12 de out. de 2011

Quando a criança descobriu a música

Eu tentei de todas as formas, mas não encontrei o CD do “Casa de brinquedos” aqui em casa. Queria ouvi-lo hoje, no Dia das Crianças. Mas, ainda bem, descobri que tenho o álbum completo no iPod.
O “Casa de brinquedos” representou o primeiro contato que tive com a música. Há mais ou menos 30 anos, a Rede Globo investia em especiais infantis que fizeram com que toda uma geração crescesse conhecendo Chico Buarque, Toquinho, Vinicius de Moraes, MPB-4, Ney Matogrosso, Elis Regina, Clara Nunes... Ou seja, toda uma geração aprendeu a aprimorar o gosto pela música.
Graças a Deus (e a minha mãe que me dava os LPs e assistia aos programas comigo), cresci com um bom gosto musical, acredito.



(Já devo ter dito por aqui que nunca terei filhos. Mas se tivesse, jamais o colocaria para ouvir Xuxa ou Restart. As pessoas deveriam ter a ciência de que estão formando cidadãos. Depois, quando o pai tiver que acompanhar (e aturar) uma filha histérica e doente em um show do Justin Bieber, não adianta lamentar. Foi ele mesmo quem criou o monstro.)
Mas voltando ao “Casa de brinquedos”, a imagem mais nítida que tenho, aos três ou quatro anos de idade, é a de Chico Buarque cantando “O caderno” em um cenário repleto de cadernos gigantes, e uma menina deitada no chão lendo algo um... caderno!
Já sei. Você vai achar isso tosco demais.
E era mesmo.



E, por conta disso, aprendi que nada, absolutamente nada, pode se sobrepôr à música. Por exemplo, em um concerto, é necessário mais do que uma boa orquestra e um maestro? Precisa de jogo de luzes, palcos mirabolantes e figurinos cafonas?? Pode ter certeza que não. Um exemplo mais recente: os shows que vi do Eric Clapton nessa semana aqui no Rio de Janeiro. Não tinha cenário, não tinha figurino, a luz era sóbria, Eric não ficava fazendo coraçãozinho com as mãos para a plateia... Era só o cara pegar a guitarra e mandar os acordes de “Badge” ou de “Crossroads”. Não precisava de mais nada. E pode perguntar para as 20 mil pessoas que lotaram as duas apresentações, que todas elas vão concordar.
Depois de me deliciar com o programa televisivo (quando conheci Simone, Toquinho, Roupa Nova, Chico, Moraes Moreira, Baby Consuelo, Carlinhos Vergueiro, entre outros), minha mãe me presenteou com o LP.



Aquilo lá não saiu da minha vitrolinha laranja por, pelo menos, uns dois anos. Acho que ninguém (nem o Toquinho) ouviu esse LP mais do que eu. Cada música era uma viagem. Para os compositores Toquinho e Mutinho, uma viagem em cada brinquedo - cada música tinha o nome de um brinquedo, como "A espingarda de rolha", "A bola", "A bicicleta", "O avião", "O robô", "O macaquinho de pilha"... Para mim, foi o início da minha viagem mais deliciosa: a da música.
Ainda posso sentir a capa daquele velho vinil.
Aquela porosidade continha toda a minha vida.



O velho vinil não existe mais.
Mas há uns 16 anos, mais ou menos, me deparei com o CD em uma loja. Comprei na hora. Nem perguntei o preço. Deixaria as minhas calças se necessário fosse.
Quando cheguei em casa e coloquei o CD para tocar, ao ouvir a voz de Dionísio Azevedo declamando o texto de abertura, me dei conta de que não escutava aquele álbum havia, sei lá, uns dez anos. Ou seja, ouvi “Casa de brinquedos” umas 500 vezes entre os meus três e seis anos de idade. Depois, nunca mais.
Esse corte se deu exatamente na época em que descobri o rock. O velho álbum do “Casa de brinquedos” ficou de lado. Quem dava as cartas agora eram o “Dois” (Legião Urbana), o “Selvagem?” (Os Paralamas do Sucesso), o “Cabeça dinossauro” (Titãs), os “Greatest hits” dos Beatles...



Quando comprei o CD e me dei conta disso, logo me lembrei dos versos de “O caderno”:
“Só peço, a você
Um favor, se puder
Não me esqueça
Num canto qualquer...”
Mas aí eu tive a certeza que o “Casa de brinquedos” não estava “num canto qualquer”. Ele ainda está em cada disco que ouço hoje (do vinil ao blu-ray), em cada solo de guitarra que me emociona, em cada refrão que gruda na minha cabeça, em cada show que eu tenho a oportunidade de ir.
E em cada linha que eu escrevo.

11 de out. de 2011

Renato Russo, 15 anos depois

"Um belo dia, o público vai descobrir que o seu ídolo tem pés de barro, e é uma coisa muito dolorosa porque messias não existem" (Renato Russo)

Parece que foi ontem, e talvez tenha sido mesmo, que Renato Russo morreu.
Mas lá se vão 15 anos. O que, sob um ponto de vista, pode parecer uma eternidade.
Eternidade porque Renato Russo foi o último ídolo do rock brasileiro. Depois dele, não veio mais ninguém. E, arrisco dizer, nunca mais virá, até mesmo porque o rock brasileiro não fabrica mais nada de minimamente razoável já faz tempo.
Às vezes eu me pergunto o que fez de Renato Russo um ídolo.
Encontro a resposta facilmente em seus álbuns, especialmente nos da Legião Urbana.



Um dos primeiros LPs que Renato Russo ganhou foi o "White album", dos Beatles, quando ele morava em Nova York e tinha nove anos de idade. E isso explica muita coisa. A influência do tal disco branco, de certa forma conceitual, pode ser ouvida em qualquer trabalho da Legião. Ao invés de um amontoado de faixas, cada álbum da Legião Urbana era um "Álbum", daqueles com início, meio e fim. Impossível de ser entendido sem a cuidadosa audição da primeira a última faixa. Eu fico imaginando os intermináveis exercícios de Renato Russo, Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha (esse último até o terceiro disco, "Que país é este") para chegar à relação final das faixas. E imagino o quanto Renato Russo não ficou louco, onde quer que estivesse, quando, recentemente, relançaram os discos da Legião em vinil, e, devido a um erro da fábrica, "Soldados" encerrou o lado B do trabalho de estreia da banda, ao invés de "Por enquanto".



Acho que a Legião começou a se transformar no que foi quando, na infância, Renato Russo sofreu de uma rara doença chamada epifisiólise, que o deixou seis meses sem poder se levantar da cama. Nesse período de convalescença, Renato fundou a fictícia 42th Street Band. Não existia música, é verdade, mas Renato bolou capas de discos, nomes de músicas e até uma biografia para a sua banda imaginária. O líder do conjunto se chamava Eric Russell.
Já adolescente, Renato Russo juntou alguns amigos da Colina, conjunto de prédios habitacionais da UnB, e fundou o Aborto Elétrico, já influenciado por bandas como o PiL e o The Clash. Nada mais apropriado para rapazes de Brasília que não tinham muito que fazer.



O Aborto não chegou a gravar nenhum disco, mas compôs algumas canções que, mais tarde, seriam distribuídas nos três primeiros álbuns da Legião e no primeiro do Capital Inicial. "Geração Coca-Cola" era uma delas. O hino dos "filhos da revolução" que berravam contra o regime militar. No álbum póstumo "Uma outra estação", Renato voltou ao tema, mas, dessa vez, de uma forma menos romântica: "Eu sou a lembrança do terror/ De uma revolução de merda/ De generais e de um exército de merda". Os "filhos da revolução" envelheceram.
Após uma briga com o baterista Felipe Lemos, Renato decidiu ser o "trovador solitário". Só ele e seu violão. As músicas dessa fase podem ser encontradas no CD "O trovador solitário" (2008), idealizado por Marcelo Fróes.
De saco cheio de bancar o Bob Dylan, Renato fundou a Legião Urbana. Em 1985, com a força dos colegas dos Paralamas do Sucesso que levaram a fitinha da banda para a gravadora EMI, enquanto rolava o Rock in Rio, chegou às lojas o auto-intitulado álbum de estreia da banda.



"Só um cego ou surdo não constataria de primeira que Renato era um John Lennon, Bob Dylan, Elvis Presley, Paul McCartney, Bruce Springsteen, Brian Wilson e Joe Strummer, tudo junto, num país tão carente de equivalentes nacionais", disse o produtor José Emilio Rondeau, no livro "Renato Russo", de Arthur Dapieve. Estava certo. Tudo o que a Legião viria a ser já estava lá naquele primeiro disco, da sonoridade ao conceito, passando pelas letras de Renato, claro.



A gravadora pensava que "Legião Urbana" não ia dar em muita coisa. Mas se enganou. O disco vendeu muito e gerou uma boa quantidade de singles. Para o segundo álbum, óbvio, a gravadora queria algo parecido com o primeiro. Direto e roqueiro. Mas lógico que a Legião não ia entrar nessa. "Todos os discos de uma grande banda são bons", disse Renato Russo à MTV em uma de suas últimas entrevistas.
E, certamente, ele já pensava assim em 1986, quando peitou a gravadora, e entrou no estúdio para gravar "Dois". "A gente se acostumou com o ambiente no estúdio, como se fosse a extensão de casa. Acreditamos que era realmente possível fazer música e discos a partir desse disco", me disse o guitarrista Dado Villa-Lobos, em 2006, quando "Dois" completou 20 anos.


De fato, a partir de "Dois", a Legião amadureceu. O álbum, que era para ser duplo e se chamar "Mitologia e intuição", acabou sendo simples ("Todos os discos da Legião são duplos até segunda ordem", dizia Renato), mas, mesmo assim, bem diferente do primeiro. As músicas rápidas e de letras mais simplórias deram espaço a canções mais longas e sem refrões, como "Eduardo e Mônica" e "Indios". Nem por isso "Dois" deixou de fazer sucesso. Pelo contrário.
Na turnê de lançamento do álbum, a Legião tocou no Canecão pela primeira vez, ainda que no horário não muito nobre das sete da noite. Mal imaginava Renato (ou, de repente, imaginava sim) que, um ano depois, a Legião Urbana estaria lotando estádios Brasil afora. O show mais emblemático, durante o lançamento de "Que país é este", aconteceu no Mané Garrincha, em Brasília, no dia 16 de junho de 1988. Um maluco invadiu o palco e agrediu o cantor com um canudo de plástico. O caos tomou conta do lugar e por sorte ou por milagre ninguém morreu naquilo que ficou conhecido como o "Altamont brasileiro".



Apresentações não muito convencionais, aliás, fizeram parte da história da Legião. Quando a banda lançou o lírico "As quatro estações" (mais um álbum em que Renato colocou as suas vísceras), houve confusão no Jockey Club do Rio de Janeiro. Animais na fila do gargarejo detonaram uma guerra de areia que quase terminou o show antes da hora. Em janeiro de 1995, dessa vez divulgando "O descobrimento do Brasil", em Santos, Renato levou uma latada e passou os últimos 45 minutos de show cantando deitado. Foi a última vez que ele pisou em um palco. Antes disso, em outubro de 1994, a banda realizou três dos shows mais lindos da história do finado Metropolitan, no Rio de Janeiro, e que geraram o CD duplo ao vivo "Como é que se diz eu te amo". Inusitadamente, as apresentações, registradas pela Rede Bandeirantes, nunca viraram DVD.
A verdade é que Renato não gostava de fazer shows. Não tolerava a violência dos seguranças que agrediam os fãs. Ele também costumava dizer que, durante uma apresentação ao vivo, se sentia como estivesse fazendo amor com 10, 20, 30 mil pessoas ao mesmo tempo. E, depois, caía em depressão quando ia dormir sozinho em casa ou em um quarto de hotel.



A Legião abriu a década de 90 com "V", o seu trabalho mais pesado. "O réquiem do milênio", como bem definiu o produtor musical e jornalista Ezequiel Neves. "O descobrimento do Brasil" veio em seguida e dava a (falsa) impressão, com a sua capa florida e alegre, de que seria o oposto de "V". Ledo engano. Por dentro, mais um réquiem, inclusive o do Brasil, limpidamente esculpido em "Perfeição".
A Legião Urbana abandonou os palcos. Mas não os estúdios. Em setembro de 1996, duas semanas antes da morte de Renato Russo, foi lançado "A tempestade ou O livro dos dias". Antes, Renato ainda colocou nas lojas os trabalhos solo "The Stonewall celebration concert" e "Equilibrio distante", com músicas cantadas em inglês e em italiano, respectivamente.
Há 15 anos, jornais dedicaram cadernos especiais ao líder da Legião Urbana. O Jornal Nacional alterou todo o seu noticiário para dar metade de seu tempo a repercussão da morte de Renato. Hoje em dia, com exceção dos velhos medalhões da MPB, qual artista brasileiro mereceria tamanha deferência?



A Legião somou pouco mais de 12 anos de carreira. E deixou um legado imenso. Dá pena ver qualquer banda hoje em dia lançando DVDs comemorativos de 10, 15, 20 anos de carreira sem ter o que dizer.
Às vezes eu me pergunto o que Renato Russo estaria fazendo hoje se vivo fosse. Segundo o próprio, a partir dos 40 anos, faria cinema. Depois dos 60, seria escritor.
Eu tenho as minhas dúvidas.
Para mim, a Legião Urbana nunca deixaria de existir.
A Legião não era só uma banda. Era a representação de seus fãs.
Ou como Renato Russo gostava de dizer: "A verdadeira Legião Urbana são vocês."

4 de out. de 2011

Rock in Rio: Agora só em 2013

Muita gente diz que não aguenta mais esse papo de Rock in Rio. Eu confesso que também não. Desde setembro de 2008, quando iniciei o projeto que veio a se transformar no livro "Rock in Rio - A história do maior festival de música do mundo" (Editora Globo), respiro o festival. Quando, já pela televisão, vi a banda cover do Guns n' Roses encerrar essa quarta edição com "Paradise city", jurei a mim mesmo que só voltaria a pensar em Rock in Rio em 2013 - e isso se a minha coluna ainda permitir que eu compareça a um evento desse porte.
Mas as pessoas têm me "cobrado" alguma opinião sobre esse Rock in Rio 2011. Então, para encerrar o assunto de vez, vamos lá.
Em primeiro lugar, a pergunta mais frequente: "qual a comparação que você faz entre essa edição e as três anteriores que estão presentes em seu livro?" A principal: vivemos em tempos muito chatos.



Não faz nem 11 anos que o Rock in Rio 3 aconteceu, e tudo era muito mais simples. Não existiam os "ônibus especiais", mas sim qualquer ônibus, que a gente pegava na porta da Cidade do Rock, e, em algum momento, acabava chegando ao seu local de destino. Não havia milhares de pessoas na frente do palco com uma câmera fotográfica durante o show inteiro. (Eu juro que um dia quero descobrir a finalidade de as pessoas filmarem um show que está sendo transmitido pela TV e pela internet. Será que querem concorrer ao Oscar??)
Também não existia esse número absurdo de celebridades que falam qualquer asneira na TV, e se tornam mais importantes do que todos os artistas que pisaram no palco. Eu também não me lembro de ter ficado mais de dez minutos em uma fila para comprar um cachorro quente, seja na edição de 1991 ou na de 2001. O que aconteceu? As pessoas estão mais famintas hoje? (Uma experiência fantástica que tive na primeira noite: comprei a ficha da pipoca e uma senhora, acho que gerente da loja, disse que eu teria que esperar 20 minutos para a pipoca ficar pronta. Na dúvida se aquele milho ia mesmo estourar, pedi o meu dinheiro de volta. Insistente que sou, uma semana depois, comprei a mesma pipoca em 10 segundos.)



Nas outras edições, também reparei que os artistas curtiam muito mais a vida. Aconteciam festas homéricas em suítes de hotel, artistas frequentavam o La Mole, casais se formavam nas piscinas dos hotéis, músico era preso por se apresentar pelado no palco, telefones eram jogados das janelas dos quartos de hotel... Nessa edição 2011, os dois fatos extra-palco mais impactantes que ouvi falar foram a festa da Rihanna no iate do Eike Batista, e o jantar da Katy Perry em uma churrascaria em Ipanema. Só. A impressão que tenho é que nenhum músico dormiu no Brasil. Foram teletransportados para o palco do Rock in Rio, fizeram o show e se mandaram.
Agora, as diferenças musicais. Sinceramente, não vi tantas. A mistura de gêneros musicais que sempre norteou todas as edições do Rock in Rio esteve presente novamente. E quem disse que no Rock in Rio não tinha rock, quebrou a cara. Meus ouvidos doeram nos shows do System Of A Down, do Slipknot e do Sepultura. E eu senti o chão da Cidade do Rock tremer com a porrada sonora do Metallica. Nesse quesito, penso que o Rock in Rio cumpriu a sua função de agradar a todas as tribos.



Os shows no Palco Sunset me decepcionaram um pouco. A começar pelo som. Muito ruim em praticamente todos os momentos. Também houve pouco encontro e muito revezamento entre os artistas, o que desvirtuou a proposta do palco. E quando o encontro de fato aconteceu, não senti muita química (ou seria ensaio?) em algumas apresentações. Sandra de Sá e Bebel Gilberto cantando Cazuza beiraram o constrangedor. Corri para a Rock Street e lá estavam George Israel e Guto Goffi, outros dois amigos do Cazuza, mandando bem melhor. Em compensação, Ed Motta cantando clássicos do rock acompanhado por cinco guitarristas, arrasou. Milton Nascimento e Esperanza Spalding seriam fenomenais se a apresentação tivesse acontecido em uma sala para duzentas pessoas. E o Sepultura mandou bem demais (nenhuma surpresa) ao lado do Tambours du Bronx. (Aliás, a pergunta que não que calar: o que o Sepultura estava fazendo no Sunset, e o Glória no Palco Mundo??) Outros shows que gostei no Sunset foram o dos Titãs com os Xutos e Pontapés e o Baile do Simonal.



A apresentação do Erasmo Carlos com o Arnaldo Antunes eu pouco vi. Não consigo entender como é que marcam esse show no mesmo horário em que Frejat está pisando no Palco Mundo. Não teria sido mais óbvio intercalar as apresentações do Sunset com as do Palco Mundo?
E por falar no palco principal do evento, acho que deve ser um consenso quase geral que os dois grandes destaques foram Metallica e Stevie Wonder (ok, ele não precisava ter limado "Ribbon in the sky" do set list para tocar "Garota de Ipanema", mas valeu mesmo assim). O Red Hot Chili Peppers também tirou a má impressão do encerramento do Rock in Rio de 2001 e fez um bom show. Nada como o início de uma turnê para deixar uma banda cheia de tesão. O Coldplay demonstrou maturidade e integridade artística ao arriscar seis músicas novas no show. E o System Of A Down foi tão bom, que deveria ter sido o responsável pelo show de encerramento do festival.



Por outro lado, alguns artistas derraparam no Palco Mundo. Na primeira noite, Elton John bateu ponto no Rock in Rio. Pouca voz e nenhuma vontade. Acredito que ele não deva ter ficado muito surpreso pelo fato de ninguém ter pedido bis. E o que dizer do Jamiroquai? Bom, Paul McCartney nunca deixou de cantar "Hey Jude" e nem os Rolling Stones "(I can't get no) Satisfaction" em seus shows. Mas o Jamiroquai, banda importante que é, se deu ao luxo de deixar cem mil pessoas berrando por "Virtual insanity" ou "Space cowboy". O tributo à Legião Urbana (um dos momentos que eu mais esperava) também poderia ter sido melhor. Faltou um pouco de ensaio, e, no final, quem mandou bem mesmo foi o Marcelo Bonfá cantando "O teatro dos vampiros". Só não consigo entender a necessidade de se repetir duas vezes uma mesma música ("Será") em um show de 50 minutos, levando-se em conta o fato de a Legião ter, pelo menos, uns 40 clássicos.



A Shakira, por sua vez, não tem condições de fechar uma noite de Rock in Rio. Um encerramento com Ivete Sangalo teria sido muito mais digno. E o Guns n' Roses... Bem, parece que foi a segunda banda mais votada no site do festival - só perdeu para o SOAD. Depois de duas horas de espera debaixo de uma chuva de quinto ato do Rigoletto, como dizia Nelson Rodrigues, eis que Axl Rose surgiu no palco para um dos maiores micos da história do Rock in Rio.
Quem elogiou o show certamente não é fã do Guns n' Roses. Quem respeita a história da banda sentiu vergonha (e pena) do que viu.
Em 2013 a gente volta a falar de Rock in Rio. Combinado?




TOP 5: PARA ESQUECER
5) Claudia Leitte na primeira noite do Rock in Rio
4) O som no Palco Sunset
3) As filas imensas da primeira semana, para entrar na Cidade do Rock e para comprar qualquer coisa
2) Shakira encerrando a antepenúltima noite do festival
1) Banda cover do Guns n' Roses fechando a quarta edição do Rock in Rio

TOP 5: PARA NÃO ESQUECER
5) O Red Hot Chili Peppers se apresentando no exato dia em que seu álbum "Blood Sugar Sex Magik" completou 20 anos
4) A Cidade do Rock, lindíssima
3) A homenagem do Metallica ao baixista Cliff Burton, cuja morte completaria 25 anos dois dias após o show
2) Os headliners que não foram (mas poderiam ter sido): System Of A Down, Slipknot e Sepultura
1) Stevie Wonder deitado no palco solando "How sweet it is (To be loved by you)" na sua keytar



PS. Em homenagem aos fãs e a banda, achei melhor terminar o post com "Paradise city" executada pelo Guns n' Roses no Rock in Rio de 1991.

22 de set. de 2011

E agora que o R.E.M. não existe mais...

“Aos nossos fãs e amigos: como R.E.M., e como grandes amigos e colaboradores, decidimos nos separar como banda. Nós nos despedimos com um grande sentimento de gratidão, completude e orgulho de tudo que conquistamos. Espero que nossos fãs entendam que essa não foi uma decisão fácil. Mas todas as coisas precisam acabar, e nós queremos fazer direito, fazer do nosso jeito”.

Hoje poderia estar aqui escrevendo sobre várias coisas bacanas que aconteceram, como a gravação do programa “Sem censura” (meus avós amavam esse programa), o ótimo papo com o Silvio Essinger para o “Segundo Caderno” do jornal O Globo, o chat sobre o Rock in Rio na UOL...
Mas fica difícil desviar o assunto quando a gente toma conhecimento de que uma coisa que você ama não existe mais.
Foi através do Silvio Essinger que recebi a notícia de que o R.E.M. estava se separando. Já escrevi algumas vezes sobre as bandas da minha vida. E elas são quatro (sem ordem de preferência): Beatles, Legião Urbana, Queen e R.E.M..
Foi um grande baque. Praticamente a notícia da morte de alguém que gosto muito.
O R.E.M. embala minha vida já faz alguns anos.

A minha paixão com o R.E.M. começou mesmo com “Document” (1987). Aprendi um pouco de inglês decorando a letra de “It’s the end of the world, as we know it (And I feel fine)”. Até hoje berro “Right!!” mais alto do que o Michael Stipe. Pode apostar!
Depois de “Document”, em uma viagem aos Estados Unidos, comprei o “Green” (1988) e a coletânea “Eponymous”, do mesmo ano.



O “Green” ficou jogado de lado, confesso. Eu chapei com as músicas de início de carreira do R.E.M. presentes no “Eponymous”. “Gardening at night”, “So. central rain”, “Driver 8”, “Fall on me”... Aquilo teve uma importância na minha vida que eu comparo com a primeira vez que ouvi o “Greatest hits” (1981) do Queen, ou uma coletânea dos Beatles, que não me lembro o nome, com 20 sucessos, que ia de “She loves you” a “The long and winding road”, ou ainda o “Dois”, da Legião Urbana.



Naquele álbum, o R.E.M. apresentava um som diferente, que eu nunca tinha escutado antes. Eu me surpreendi. E por isso me apaixonei. Próxima missão: correr para a importadora mais próxima e encomendar “Murmur” (1983), “Reckoning” (1984), “Fables of the reconstruction” (1985) e “Lifes rich pageant” (1986).


Três anos depois, a explosão mundial. Usando duas expressões horrorosas, o R.E.M. deixava de ser indie para integrar o mainstream. Invadiu a MTV e vendeu milhões de cópias daquele álbum de capa amarela e que tem uma música chamada “Losing my religion”. Na entrega do VMA’s, da MTV, Michael Stipe nem conseguia carregar tanto troféu.
Dependendo do ponto de vista, foi a glória.



E eu acho que foi mesmo.
E foi porque o R.E.M. não se vendeu depois do imenso sucesso. Pelo contrário. Quando teve a chance de lotar shows com uma “Out of time tour”, o grupo preferiu se trancar em estúdio para gravar a sua obra-prima, que atende pelo nome de “Automatic for the people” (1992). Aquilo lá podia muito bem ser uma coletânea de sucessos. Ao jeito do R.E.M., diga-se. O primeiro single do álbum, “Drive”, é uma das músicas mais estranhas (e belas) compostas pelo conjunto. E o que dizer de “Everybody hurts”, “Nightswimming” e “Find the river”, certamente as baladas mais bonitas dos anos 90?? Ah, também tinha “Man on the moon”, uma loucura deliciosa que misturava no mesmo saco Andy Kaufman, Mott The Hoople, Charles Darwin e Moisés.



E que tal uma turnê monstruosa para divulgar “Out of time” e “Automatic for the people”?
Lógico que o R.E.M. nem pensou em pisar no palco.
O estúdio era mais aconchegante. E de lá a banda saiu com “Monster” (1994), o seu álbum mais pesado, criticado à época do lançamento, mas hoje considerado “cult”. Mas quem ouviu o disco com atenção, logo que ele foi lançado, já pôde reparar a beleza por trás de pedradas como “Bang and blame” e “Circus envy”. Eu estava nos Estados Unidos quando esse álbum saiu, e o comprei no dia do lançamento. Tinha a esperança de ver algum show da turnê norte-americana, que ia começar alguns meses depois, quando voltaria aos EUA. Mas o baterista Bill Berry sofreu um colapso durante um show na Suíça, consequência de um aneurisma cerebral. Ele acabou deixando o conjunto, e a turnê, tão aguardada, teve que ser adiada por alguns meses. Um parêntese: quem abriu os shows da “Monster tour” foi ninguém menos que o Radiohead.



Os álbuns seguintes foram “New adventures in hi-fi” (1996) e o delicado “Up” (1998). Do primeiro destaco “New test lepper” (dos versos “I can’t say that I love Jesus / That would be a hollow claim”) e “E-bow the letter” (com o luxuoso vocal de Patti Smith). Já “Up” é um capítulo a parte. Provavelmente foi o CD que mais ouvi na minha vida. Eu demorei três dias só para digerir “Airportman” e pular para a segunda faixa. Aquilo lá era coisa muito séria, que atinge o seu esplendor máximo em “Sad professor”, cuja letra retrata, de modo brilhante, a vida de um alcoólatra.
Mas “Up” me deixou com muita raiva. Raiva de nunca ter assistido um show do R.E.M. ao vivo. Aquilo tudo lá ficava restrito aos DVDs, e eu tinha quase que a absoluta certeza que nunca ia assisti-los ao vivo.



No final do ano 2000, a grande alegria: o R.E.M. estava confirmado para fechar a segunda noite do Rock in Rio.
E, como não poderia deixar de ser, a apresentação foi antológica. A turnê de “Up” já havia sido oficialmente encerrada. Então, o R.E.M. aproveitou para fazer um tour de force em seu repertório, apresentando músicas de praticamente quase todos os seus álbuns, incluindo duas inéditas, que viriam a ser lançadas no CD “Reveal” (2001): “She just wants to be” e “The lifting”. A banda chegou com uma semana de antecedência ao Rio e se trancou em um estúdio durante sete dias para ensaiar um grande número de canções, para poder escolher o melhor setlist possível para o show.



E logo no início da apresentação, o R.E.M. já mostrou que o show seria aquilo que os fãs, que nunca haviam visto a banda em cima de um palco anteriormente, queriam: uma verdadeira coletânea de sucessos ao vivo. A primeira canção foi “Finest worksong”, de “Document”. E outras músicas que o público brasileiro nem sonhava ouvir ao vivo estiveram presentes no repertório de 19 canções. Foram os casos de “Fall on me”, “Stand”, “So. central rain”, “Find the river” e “Pop song 89”. Também rolaram sucessos como “What’s the frequency, Kenneth?”, “The one I love” (durante a qual o vocalista Michael Stipe se jogou no meio do público), “Man on the moon”, “Everybody hurts” e, claro, “Losing my religion”. E ainda teve aquele final apoteótico com “It’s the end of the world”, que levantou poeira até quase a altura da Lua, que, diga-se, brilhou lindamente naquela noite.



Além do show, a grande recordação dessa “primeira vez” com o R.E.M. foram os autógrafos que peguei de Michael Stipe, Mike Mills e Peter Buck, na porta do Copacabana Palace.

“Reveal” saiu e, em 2004, foi a vez de “Around the sun”, quase um consenso entre os fãs da banda quando chega a hora de apontar o pior trabalho do R.E.M.. Eu concordo. O álbum não é ruim (não dá para chamar de ruim um disco com faixas como “I wanted to be wrong” e “Boy in the well”), mas, comparativamente, é, de fato, o mais fraco da banda.
A ressurreição veio em “Accelerate” (2008), no qual o R.E.M. retornava às origens, com canções tão curtas quanto um tiro. “Living well is the best revenge” e “I’m gonna DJ” não me deixam mentir.



Daí veio mais uma imensa turnê e que eu tive a sorte de ver quatro vezes. A primeira no dia 19 de junho de 2008, no Madison Square Garden, em Nova York (poster do show abaixo). Era o meu aniversário de 29 anos. E não podia comemorar de forma melhor. Tudo bem, faltou “Imitation of life”, mas teve “Begin the begin”, “These days” e “Disturbance at the heron house”. Johnny Marr ainda subiu ao palco para dar uma canjinha em “Fall on me”. E a abertura coube ao The National, talvez o sucessor do R.E.M..

Depois, vi o show na HSBC Arena, no Rio de Janeiro. E, sim, dessa vez teve “Imitation of life”. E ainda “Exhuming McCarthy”, “Nightswimming” e “Sweetness follows”. Os dois shows na semana seguinte, na Via Funchal, em São Paulo, eu arrisco dizer que foram os dois melhores que já vi (juntamente com “O descobrimento do Brasil”, da Legião Urbana, em outubro de 1994, no Metropolitan, e a apresentação do Paul McCartney, no ano passado, no Gigante da Beira-Rio, em Porto Alegre). Michael Stipe estava com a corda toda. No primeiro show, em “Bad day”, fiquei fazendo sinal para ele me jogar a gaita. Ele apontou em minha direção, jogou e... o cara que estava na minha frente deu um salto mortal e a pegou. Na segunda apresentação, durante “The one I love”, eu estava bem na grade, e, Michael Stipe na minha frente. Sabendo que ele gosta de se jogar no meio da galera durante essa canção, comecei a fazer um sinal como quem diz: “é a hora!”. Pode ser pretensão minha achar que ele se jogou na plateia porque eu “mandei”, mas a verdade é que, dois segundos depois, Stipe estava cuspindo na minha frente, e eu com a mão na careca dele, sem a menor cerimônia. Quando chegou a vez de “Man on the moon”, a derradeira do set list, mal poderia imaginar que aquela ia ser a última vez que via o R.E.M. ao vivo.



No dia 08 de março desse ano, saiu “Collapse into now”. Minha importadora conseguiu que o CD chegasse ao Brasil no exato dia do lançamento lá fora. Como sempre, parei tudo para escutar o álbum. E que discaço! Só a primeira música, “Discoverer” já valia o álbum inteiro. Assim como acontecera em “Accelerate”, o R.E.M. voltava a gravar um álbum cru, com canções rápidas, casos de “All the best” e “Mine smell like honey”. Também tem uma balada que considero a música mais bonita de 2011: “Oh my heart”. E o que dizer de “Blue”, com a participação (mais uma vez) da fenomenal Patti Smith??
Após “Blue”, os primeiros acordes de guitarra de “Discoverer” voltam a soar. Como se mandasse o recado: “escute tudo de novo”.



Lógico que eu escutei.
E continuo escutando.
Até ontem, o R.E.M. era a maior banda de rock do mundo em atividade.
Hoje, ela se junta aos Smiths, aos Beatles, ao Led Zeppelin, ao Police e a tantas outras.
O R.E.M. virou História.
Aliás, quem disse que o R.E.M. já não era História?

“Para aqueles que já se sentiram tocados por nossa música, nosso mais profundo agradecimento.”

E o meu também, Michael, Peter, Mike e Bill.

21 de set. de 2011

RIP R.E.M.

O R.E.M. era a melhor banda de rock do mundo em atividade. Até poucas horas atrás.

Que descanse em paz!

6 de set. de 2011

Roger Waters, 68; “O inferno é fogo”, 20; a trilha sonora de Woody Allen; a pequena fortuna de Amy Winehouse; e a nova música do Noel Gallagher.



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Eu vou confessar que uma das coisas mais divertidas nesse blog é escolher a música do dia. E eu fico muito feliz quando posso relembrar algumas coisas que estavam meio esquecidas aqui nessa cachola tão maltratada. E hoje eu acordei com umas músicas dos Mutantes na cabeça (será que é porque estou indo a São Paulo??), especialmente “A hora e vez do cabelo crescer (Cabeludo patriota)”. Já sei qual vai ser a trilha sonora do dia...

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Quem completa 68 anos hoje é o grande Roger Waters. Estou impressionado com o sucesso de venda de ingressos da sua turnê “The wall”, em Buenos Aires. O Cara já está marcando o oitavo show no Estádio do River Plate. Acho que nem Madonna ou Paul McCartney teriam tanto público assim. Eu fico imaginando se a turnê ainda contasse com os sobreviventes do Pink Floyd. Acho que vinte shows não seriam o suficiente. Tomara que esse sucesso se repita aqui no Brasil. E só para dar uma palhinha do que a gente vai ver nessa nova turnê de Roger Waters, segue “Mother”, uma de suas muitas obras-primas:



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O guitarrista do a-ha, Pal Waaktaar-Savoy, também comemora aniversário hoje. Nada menos do que 50 anos. O a-ha é um daqueles típicos casos de “ame-o ou deixe-o”. Aqui no Brasil, a banda norueguesa encontrou um de seus públicos mais fiéis. Tanto que, volta e meia, ela aparece (aparecia) por aqui. Agora, ao que tudo indica, a banda acabou de vez. Saiu até o DVD/BD/CD com o (bom) show de despedida em Oslo. Eu não amo e nem odeio o a-ha, mas acho que a banda foi uma das que melhor representou o som dos anos 80. Para o bem e para o mal.



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Rodrigo Amarante, guitarrista e compositor do Los Hermanos, da Orquestra Imperial e do Little Joy também faz aniversário hoje. Amarante nasceu há 35 anos, e a gente comemora aqui com uma das músicas prediletas dos fãs do Los Hermanos...



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Foi no dia 06 de setembro de 1991, que Lobão colocou nas lojas “O inferno é fogo”, um de seus álbuns mais incompreendidos e, na minha opinião, um dos melhores de sua discografia. À época, Lobão estava cuspindo fogo (nenhuma novidade) em pedradas como “Presidente Mauricinho” (homenagem a quem??), “Bangu 1 x 0 Polícia”, “Jesus não tem drogas no país dos caretas” e a faixa-título. Uma pena que esse álbum esteja fora de catálogo. Lobão ainda deve uma reedição decente de sua obra completa.



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Um dos álbuns que mais tenho escutado ultimamente é “Woody Allen & la musique – De Manhattan à Midnight in Paris”. Se você quiser participar de uma discussão interminável, basta sentar numa mesa de bar e mandar a seguinte pergunta: “Qual é o melhor filme de Woody Allen”? Eu não sei ao certo. Talvez fique com “Manhattan” ou “A rosa púrpura do Cairo”. Com relação às trilhas sonoras, aí a coisa já fica mais complicada. Woody Allen sempre tem muito cuidado ao selecionar as músicas que compõem os seus filmes. Essa coletânea dupla, que chega agora às lojas brasileira, seleciona 36 faixas de 21 filmes diferentes, de “Manhattan” (1979) ao último, “Meia-noite em Paris” (2011). A trilha transita entre o jazz de Duke Ellington, Benny Goodman e Errol Garner, e o clássico do tenor Enrico Caruso e do maestro Arturo Toscanini. Ainda há espaço para Billie Holiday, Fred Astaire e Louis Armstrong. Até mesmo Carmen Miranda comparece com “South american way”, da trilha do filme “A era do rádio”, de 1987. O único “problema” desse CD é que, após escutá-lo, você vai ficar com vontade de rever vários filmes do Woody Allen. Pode reservar um bom tempo na sua agenda...



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DROPS:





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Vamos ver as novidades de vídeos que temos por hoje:

A nova música de Noel Gallagher, “AKA... What a life!”:



O videoclipe da nova música do The Kooks, “Rosie”:

5 de set. de 2011

Os 65 anos do inigualável Freddie Mercury; os 20 da explosão do R.E.M.; o novo álbum do Red Hot; Prince caloteiro?; o novo videoclipe do Foo Fighters.



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Eu sei que esse blog andou meio largado nos últimos dias. Mas, acredite, ando sem tempo até de respirar. Muita coisa acontecendo, livro nas lojas, entrevistas de divulgação... Mas hoje arrumei um tempo para tentar colocar alguma ordem nisso aqui. Nesse fim de semana, aproveitei para ver uns DVDs que já estavam cobertos de poeira. Relembrei muita coisa. E o DVD mais marcante que vi foi o “Familiar to millions”, do Oasis. Não colocava esse vídeo para rodar fazia uns, sei lá, quatro, cinco anos... E como ele é bom, viu? Deu até para sentir o cheiro da cerveja naquele estádio de Wembley...

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E hoje eu tenho um motivo mais do que especial para não deixar de atualizar o blog. Isso porque nesse dia 05 de setembro, comemoramos os 65 anos do nascimento do Freddie Mercury. Sessenta e cinco! Já parou para pensar se ele estivesse vivo? Será que ainda teria pique para fazer aqueles shows antológicos?? Eu não tenho dúvida que sim. Em um exercício mais louco de imaginação, eu até pensei em um show do Queen nesse novo Rock in Rio, que começa daqui a poucos dias... A impressão que eu tenho é a de que o Freddie Mercury estaria com a mesma cara hoje em dia, cantando do mesmo jeito, e levantando os estádios mundo afora... Ah, que saudade!!



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Ah, agora eu vou ter que relembrar o Queen no Rock in Rio... Alguém estava lá??



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No dia 05 de setembro de 1991, o R.E.M. atravessava a fronteira entre o indie e o mainstream. Hoje, essa classificação de indie e maistream é praticamente inexistente. Mas em 1991, essa fronteira era imensa. E o R.E.M. alcançou um sucesso sem precedentes com a música “Losing my religion”, presente no álbum “Out of time” (1991). O videoclipe rodou alucinadamente na MTV, e, há exatos 20 anos, o conjunto de Michael Stipe, Mike Mills, Peter Buck e Bill Berry papava seis estatuetas do Video Music Awards, da MTV, incluindo o de melhor vídeo do ano. Bons tempos em que valia a pena ficar na frente da televisão vendo um VMA...



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E hoje faz 15 anos que o Jota Quest colocou nas lojas o seu primeiro álbum – excluindo um independente, lançado em 1995. À época, a banda se chamava J. Quest, e o álbum, auto-intitulado, vendeu bastante (hoje acumula 200 mil cópias vendidas), a reboque de sucessos como “As dores do mundo”, “Encontrar alguém” e “Vou pra aí”. Por conta de sua sonoridade, menos pop do que a atual, e mais puxada para o soul, muitos fãs consideram esse álbum o melhor do Jota Quest. Eu estou nesse grupo.



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Com um certo atraso, estou ouvindo o ultimo álbum do Red Hot Chili Peppers. A capa de “I’m with you”, certamente, é a mais bacana do ano. Mas e o disco? Bom, em resumo, eu acho que está abaixo da média da banda, mas acima de muita coisa que tem sido lançada nesses últimos anos. Eu fiquei com uma impressão, pelo menos nessa primeira ouvida, que a banda perdeu um pouco da “alegria” que está bem latente em álbuns como “Californication”(1999) e “By the way” (2002). Parece que o grupo ficou mais sério, mais adulto, não sei se por conta da saída do guitarrista John Frusciante. Aliás, que falta ele faz. Para quem pensa que só um vocalista é insubstituível em uma banda, é bom dar uma escutada em “I’m with you”. A sensação é de que está faltando alguma coisa. E está mesmo. “I’m with you” ainda assim é superior ao gorduroso “Stadium arcadium” (2006). O novo álbum segue uma receita comum nos últimos trabalhos do RHCP, com algumas músicas esculpidas para o sucesso, casos de “Police station”, “Happiness loves company” e o primeiro single, “The adventures of rain dance Maggie”. Mas a melhor faixa mesmo é “Goodbye Hooray”, mais pesada, e com um super trabalho do baixista Flea. Acredito que “I’m with you” ainda pode crescer muito no palco, ainda mais ao lado dos sucessos antigos do Red Hot Chili Peppers. Sorte de quem conseguiu comprar ingresso para o próximo dia 24.



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DROPS:











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Vamos ver as novidades de vídeos que temos por hoje:

O novo videoclipe do Foo Fighters, “Hot buns”:



Eu estava me lembrando da história, que conto no livro do Rock in Rio, que Dave Grohl, quando tocou aqui no Rio de Janeiro em 2001, se hospedou no hotel sob o pseudônimo de Freddie Mercury...


A nova música do Justice, “Audio, vídeo, disco”, em sua versão oficial:



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Ah, e vamos finalizar com ele, mais uma vez??


29 de ago. de 2011

Lançamento do livro "Rock in Rio - A história do maior festival de música do mundo"


Espero vocês lá na quarta!!
(Para ler melhor, basta clicar na imagem)

26 de ago. de 2011

Comemorando Blur, Coldplay e Bob Dylan; Keith Richards já vendeu um milhão (de livros!!); e o novo DVD do Arctic Monkeys.



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E como vamos começar essa sexta-feira, hein? Com Branford Marsalis, que faz 51 anos hoje. Branford é o irmão mais velho de Wynton Marsalis, sobre o qual escrevi ontem, comentando o lançamento do seu CD/DVD ao vivo ao lado do Eric Clapton. O trabalho que eu mais gosto do Branford é a sua versão ao vivo (saiu em CD e em DVD) para o “A love supreme”, do John Coltrane. Ficou quase tão bom quanto o original. Não é muito fácil de achar, mas vale a penas correr atrás. O vídeo abaixo dá uma palhinha:



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Parece que foi ontem, mas hoje já faz 20 anos que “Leisure”, o álbum de estreia do Blur chegou às lojas. Foi uma estreia e tanto, diga-se. O início com “She’s so high” é a senha de que uma grande banda está surgindo. Hoje está cada dia mais difícil acontecer algo desse tipo. Para mim, o Blur foi uma das últimas grandes bandas de rock. Será que estou ficando velho??



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E hoje também faz nove anos que o Coldplay lançou o seu segundo álbum, “A rush of blood to the head”. Eu sempre gostei do Coldplay. Sério! Virou onda falar mal da banda, mas eu acho que ainda é das melhores coisas que surgiram nos últimos anos. Quando o Coldplay lançou o “Viva la vida”, a crítica desceu o pau, classificando-o como pretensioso e tal. Era a U2zação do Coldplay. Eu adorei o álbum. Pode procurar a resenha aqui no blog. Agora, não sei o motivo – a banda nem lançou disco novo –, virou mania falar bem do Coldplay. Acho que foi porque eles participaram dos festivais de Glastonbury e Lollapalooza. Eu ainda gosto bastante do Coldplay, mas confesso que tenho saudades dos tempos de “A rush of blood to the head”. Era uma época em que a banda não lotou nem o Citibank Hall do Rio (capacidade para cerca de dez mil pessoas). Agora, vai tocar para 100 mil pessoas no Rock in Rio, com ingressos esgotados em dois dias...



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Outro disco legal para a gente ouvir hoje: “Modern times”, o melhor disco que Bob Dylan lançou nos anos 2000. Hoje faz cinco anos que o álbum chegou às lojas. Eu arrisco dizer que é um dos três melhores de sua carreira, ao lado do “Blonde on blonde” (1966) e do clássico dos clássicos “Time out of mind” (1997).



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DROPS:




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Vamos ver as novidades de vídeos que temos por hoje:

O trailer do novo DVD do Arctic Monkeys, gravado em Sheffield, ainda sem data de lançamento:



“Karma”, o primeiro videoclipe do novo álbum de Joss Stone, “LP 1”:



“What you were”, faixa inédita do The Drums:


25 de ago. de 2011

Os 60 de Halford e os 40 de Takai; “Unknown pleasures” ao vivo; Noel elogia (?!?) Coldplay; George Michael volta aos palcos; e “Back to black" campeão



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Em primeiro lugar, peço mil vezes perdão pela ausência nos últimos dias, mas ando sem tempo para nada, por conta do lançamento do livro. Fico satisfeito e agradeço a quem já comprou e leu o livro. O carinho que já estou recebendo de alguns leitores é impressionante. E eu agradeço demais. Hoje o dia começou com Legião Urbana cantando “Soldados” por um motivo nobre e justo. Hoje é o Dia do Soldado, comemorado no aniversário do Duque de Caxias. Fica aqui a minha homenagem a esses bravos heróis.

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E já que falei no livro, espero vocês na Livraria Argumento, no Leblon, no próximo dia 31/08 (quarta-feira), às 19 horas. Quem quiser comparecer, será super bem-vindo...


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E como um assunto vai puxando o outro, hoje é dia de dar os parabéns a Rob Halford, que tocou com o Judas Priest no Rock in Rio de 1991, e solo, em 2001. Eu tive a felicidade de estar presente nos dois dias, e foram dois showzaços. O de 2001, um pouco mais frio. Acho que o Judas fez falta a Halford. Mas o de 91 foi inesquecível. Ficou até difícil para o Guns n’ Roses se apresentar após o Judas Priest e o Megadeth. No dia 11 de setembro, estarei lá no Citibank Hall (Rio de Janeiro) para prestigiá-lo novamente. Hoje, o nosso grande Halford completa 60 anos.



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E sabe quem faz 67 anos hoje? O Elvis Costello, que furou com os fãs brasileiros nesse ano. Meu ingresso já estava até comprado e foi uma enorme decepção. Tomara que ele compense a ausência em breve. O seu show no Free Jazz Festival de 2005, dizem (eu não estava lá), foi muito especial.



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E a nossa queridíssima Fernanda Takai sopra 40 velinhas hoje. Quem não é fã do Pato Fu é mal humorado. Uma das bandas mais inventivas e originais que surgiram nos anos 90, o Pato Fu grava discos acima da média e sempre muito diferentes – vide o último, “Música de brinquedo” (2010), apenas com instrumentos de brinquedo. Aliás, o DVD foi filmado... Quando é que vai ser lançado?



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E, atenção… Você sabe qual novela estreava exatos 25 anos atrás?? A sua mãe deve se lembrar bem...



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Hoje também faz 25 anos (quantas efemérides legais, né??) do lançamento de “Vivendo e não aprendendo”, o grande clássico do Ira!. O álbum tem muitas músicas legais, mas em termos de sucesso, nada pode ser comparado a “Flores em você” (escrita por Edgard e sua namorada Taciana Barros, em homenagem a Julio Barroso), que, com um belo arranjo para um quarteto de cordas, idealizado por Jacques Morelenbaum, acabou sendo eleita a faixa de abertura da novela global “Os outros”, estrelada por Francisco Cuoco, e que passava no horário das oito da noite. Quer saber mais sobre o disco? Clica aqui. Escrevi esse texto faz uns três anos, e acho que ele explica bem o sucesso de “Vivendo e não aprendendo”. Melhor do que ficar repetindo aqui...



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Estou ouvindo repetidamente o “Unknown pleasures”, não o clássico do Joy Division, mas sim uma nova versão ao vivo, com o superbaixista Peter Hook (original do Joy Division) e sua banda. A gravação ao vivo, realizada na Austrália, é cristalina, e os caras mandam muito bem - tanto que já providenciei o vinil. Não superou o original, mas ganhou um peso legal e uma certa revitalizada. É um “Unknown pleasures” meio que atualizado, mas sem perder a força, ou, mais ainda, o halo. Além de todas as faixas do “Unknown pleasures”, esse ao vivo (que pena que não saiu em DVD...) ainda conta com sucessos da banda que não estão presentes nesse disco, como as quatro primeiras (“No love lost”, “Leaders of men”, “Glass” e “Digital”) e as duas últimas (“Transmission” e o clássicos dos clássicos dark “Love will tear us apart”). Mas o bom mesmo é escutar “Unknown pleasures” na íntegra, em sua ordem original. Os primeiros acordes de “Disorder” soam como mágica. Senti-me na Hacienda, a casa do JD, em Manchester. O baixão de “Candidate” faz até revirar o estômago, no bom sentido, claro. “She’s lost control” dispensa qualquer comentário. E “I remember nothing”... Ah, “I remember nothing”... Um tributo a altura desse que é um dos álbuns que melhor traduz a transição do rock entre os anos 70 e os 80.



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Vamos ver as novidades de vídeos que temos por hoje:

George Michael desiste de aposentadoria, e inicia turnê em Praga com homenagem a Amy Winehouse:



O trailer do documentário que Martin Scorsese filmou sobre George Harrison:



A versão dos Vaccines para “Last Friday night”, da Katy Perry:



Já a versão do Wilco para “I love my label”, do Nick Lowe, ficou bem mais bacana…



A nova música do Florence + The Machine, “What the water gave me”:



O novo videoclipe de Marcelo Jeneci, “Felicidade”:



Kanye West apresenta versão de 20 minutos de “Runaway”, em festival na Polônia:


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Olha só a capa do novo álbum do rapper norte-americano Curren$y. Se a família do Cartola tiver mesmo autorizado, a homenagem é bacana...

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Hoje eu li que “Back to Black”, da Amy Winehouse, se tornou o álbum mais vendido desse século. Não chega a ser uma surpresa. Mesmo com a queda da venda de discos, a cantora britânica sempre vendeu muito. A sua morte engatilhou uma corrida imensa às lojas. Basta entrar em qualquer uma aqui no Rio de Janeiro para ver os CDs e DVDs de Amy Winehouse com o maior destaque possível. Eu fico me perguntando se essa marca será batida nesse século. E a resposta, pelo menos para mim, é não. “Back to Black”, antes da morte de Amy, já era um marco. Ouvi muita gente que eu respeito dizer que esse disco é o “Nevermind” dos anos 2000. Acho que não chega a tanto. Mas é impressionante a sua qualidade. A impressão que se tem é que todas as suas músicas são imensos sucessos. Embora tudo isso tenha acontecido em grande parte por conta do modo de vida, digamos, peculiar, de Amy Winehouse, ainda temos que concordar que ela era uma grande artista. Não sei como seria o seu terceiro álbum. Certamente não manteria o mesmo nível do segundo. De repente, corria até mesmo o risco de a cantora desaparecer aos poucos, tendo em vista a sua vida não muito regrada. A sua morte prematura fez com que ela se transformasse em um mito. E a vendagem de “Back to black” é a prova viva disso.

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Agora que você já leu tudo o que escrevi hoje, para terminar, o pior cover de todos os tempos, eleito pelos leitores da Rolling Stone norte-americana:



Desconfio que, pelo menos dessa vez, eles têm razão...