodia de “Samba de Uma Nota Só”. Chega a ser emblemático assistir a um dos maiores jazzistas de todos os tempos se curvar ao nosso Maestro perguntando se ele conseguiu acertar os acordes da canção...

Bom, e para quem pensa que acabou, não acabou não. Em um bate-papo informal com Stan Getz, Tom recebe o seguinte elogio: “Na primeira metade deste século nós tivemos grandes compositores: os Gershwin, Jerome Kern, Harold Arlen, Cole Porter, Irving Berlin. Na segunda metade, do meu ponto de vista, há três compositores que representam o máximo de gênio e beleza na música. Um deles é Jobim”.

Pois é. Naquela época, a televisão ainda dava algum valor a esse tipo de gente...

Abaixo, o dueto de Tom e Gal em “Dindi”.

Cotação: *****

23 de jul. de 2008

PROGRAMA CLÁSSICO DE TV DE TOM JOBIM SAI EM DVD

Em maio de 1987, a Rede Globo transmitiu o especial “Antonio Brasileiro”, em homenagem aos 60 anos do Maestro Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. Gravado entre Nova York e o Rio de Janeiro, com direção de Roberto Talma, e roteiro escrito por Euclides Marinho e Nelson Motta, “Antonio Brasileiro” só voltou a ser reprisado na televisão em 2005, dentro das comemorações dos 40 anos da Rede Globo.

Mas para a alegria dos fãs, a Biscoito Fino, em parceria com a Jobim Music, finalmente vai colocar o especial nas lojas, em formato DVD, até o final desse mês.

No programa, Jobim passeia pelo Central Park de Nova York e pelo Jardim Botânico do Rio, canta com Chico Buarque e com Gal Costa, recita Drummond e relembra Villa-Lobos. Tom Jobim ainda interpreta diversas canções do álbum “Passarim”, seu último lançamento àquele momento, acompanhado pela sua Banda Nova.