31 de jul de 2010

A parada em Tampa da turnê de verão da Dave Matthews Band

Anteontem fui ver aqui em Tampa o show da Dave Matthews Band. Além de ser uma das bandas que mais admiro, sempre tive curiosidade de assistir um show dela nos Estados Unidos, onde é idolatrada. E vê-la ao vivo aqui ainda me dá mais certeza disso. Tive a oportunidade de assistir ao show do Oasis na Inglaterra – a gravação do DVD/CD “Familiar to millions”, no estádio de Wembley, em 2000 – e a adoração da DMB aqui nos EUA pode ser comparada a dos irmãos Gallagher na terra da rainha.
O show aconteceu no 1-800-ASK-GARY Amphitheatre (antigo Ford Amphitheatre), que fica dentro de um complexo bacana com lojas, bares e cinemas. Cheguei umas duas horas antes do início da apresentação, marcada para as 19h. Os portões ainda estavam fechados, mas a fila já se formava. Na hora em que liberaram as roletas, um bando de maluco saiu correndo para ficar bem na frente na pista.


O anfiteatro é bem parecido com o Susquehanna Bank Center, onde vi o show do Rush na semana passada, em Nova Jersey. Ele é aberto no fundo, cheio de cadeiras numeradas (cobertas por uma imensa tenda), com uma pequena pista na frente do palco. No fundão, em um gramado verde, muita gente estendeu as suas cangas ou alugou cadeiras de praia, para ver o show pegando sol – é estranho, mas os americanos adoram fazer isso, podem acreditar. A banda de abertura, Gov’t Mule (formada em 1994 pelo guitarrista Warren Haynes, da The Allman Brothers Band, o baixista Allen Woody, e o baterista Matt Abts), mostrou um rock arrojado, mas um pouco cansativo. Ela tocou por 45 minutos, e, às 20h30, a Dave Matthews Band entrou no palco, ainda com o sol se pondo, o que criou um visual lindo.


A turnê de verão da DMB é uma instituição nos Estados Unidos. E o fato de a banda ter anunciado que a tour não vai rolar em 2011 fez com que os ingressos para quase todas as apresentações se esgotassem em poucos dias. Como acontece show quase todo dia nesse mês de julho, a banda não se preocupa muito com cenários, efeitos, enfim, esses detalhes que muita gente que não se garante na música usa e abusa. Nos shows da DMB, o “único” suspense é o setlist, que varia sempre. Ou seja, não há a mínima garantia que eles vão mandar “Two step” ou “Jimi thing” na mesma apresentação. Resta torcer para que as suas músicas prediletas façam parte do roteiro. Apesar de ter faltado “Ants marching”, acho que dei sorte aqui em Tampa. Até mesmo porque não é todo dia que a DMB inicia um show com a dobradinha “Proudest monkey” / “Satellite”.


No palco, além da banda, apenas cinco telões, não muito grandes, de alta definição – dois quadrados na mesma altura da banda, e mais três retangulares, acima, e que juntos formavam uma boa imagem do conjunto ou então transmitiam imagens psicodélicas. No roteiro, a DMB privilegiou músicas antigas e mais novas. Os saudosistas devem ter ficado satisfeitos com coisas como a longuíssima versão (como de costume) de “Warehouse”, ou então “Crush”, “Crash into me” e “Jimi thing”. E o legal também é que as músicas de “Big Whiskey and the GrooGrux King” não ficaram de fora, como “You and me”, “Why I am” e “Seven”. A última música do show (“Shake me like a monkey”), inclusive, também era do último álbum da banda.


Quando me programei para ver essa tour de verão da Dave Matthews Band, eu esperava um “show do disco novo”. Nos três shows que vi no Brasil, tive a oportunidade de ouvir os grandes sucessos da banda. Aqui foi diferente, pelo fato de todo verão rolar a tal turnê. Fiquei satisfeito. Até mesmo porque nos shows que acontecerão em outubro no Brasil, certamente, não vão faltar “Two step”, Ants marching”...
Eu sempre digo que a melhor coisa da vida é ser surpreendido. E acho que a minha empatia com a DMB vem daí. Ela sempre me surpreende. E faz valer cada centavo que você paga em um show. Aqui em Tampa foram duas horas e meia de apresentação. Espero que no Rio de Janeiro sejam três horas e quarenta minutos, como aconteceu em 2008.



Setlist:
1) “Proudest monkey”
2) “Satellite”
3) “Big eyed fish”
4) “Bartender”
5) “Stay or leave”
6) “Seven”
7) “Funny the way it is”
8) “So damn lucky”
9) “You and me”
10) “Dancing nancies”
11) “Warehouse”
12) “Crush”
13) “Black Jack”
14) “Still water”
15) “Don’t drink the water”
16) “Crash into me”
17) “Why I am”
18) “Jimi thing”
19) “Sister”
20) “Shake me like a monkey”

27 de jul de 2010

The Cleaners lançam álbum hoje no Studio SP

Sempre dá para descobrir algo legal pelo twitter. Outro dia, recebi uma mensagem de um cara, para que eu conhecesse o som de sua banda, The Cleaners. De cara, achei o trabalho da banda muito bacana. A partir de hoje, eles estão disponibilizando para download no MySpace, a primeira música de trabalho, "Daily round Pt. 1". O nome do álbum é "Behind the truth", e já nessa semana, estará no Pleimo.com para download e audição de trechos das músicas. No mês que vem, sai a versão física do álbum. E hoje rola um show do The Cleaners, no Studio SP, na rua Augusta, 591, em São Paulo, às 22h, com entrada franca. Recomendo.

26 de jul de 2010

Ultraje a Rigor e Jorge Ben voltam ao vinil

Já tem algumas semanas, eu escrevi aqui sobre o relançamento de alguns álbuns clássicos nacionais por parte da Polysom. O negócio é o seguinte: a fábrica de discos fez acordo de licenciamento com algumas gravadoras, e criou o selo "Clássicos em vinil". Os dois primeiros lançamentos (prometidos para julho) serão "Africa Brasil", de Jorge Ben, e "Nós vamos invadir sua praia", do Ultraje a Rigor.
A Polyson promete ainda para 2010 os vinis de "A tábua de esmeralda" (Jorge Ben), "Todos os olhos" e "Estudando o samba" (Tom Zé), os dois de estúdio dos Secos e Molhados, além de "Cabeça dinossauro" e "Jesus não tem dentes no país dos banguelas" (Titãs).
Segundo a Polyson, "todos os discos da série terão edição limitada e serão produzidos com 180 gramas de vinil. Os áudios foram remasterizados dos tapes originais, assim como as artes também reproduzem o projeto gráfico original. O pacote é selado com um belíssimo adesivo dourado e preto criado especialmente para a série".
Só resta saber se cada vinil custará 80, 90 paus, como tem acontecido. Talvez se custasse menos, mais gente se animaria a comprar.

23 de jul de 2010

A máquina do tempo do Rush (em Nova Jersey)

Eu me lembro que quando o Pink Floyd saiu em turnê em 1994 para promover o álbum “The division bell”, o que achei mais fantástico foi o fato de a banda ter apresentado o álbum “The dark side of the moon” na íntegra. Agora é a vez do Rush sair em turnê para mostrar a íntegra do “Moving pictures” (1981), o álbum de maior vendagem da história do trio canadense.


Ontem, fui ver o show dessa “Time machine tour” no Susquehanna Bank Center na cidade de Camden, que fica na fronteira de Nova Jersey com a Filadélfia. O local é bem bacana. É um anfiteatro coberto, com cadeiras numeradas, e, atrás, uma imensa área verde com ingressos mais baratos. A galera aluga cadeiras tipo de praia e fica curtindo o show enquanto pega um bronze – e parece que o americano adora esse tipo de programa. Um parêntese: acho que 90% da plateia estava com camisa do Rush.


Marcado para as 19h30, a banda subiu ao palco com 15 minutos de atraso e começou o show com o dia bem claro ainda. Como acontece rotineiramente nas últimas turnês do Rush, o show começou com um vídeo bem bacana. Dessa vez, mostrando a banda fantasiada desde os tempos da caverna até atualmente. E “Spirit of radio” rolava no telão com arranjos bizarros. Até que Neil Peart, Geddy Lee e Alex Lifeson surgiram no palco mandando a mesma música ao vivo. O som, reguladíssimo, estrondou. O cenário era todo em um estilo vintage, da bateria de Neil Peart àquelas espécies de lavadoras de roupa que sempre fazem parte do palco da banda canadense. O telão em alta-definição também mostra imagens da banda com molduras de aparelhos antigos de televisão.


No primeiro set, o Rush fez um apanhado da carreira, com músicas que são apresentadas em quase todas as suas turnês (“Free Will”, “Subdivisions”, “Workin’ them angels”) misturadas a outras que estavam de fora dos setlists havia anos, como “Marathon” (a mais aplaudida dessa primeira metade de show), a linda “Time stand still” e “Presto”. O momento bom para ir ao banheiro ou comprar cerveja foi durante “Faithless”, que Geddy Lee disse que entrou no roteiro porque ficou de fora da última turnê, “Snakes & arrows” – “não tivemos tempo ou esquecemos de incluí-la no roteiro”, explicou.


Após um intervalo de uns 15 minutos – aliás, como são bons esses intervalos –, o Rush voltou com a sua carta na manga que todo mundo queria ouvir: a íntegra de “Moving pictures”. Mais um vídeo engraçadinho foi a deixa para “Tom Sawyer”. Em seguida, veio o álbum todo, na mesma ordem, executado com precisão cirúrgica: “Red barchetta”, “YYZ”, “Limelight”, “Camera eye”, “Witch hunt” e “Vital signs”. “YYZ”, de longe, foi o momento que a galera mais gostou. Ninguém “cantou” a música, que nem os brasileiros enlouquecidos no DVD gravado ao vivo no Maracanã, mas, mesmo assim, deu pra sentir uma comoção diferente.


O show até poderia ter acabado em “Vital signs”, mas o Rush ainda emendou com a nova “Caravan”, que fará parte do álbum “Clockwork angels”, que deve sair até o final do ano. “B2UB”, que também fará parte do álbum, foi apresentada no primeiro set. Com “Love 4 sale”, “Closer to the heart”, a dobradinha “2112 Overture” / “Temples” e “Far cry”, o show terminou. Destaque para “2112 Overture”, música instrumental esperta que durou uns bons 12 minutos no show.


No bis, mais uma porrada instrumental (“La villa strangiato”), além de “Working man”, música bem apropriada para uma banda que não para de fazer shows e gravar discos. Mesmo durante a gravação de um novo álbum, Peart, Lee e Lifeson não sossegam o facho, e fazem questão de rodar os Estados Unidos, o Canadá e a América do Sul. Acredito que não seja lançado DVD ou blu-ray dessa turnê, porque ela é curtinha. Mas cairia muito bem. Não tenho dúvidas que vou ao show novamente no Rio de Janeiro. Acho que vai valer por esse Itustock todo, com o seu line-up meia-bomba, os preços caros e a tal da pista VIP. (Aliás, quem foi o gênio que inventou pista VIP em um festival desses?)



Setlist:
1)“The spirit of radio”
1) “Time stand still”
2) “Presto”
3) “Stick it out”
4) “Workin’ them angels”
5) “Leave that thing alone”
6) “Faithless”
7) “B2UB”
8) “Free Will”
9) “Marathon”
10) “Subdivisions”
Intervalo
11) “Tom Sawyer”
12) “Red barchetta”
13) “YYZ”
14) “Limelight”
15) “Camera eye”
16) “Witch hunt”
17) “Vital signs”
18) “Caravan”
19) “Love 4 sale”
20) “Closer to the heart’
21) “2112 Overture” / “Temples”
22) “Far cry”
23) “La Villa strangiato”
24) “Working man”

PS. Crédito das fotos: @gabisiciliano

21 de jul de 2010

Tarde ensolarada no parque com Rufus Wainwright

De volta, pessoal.
Acabo de chegar do show do Rufus Wainwright aqui em Nova York. Logo que entrei no Propect Park, no Brooklin, eu estranhei que não havia nenhuma advertência no sentido “no claps, please”, como tem sido comum nessa atual turnê, no qual ele apresenta as músicas de “All days are nights: Songs for Lulu”, um tipo de álbum tão deprê que a gente tem vontade de dar um tiro na cabeça.
Mas a proposta desse show é outra: um bando de americano de bermuda querendo curtir um final de tarde no parque com boa música. E esse festival no parque do Brooklin é uma boa pedida, tanto que já está na sua 32ª edição. E sabe quem vai tocar na semana que vem? The National e Dead Weather.

E o show de Rufus no Prospect Park foi diferente mesmo. Ao invés do disco novo completo na primeira parte, e os sucessos na segunda, Rufus misturou tudo, fez piadas, e todo mundo gostou. Apenas Rufus e o piano. E bastou.
Para começar, subiu ao palco o seu pai, Loudon Wainwright III. Ele faz aquele estilão “trovador solitário” com uma-piadinha-para-americano-rir-em-cada-verso. Legal, mas os 50 minutos de apresentação deram no saco.
Mas logo logo o show do Rufus começou. Com o palco decorado com pequenas velas artificiais, ele mostrou logo que estava de bom humor. “A última vez que estive em um parque, poderia ter ficado grávido, mas acabei descobrindo que era gay”, disse, fazendo troça com o episódio que ocorrera com ele, quando tinha 14 anos e fora estuprado no Hyde Park, em Londres. Ele ainda explicou que o “show oficial” da nova turnê acontecerá no dia 29 de dezembro, no “austero” (palavras dele) Carnegie Hall. “Um show perfeito para o feriado de Natal”, brincou. Esse no parque seria um “summer show”. E nada mais apropriado do que começar o show com a bela faixa de abertura de “All days are nights”, “Who are you New York?”, que cita o Empire State, o Madison Square Garden e a Central Station na mesma letra. Aliás, foi interessante ouvir as pesadas canções desse disco envolto a um silêncio sepulcral da plateia, com o barulho apenas das crianças brincando no parque, ao fundo. Show de contrastes.

Em outros momentos, era o barulho dos pássaros que fazia o fundo musical. Em um deles, Rufus recitou o soneto 20, de Sheakespeare. Sabe-se lá porque, ele caiu na gargalhada no final.
Mas o público ficou animado mesmo quando ele disse: “I’m gonna judyciate”, uma piadinha que foi a deixa para ele chamar um pianista (que me escapou o nome) para interpretar algumas músicas de seu projeto dedicado a Judy Garland. O pessoal gostou. E a primeira do repertório de Judy foi “If love were all”. Depois, “That’s entertainment”, “Zing! Went the strings of my heart” e “Do it again”, música que Rufus classificou como a sua favorita do projeto Judy Garland.


Ele também cantou com o seu pai. “Não parece o meu filho?”, brincou Rufus. Cantaram juntos a divertida “Down where the drunkards roll”, de Richard Thompson, compositor amigo da família. Aplausos respeitosos para o pai e aplausos quase histéricos para “The art teacher”. E silêncio respeitoso para “Zebulon”, a faixa mais barra pesada de “All days are nights”: “My mother’s in hospital, my sister’s at the opera/ I’m in love, but let’s not talk about it/ There’s so much to tell you”. E mais um contraste com “Cigarettes and chocolate milk”. Show quase bipolar.
Pausa para o bis, que teve mais 30 minutos de música. A partir daí, ele jogou pra galera. “Poses”, “The man that got away” (mais uma do projeto da Judy Garland) e “I’m a one man” (com o pai novamente) deixaram o show em alta astral até Rufus falar da mãe, que morreu em janeiro passado, de câncer. Mas a ironia apareceu logo em seguida, quando ele apresentou uma canção escrita pela sua mãe que fala da “bonita relação de seu filho com o pai”. Não consegui descobrir o nome da música, mas ela diz algo como “alguém ainda está de pé, já parou de me bater?”.



Para terminar, com a galera já de pé, “Going to a town” e o delicioso medley com canções do projeto Judy Garland: “You made me love you/ For me and my gal/ The trolley song”. A tarde no parque já não era tarde. Já era noite escura, quase onze da noite. Mas as crianças ainda brincavam. E o piano e a voz tão peculiar de Rufus Wainwright ainda soavam no Prospect Park. E quer saber? Foi bem divertido. Mesmo com músicas tristes, deprês, ele consegue rir da sua própria desgraça.


PS. Crédito das fotos: @gabisiciliano

19 de jul de 2010

De partir o coração

Boa tarde, pessoal! Bom, disse que ia viajar, mas não ia deixar de dar as minhas postadas. Partilho aqui com vocês uma dor no coração.

Desde pequeno, nunca quis saber de loja de brinquedos. Meu negócio sempre foi loja de discos. Modern Sound, Gabriela, Kaele, Breno Rossi, Gramophone, Hi-Fi (com os seus letreiros em neon vermelho), Aky Discos... Fora do Brasil, tinha a HMV (uma a praticamente cada esquina de Londres e de NY), a Tower Records (símbolo de NY), a Virgin (em várias cidades dos Estados Unidos), a sensacional Fame (em Amsterdã, não sei se ainda existe), a Ricordi (em Roma e Milão, que era cheia de bootlegs maravilho$o$), e por aí vai...

Um dia, deve ter um ano, li uma coluna do Ruy Castro na Folha, na qual ele dizia que já devia ter deixado um apartamento na Modern Sound, mas não se arrependia. Não sei se cheguei a deixar um apartamento nas lojas de disco que citei acima. Mas alguma boa grana eu deixei. E uma das principais foi a Virgin Megastore, especialmente a da Times Square, em Nova York. Meu primeiro CD do Oasis (quando "Rock n'roll star" nem tocava no Brasil) foi comprado lá. A coleção completa dos Rolling Stones também. O "Pop" (U2) e o "Pulse" (Pink Floyd) foram comprados no dia do lançamento, quando a loja ficava aberta até depois da meia-noite, e as filas dobravam a esquina. Descobri "Goodbye yellow brick road", do Elton John, também em alguma prateleira da Virgin. Johnny Cash, Horace Silver, Bob Dylan, Beach Boys, The Byrds, Genesis... E acho que poderia ficar o dia inteiro citando outros artistas e discos que comprei lá.

Voltei a Nova York essa semana pela primeira vez depois que a Virgin fechou. E a cena partiu o meu coração.

O que era assim:



Ficou assim:


Precisa dizer mais alguma coisa?

18 de jul de 2010

Resenhando: Scissor Sisters, Rush, Sergio Mendes, Rolling Stones, The Black Keys

“Night work” – Scissor Sisters
Durante as gravações do sucessor de “Ta-Dah!” (2006), os Scissor Sisters passaram por diversas crises de identidade. A mais grave foi quando o trabalho já estava pronto, e Elton John falou para a banda de Nova York jogar tudo no lixo. O material, ao que parece, foi para o lixo mesmo, e a banda partiu novamente do zero para gravar o que resultou em “Night work”. O que a banda descartou, ninguém saberá ao certo o que foi, mas em “Night work” todo mundo vai poder ouvir que os Scissor Sisters preferiram não se arriscar, e mantiveram o mesmo estilo (vencedor e “vendedor”) de “Ta-Dah!”. Ou seja, “Nightwork” está cheio de canções deliciosamente disco-pop, que poderiam ter sido, tranquilamente, compostas entre as décadas de 70 e de 80 por... Elton John. A produção ficou a cargo da própria banda e de Stuart Price, o que talvez explique a semelhança entre “Night work” e “Night & day” (do The Killers, e que também foi produzido por Price), a ponto do primeiro single, “Fire with fire”, soar como uma cópia de “Human”. “Any wich way”, por sua vez, é bem parecido com o single do álbum anterior, “I don’t feel like dancing”, puxado para um disco-funk, ou um Bee Gees revigorado. Em “Night work”, a banda de NY também soa mais roqueira, casos de “Harder you get” e da faixa-título”. Mas “roqueira” no estilo SS, veja bem... Outros destaques são “Something like this” (carregada de influências do Kraftwerk), “Invisible light” (um arrasa-quaterão que vai fazer muita pista de dança fervilhar) e o hit-mais-que-pronto”Skin tight”. Pelo jeito, Elton John ainda sabe das coisas.

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“Beyond the lighted stage” – Rush
Ao chegar ao fim de “Beyond the lighted stage”, documentário que conta a história do Rush (e que chega agora às lojas em DVD e BD), não tem como não pensar: “que banda legal!”. Em uma hora e quarenta e cinco minutos, o trio canadense resume a sua história desde a sua formação, nos subúrbios de Ontário até a turnê de divulgação do álbum “Snakes & Arrows” (2007). Nesse período, foram 35 anos de convivência. E o que espanta no documentário é a harmonia entre seus integrantes. E olha que o Rush foi uma banda que, por pouco, não acabou, por conta das constantes mudanças de sonoridade – aliás, em determinado (e único) momento, Neil Peart chega a mencionar a sua desaprovação ao uso de sintetizadores. O vídeo mostra a história do trio em ordem cronológica, disco a disco, dando maior destaque aos quatro primeiros (“Rush” – 1974, “Fly by night” – 1975, “Caress of steel” – 1975 e “2112” – 1976), quando a banda passou por seus maiores desafios. O auge, durante o período de “Moving pictures”, de 1981 (e que a banda está apresentando na íntegra, na turnê que passará pelo Brasil no início de outubro), também está bem retratado no documentário, assim como a crise de Neil Peart, ocasionada pelas mortes de sua filha e de sua esposa, e que, por pouco, não resultou no término da banda, no início dos anos 00. Pena que os anos 80 e 90 sejam passados meio que superficialmente pelo documentário. Em uma hora e meia de extras, “Beyond the lighted stage” ainda traz faixas gravadas ao vivo (incluindo duas com o baterista original, John Rutsey), e mais entrevistas. Boa preparação para o show de outubro.

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“Bom tempo” – Sergio Mendes
São poucos os artistas brasileiros que descobrem uma mina de ouro no mercado internacional. E talvez por isso, Sergio Mendes insiste em gravar um terceiro álbum que soa como cópia dos anteriores. A receita é simples: misturar os ritmos brasileiros (especialmente a Bossa Nova) a batidas prontas para as pistas de dança. Qualquer norte-americano que se considere “acima da média” (ou seja, todos) vai gostar dessa mistura, que une o comercial a uma certa sofisticação. Só que o que “Timeless” (2006) tinha de original ficou cansativo em “Encanto” (2008) e principalmente nesse “Bom tempo”, que ainda chega às lojas brasileiras acompanhado por um CD de remixes (?!?). No repertório, Mendes junta Gilberto Gil, Jorge Mautner, Moacir Santos, Jorge Ben Jor, Milton Nascimento e Tom Jobim, dando uma nova cara a canções consagradas como “Emorio”, “Maracatu atômico”, “Caxangá” e “Só tinha de ser com você”. Só que, ao invés de rejuvenescê-las com as batidas mudernas, Mendes acaba criando algo chato, repetitivo e cheio de clichês – no estilo dos shows de mulatas do Plataforma, saca? De qualquer forma, “Bom tempo” deve ser uma ótima pedida para tocar nas butiques dixxxcoladas do Meatpacking District de Nova York. E também nas festas dos americanos que se acham mudernos. Aguardemos o quarto capítulo dessa história de Sérgio Mendes – que, de um tempo para cá, se escreve sem acento, aliás.

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“Stones in exile” – The Rolling Stones
Já escrevi muito sobre “Exile on main st.”, um dos principais álbuns dos Rolling Stones (e da história do rock). “Tumbling dice”, “Rocks off”, “Sweet Virginia” e “Happy” são apenas algumas das faixas desse álbum, no qual Mick Jagger, Keith Richards e companhia fizeram a fusão perfeita do rock com o blues, o country e o soul. Agora foi lançado o DVD “Stones in exile”, que conta a história conturbada da gravação do álbum, em Villefranche-sur-Mer, na França. Os próprios Stones não negam que o período foi brabeira, com muitas drogas, orgias, brigas e otras cositas mas. Mas o problema do documentário é que, produzido que foi pela própria banda, ele não vai além. As histórias pesadas estão todas lá. Mas são aquelas histórias que qualquer um que se informou um pouco sobre esse álbum – ou leu o ótimo “Uma temporada no inferno com os Rolling Stones”, de Robert Greenfield – já sabe. O documentário apresenta entrevistas com os integrantes da banda, além de imagens de arquivo da época da gravação (1971-72). Dirigido por Stephen Kijak, o documentário ainda traz depoimentos (em sua maioria, desnecessários) de gente como Sheryl Crow, Jack White, Martin Scorsese, o produtor Don Was, e Will.i.am (?!?). Para quem já viu “Stones in exile” na TV a cabo, o DVD traz como diferencial uma grande quantidade de extras, como entrevistas estendidas e um pequeno filme sobre a visita de Mick Jagger e Charlie Watts ao Olympic Studios. Mas o melhor mesmo é esperar até outubro, quando será lançado o DVD “Ladies and gentlemen... The Rolling Stones” (já bem conhecido no mercado pirata), que trará um show da turnê do “Exile”.

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“Brothers” – The Black Keys
Difícil definir “Brothers”, sexto álbum de estúdio dos Black Keys, descontados os EPs. Não que a dupla formada por Dan Auerbach e Patrick Carney tenha deixado o blues de lado. Muito pelo contrário: “Brothers está encharcado do blues da melhor qualidade, a começar pela inteligente paródia com a capa do álbum “This is Howlin’ Wolf’s new album” (de Howlin’ Wolf). O que fica difícil definir é o retorno as origens da dupla, até mesmo porque alguns fãs podem sentir falta do som psicodélico de álbuns como “Attack & release” (2008), produzido por Danger Mouse, ainda que em “Brothers” seja possível ouvir algo mais viajante como “The only one”. Mas não se engane, o que sobressai em “Brothers” são blues pesados (em alguns momentos lembrando, hum, deixa eu ver, Led Zeppelin?) como a abertura com “Everlasting night”, a suja “Black mud” e “The go getter”. Curiosamente, a faixa “Howlin’ for you” (que pode sugerir mais uma homenagem a Howlin’ Wolf), é uma das que mais destoa em “Brothers”, com alguns efeitos eletrônicos tirados dos teclados. No final das contas, a conclusão que fica é que, de repente, os Black Keys nem mudaram tanto. Ou será que mudaram?

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Em seguido, o videoclipe de “Fire with fire”, primeiro single do álbum “Night work”, dos Scissor Sisters.


15 de jul de 2010

Marky Ramone, Samuel Rosa, Duro de Matar, Diogo Nogueira, Amy, Queensryche, Hendrix, Cribs, Strokes, Simonal, Arcade Fire, Waters+Gilmour, Weezer

Até semana que vem!!

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A boa notícia para os fãs do Weezer é que a banda de Rivers Cuomo vai lançar um novo álbum no dia 13 de setembro. Ele disse ao Newstimes.com que a banda, antes, vai assinar um contrato com um selo independente. A matéria completa pode ser lida aqui.

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Depois do pocket show no início dessa semana na Inglaterra, Roger Waters afirmou que o colega e (ex-?)desafeto David Gilmour vai participar de uma apresentação sua durante a turnê "The wall", que estreia em setembro. Segundo Waters informou em seu perfil no Facebook, Gilmour vai tocar guitarra em "Comfortably numb". Só resta saber em qual show...

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O Arcade Fire anunciou que o seu novo álbum, "The suburbs", com lançamento na primeira semana de agosto, terá oito capas diferentes. E elas estão aí em cima. Mas vem cá... São diferentes mesmo??

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Atenção fãs de Wilson Simonal: sai na semana que vem um álbum inédito em CD do cantor. "Mexico '70" foi gravado enquanto Simonal acompanhava a seleção brasileira durante a Copa do Mundo de 1970. Quando os seus filhos Max de Castro e Simoninha idealizaram o box com a coleção completa de Simonal na EMI, esse álbum estava perdido. Devidamente recuperado, "Mexico '70" chega às lojas com as seguintes faixas: "Aqui é o país do futebol", "Raindrops keep fallin' on my head", "Kiki", "Ave Maria no morro", "I'll never fall in love again", "Crioula", "Que pena (Ela já não gosta mais de mim)", "Aquarius / Let the sunshine in", "Garota de Ipanema", "Ecco il tipo che io cercavo", "As menininhas do Leblon" e "Eu sonhei que tu estavas tão linda".

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Julian Casablancas disse que o novo álbum dos Strokes será "fantástico". No momento, a banda de Nova York está no meio das gravações do sucessor de "First impressions of Earth" (2006). "Está dando trabalho. Está tudo muito bom. Eu ia fazer uma piada e dizer que foi um trabalho de parto, mas não, foi fantástico", disse à XFM. O álbum deve sair entre março e abril de 2011.

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Em chat realizado ontem pelo site Gigwise, no qual a banda The Cribs respondeu perguntas de seus fãs, houve uma revelação interessante. Gary Jarman disse que o próximo trabalho da banda poderá ser um álbum verdadeiramente pop. Segundo o seu irmão, o vocalista Ryan Jarman, o sucessor de "Ignore the ignorant" (2009) será "completamente diferente". "Eu penso que podemos fazer um álbum verdadeiramente pop, e não indie-pop", completou Gary.

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Os herdeiros de Jimi Hendrix estão sendo processados pelo músico Lonnie Youngblood, que alega que, nos anos 60, escreveu diversas músicas com Hendrix e não ganha direitos autorais. Uma das supostas parcerias, "Georgia blues", foi incluída na compilação "Martin Scorsese presents The Blues: Jimi Hendrix" (2003). Youngblood disse que não foi indagado quanto à autorização da inclusão da faixa na trilha sonora, e não teve o seu nome creditado no encarte do CD.

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O Queensryche (certamente a banda que fez o show mais chato que já vi na minha vida, no Rock in Rio de 1991) vai lançar uma edição comemorativa de 20 anos do álbum "Empire". O lançamento será no dia 13 de setembro, e contará com um CD bônus gravado ao vivo no Hammersmith Odeon, em Londres, no dia 15 de novembro de 1990. As faixas ao vivo são as seguintes: "Resistance", "Walk in the shadows", "Best I can", "The thin line", "Jet city woman", "Empire", "Roads to madness", "Take hold of the flame", "Silent lucidity" e "Hand on heart". No show do Rock in Rio, o Queensryche estava divulgando exatamente esse "Empire".

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SÓ PRA FICAR REGISTRADO: Amy Winehouse promete novo álbum para janeiro de 2011.

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No próximo dia 23 de julho (sexta-feira), Diogo Nogueira vai gravar, no Vivo Rio, o seu segundo DVD, "Sou eu". No roteiro, músicas de seu último álbum, "Tô fazendo a minha parte" (como a faixa-título e "Amor imperfeito), canções inéditas e algumas novidades, como "Deixa eu te amar" (Agepê), "Lama nas ruas" (Zeca Pagodinho / Almir Guineto) e um pot-pourri de sambas enredo históricos. O show também conta com a participação de convidados, cujos nomes não foram revelados. Na banda que acompanha Diogo, cracaços como Alceu Maia (cavaco), Dirceu Leite (clarinete, sax e flauta) e Fernando Merlino (teclados). Os ingressos variam entre R$ 40 e R$ 150 (com meia-entrada). Mais informações aqui.

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Agora eu vou falar um pouco de cinema. Vou dizer uma coisa: não conheço ninguém (ninguém!) com mais de 30 anos de idade que nunca tenha visto "Duro de matar". E mesmo quem não viu, dificilmente não conhece John McLane, o primeiro personagem realmente importante de Bruce Willis. O primeiro flme da série "Duro de matar" estreou exatamente no dia 15 de julho de 1988, e eu assisti no cinema - e certamente não tinha idade para entrar. O filme conta a história de um policial (John McClane), que vai visitar a esposa na Califórnia, e, durante uma festa, terroristas sequestram o prédio no qual o evento é realizado. McClane mata umas 78432903293 pessoas e consegue salvar o prédio. Emocionante, não? Para mim, o melhor filme de Natal ever... Hehehe...



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Ah, hoje eu quero homenagear aqui um cara que eu me amarro. Eu ainda me lembro do dia em que ganhei o CD de estreia do Skank. Foi um dos meus primeiros CDs, aliás. Acho que ninguém conhecia o Skank. E quem conhecia dizia que era cópia dos Paralamas do Sucesso. De fato, o primeiro álbum da banda mineira carece um pouco de originalidade. Mas os discos posteriores... O Skank mostrou que é possível fazer música bem popular com muita qualidade. De "É uma partida de futebol" a "Formato mínimo", cada uma do seu jeito, eu gosto de tudo o que o Skank faz. Seja popular ou algo mais sofisticado - aliás, repito aqui que "Cosmotron" é o melhor álbum brasileiro lançado na década de 00. Ah, e por que estou falando tudo isso? Porque, hoje, Samuel Rosa, vocalista, guitarrista e compositor do Skank, completa 44 anos. (Mas a cara continua quase igual a do encarte do primeiro CD...) Ah, e você sabia que ele é psicólogo??



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Hoje também é dia de o baterista Marky Ramone (preciso dizer o nome da banda?) soprar velinhas. Marky, que substituiu Tommy no Ramones a partir de 1978, completa 54 anos. Mesmo que tenha dado um tempo da banda entre 1983 e 87, Marky permaneceu no Ramones até o seu fim, em 1996. Aliás, que saudade dos shows do Ramones. Tive a oportunidade de assistir a dois, e de ainda participar de uma tarde de autógrafos com a banda. Meu "Brain drain" todo assinado está dentro do cofre! Depois, acho que só tive a chance de rever Marky Ramone em dois shows do Pearl Jam, no Rio e em Nova York. A técnica pode até não ser o seu forte. Mas quem consegue tocar as músicas dos Ramones igual a ele?



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Bom dia, pessoal! Como vamos, hein? Olha, já avisei aqui que estou viajando amanhã. Vou fazer o máximo para atualizar esse blog de vez em quando, mas não sei se terei muito tempo. Vou ver alguns shows nessas "férias" e, claro, sobre eles escreverei aqui. No domingo, as resenhas dos CDs serão publicadas normalmente. Mas nessa sexta e sábado, isso aqui vai ficar parado. Na metade da semana que vem, eu tento dar uma atualizada. Mas chega de papo furado. A imagem acima não é para sugerir que eu vá para a Holanda (até mesmo porque não vou para lá, hehe...). "A lição de anatomia do Dr. Tulp" é uma das principais pinturas do fantástico pintor holandês Rembrandt, que nasceu no dia 15 de julho de 1606. O seu museu (localizado na antiga residência do pintor) é um dos lugares mais especiais de Amsterdã, posso garantir. A imagem acima, uma de minahs preferidas, é de 1632, e retrata uma aula de anatomia de Nicolaes Tulp. O objeto da anatomia é o corpo de um assaltante que fora condenado à morte.

14 de jul de 2010

La Marseillaise, Woody Guthrie, Rush, Muse, Ozzy Osborne, Robbie Williams, Gang Of Four, Best Coast, Kid Cudi, VW, Avi Buffalo

Na semana retrasada, conheci uma banda nova que achei muito legal. O seu nome é Avi Buffalo, e o seu álbum de estreia (que leva o mesmo nome da banda da Califórnia) saiu em maio. O primeiro single é "What's in it for?", uma música bem leve, com algum eco do The Byrds na guitarra e um vocal com uma atmosfera da Califórnia dos anos 60. Veja aí o que você acha.



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Best Coast, Kid Cudi e Rostam Batmanglij (Vampire Weekend) se juntaram para gravar a música "All summer" e o resultado ficou, ao menos, divertido.



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O Gang Of Four anunciou que o seu novo álbum, "Content", será lançado no dia 04 de outubro. O sétimo álbum de estúdio da banda (que também terá lançamento em vinil) será precedido pelo single "Who am I?", no dia 13 de setembro. As faixas de "Content" são essas aqui: "She said 'You made a thing of me'", "You don't have to be mad", "Who am I?", "I can't forget your lonely face", "You'll never pay for the farm", "I party all the time", "A fruit fly in the beehive", "It was never going to turn out too good", "Do as I say", "I can see from far away" e "Second life".

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Essa aí é a capa da coletânea de Robbie Williams, "In and out of consciousness: The greatest hits 1990-2010", que sairá em outubro. Como já havia sido especulado, o CD duplo trará músicas da carreira solo de Williams, bem como de sua antiga (e certamente) futura banda, Take That. As duas inéditas, "Shame" e "Heart and I", foram escritas por Williams e Gary Barlow (seu colega de Take That). As faixas de "In and out of consciousness: The greatest hits 1990-2010" são as seguintes: "Shame", "Heart and I", "You know me", "Bodies", "Morning sun", "She's Madonna", "Lovelight", "Rudebox", "Sin sin sin", "Advertising space", "Make me pure", "Tripping", "Misunderstood", "Radio", "Sexed up", "Something beautiful", "Come undone", "Feel", "Mr Bojangles", "I will talk and Hollywood will listen", "Somethin' Stupid", "The road to Mandalay", "Eternity", "Let love be your energy", "Supreme", "Kids", "Rock DJ", "It's only us", "She's the one", "Strong", "No regrets", "Millennium", "Let me entertain you", "Angels", "South of the border", "Lazy days", "Old before I die", "Freedom" e "Everything Changes".

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Ozzy Osbourne lançou nessa semana um EP virtual (vendido na loja da iTunes) com seis faixas gravadas ao vivo. "iTunes festival London 2010" foi gravado no Roundhouse, em Londres, e conta com as seguintes músicas: "Let me hear you scream", "Mr. Crowley", "I don't know", "Suicide solution", "I don't want to change the world" e "War pigs".

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"Temos que divulgar nossas músicas de formas diferentes. Às vezes temos de agarrar qualquer oportunidade para chegar lá, e até mesmo vender a alma." (Chris Wolstenholme, baixista do Muse, à BBC, explicando o motivo de ter gravado uma música para a trilha sonora da saga "Crepúsculo")

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Os ingressos para os shows do Rush no Brasil já estão em pré-venda para clientes Diners, Citibank e Credicard. Mais informações aqui.

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E já que estamos falando de "liberdade", um dos compositores norte-americanos que melhor cantou tal tema nasceu exatamente no dia 14 de julho de 1912. Estou falando de Woody Guthrie, cujo violão trazia escrito a seguinte frase: "This machine kills fascists". E era capaz de matar mesmo. Alguns usam metralhadoras. Woody usava apenas o seu violão. E as suas músicas, especialmente "This land is your land", são ouvidas até hoje em escolas dos Estados Unidos. Como um hino. Muito mais poderoso que um tiro, diga-se. Woddy Guthrie morreu em 1967, mas deixou gente como Bob Dylan, Joan Baez e Pete Seeger para levar adiante o seu legado.



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Boa tarde, pessoal! Tudo bom? Que dia horrível (ou "orível", como escrevia um amigo meu no primário), hein? Vontade de ficar o dia todo na cama. Mas não dá. Tenho que colocar as coisas em dia. Já disse que viajo na sexta, né? Esse blog vai ficar meio soltou por uns 20 dias, mas depois volta o normal. E, olha, a França, que eu saiba, não ganhou nenhuma competição esportiva recentemente não. Eu comecei o post de hoje com a Marseillaise porque foi no dia 14 de julho de 1795 (exatos seis anos após a Queda da Bastilha) que esse canto de guerra composto pelo oficial Claude Joseph Rouget de Lisle, em 1792, foi instituído como o hino oficial da França. Não à toa, o dia 14 de julho é o Dia Universal da Liberdade, em homenagem exatamente ao evento de 1789. Com relação à Marseillaise, tive um professor muito querido na faculdade de Direito, o professor Celso Albuquerque Mello (uma das maiores, senão a maior, autoridades em Direito Internacional Público do país) que foi enterrado ao som do hino da França. Foi um de seus últimos pedidos. Em tempo: considero a Marseillaise o hino mais bonito de todos. No início dessa Copa, postei no twitter que a única coisa boa que a França havia levado para a África do Sul tinha sido o hino. Muita gente chiou. Mas, um mês depois, posso dizer que tinha razão.

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13 de jul de 2010

Roqueiros e Sertanejos, João Bosco, Ford, Ghost, REM, Yamandu+Dominguinhos, Iron Maiden, U2, 50 Cent, Morrissey, PiL, Hook, Flying Lotus, Paulo Moura

PAULO MOURA - 17/02/1932 - 12/07/2010



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Morrissey anunciou hoje que vai lançar uma edição comemorativa dos 20 anos de seu álbum "Bona drag", com seis faixas inéditas. O álbum, originalmente lançado em 1990, conta com os primeiros sete singles da carreira solo de Moz, após a sua saída do The Smiths. O cantor foi o responsável pela remasterização do álbum, que tem previsão de lançamento para o dia 27 de setembro. As faixas extras de "Bona drag" são essas aqui: "Happy lovers at last united", "Lifeguard on duty", "Please help the cause against loneliness", "Oh Phoney", "The bed took fire" e "Let the right one slip in".

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Lindíssimo o novo videoclipe do Flying Lotus, "MmmHmm"...



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Peter Hook (ex-baixista do New Order e do Joy Division) está fazendo uma pequena turnê na qual apresenta a íntegra da obra-prima "Unknown pleasures" (1979), do Joy Division. Só que a apresentação que acontecerá no festival Vintage At Goodwood, na Inglaterra, será especial. Nesse show, Hook se apresentará acompanhado de coro e orquestra. A apresentação acontecerá no dia 15 de agosto, e o line-up do festival conta com o The Faces (Mick "Simply Red" Hucknall no lugar de Rod Stewart).

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John Lydon querendo ressuscitar o PiL??

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A turnê brasileira do 50 Cent começou bem em Salvador...



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Os shows do U2 que aconteceriam nesse verão nos Estados Unidos foram remarcados para o ano que vem. As novas datas estão no site oficial da banda irlandesa.

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Um quiz bacana sobre o rock. Acertei 17 questões...

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Estreou hoje o novo videoclipe do Iron Maiden, "Final frontier". O vídeo, no melhor estilo "Guerra nas estrelas", apresenta a faixa-título do novo álbum dos ingleses - que será lançado no dia 16 de agosto. A música faz o mesmo gênero que os fãs do Iron adoram. Nada de muito especial. E o videoclipe ficou um pouco, digamos..., exagerado demais. Mas esse é o Iron Maiden mesmo.



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Yamandu Costa e Dominguinhos vão dar continuidade a parceria que começou em 2007, com o lançamento de um CD e de um DVD. Chega às lojas nos próximos dias o álbum "Lado B" (capa acima). "Queríamos transmitir neste trabalho um clima de relaxamento, a maneira tranquila como gravamos, sem egotrip, do mesmo jeito do primeiro. Foi, como sempre aconteceu entre a gente, muito harmônico", disse Yamandu no release do CD. Sobre o repertório escolhido, o violonista explicou: "Tínhamos vontade de relembrar o cancioneiro mais antigo numa concepção bem simples. O repertório foi escolhido aleatoriamente, íamos lembrando e selecionando músicas que gostávamos. Nada foi pré-concebido, as canções foram aparecendo naturalmente". A relação de faixas de "Lado B" (que mistura composições de gente como Ary Barroso, Lupicínio Rodrigues, Augustin Lara e Bororó)é a seguinte: "Da cor do pecado", "Noites sergipanas", "Fuga pro Nordeste", "Doce de coco", "Homenagem a Chiquinho", "Naquele tempo", "Sanfona de cordel", "Homenagem a Pixinguinha", "Choro do gago", "Chorando em Passo Fundo", "Carioquinha", "Felicidade", "Pau de arara", "No rancho fundo" e "Solamente una vez".

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Essa aqui é quente: o R.E.M. informou hoje que terminou as gravações de seu novo álbum. As gravações aconteceram nas cidades de Portland e Nova Orleans (Estados Unidos), e terminaram em Berlim, com produção de Jacknife Lee, o mesmo responsável por "Accelerate" (2008). O álbum começa a ser mixado nos proximos dias, e a previsão de lançamento é para o início de 2011.

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Continuando no cinema, há exatos 20 anos estreava um dos filmes que as pessoas mais gostam de criticar: "Ghost - Do outro lado da vida". O filme conta a história de Sam, que após ser morto, "volta" para ajudar a sua esposa, que também corre risco de ser assassinada. O elenco estrelado contava com Patrick Swayze (no papel de Sam), Demi Moore (a esposa) e Whoopi Goldberg (a médium). A direção foi de Jerry Zucker. E, vem cá, você pode até criticar esse filme. Mas tenho certeza que chorou...



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Depois de sertanejos, roqueiros e um dos mestres da MPB, quero falar um pouco de cinema. O ator Harrison Ford completa 68 anos hoje (tá ficando véio, hein?). Acho que o primeiro filme que vi com Harrison Ford (e nem sabia quem ele era) foi "Guerra nas estrelas". Depois, a trilogia do "Indiana Jones", "Blade Runner", "Jogos patrióticos", "O fugitivo" (amo de paixão esse filme), "Sabrina" (uma das trilhas sonoras mais sensacionais de todos os tempos, thanks Gilberto Braga), "Força aérea um", "Inimigo íntimo"... Ufa, a lista é grande, e devo ter me esquecido de vários. Já tem um tempo, li em em algum lugar que Harrison Ford, antes de virar ator, era jardineiro do músico brasileiro Sérgio Mendes. Alguém confirma essa história?



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Hum, e hoje é aniversário de um dos caras que mais admiro na Música Popular Brasileira. João Bosco nasceu em Ponte Nova (MG) a 13 de julho de 1946. Dizer que ele é um dos maiores violonistas do mundo é fácil, difícil mesmo é listar os seus melhores álbuns. Isso porque, a regularidade é uma das marcas registradas de João Bosco. Desde a sua estreia, com o álbum "João Bosco" (de 1973, o que tem "Bala com bala") até o último, o sensacional "Não vou pro céu, mas já não vivo no chão", discos bons não faltam na história de João Bosco. Mas se você quiser saber o meu predileto, arrisco " Malabaristas do sinal vermelho" (2003), com parcerias de João com o seu filho Francisco Bosco. E a música abaixo foi a que mais ouvi nesse último mês, por conta do programa "Linha de passe", da ESPN Brasil, e que passou todos os dias nessa Copa.



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Ah, e todo mundo já deve saber que hoje, dia 13 de julho, é o Dia Mundial do Rock. Mas por que esse dia? Porque foi no dia 13 de julho de 1985 que foi realizado o Live Aid, evento de música idealizado por Bob Geldof para arrecadar uma grana para combater a fome na África. Foram dois mega-shows, um em Londres e outro na Filadélfia, com um público de 170 mil pessoas nos estádios e mais de 1,5 bilhão pela televisão. Saca só quem participou do Live Aid: Queen (cuja apresentação no evento, até hoje, é considerada uma das mais arrebatadoras de todos os tempos), U2, The Who, Paul McCartney, Mick Jagger, Bob Dylan, Beach Boys, Elton John, Madonna, David Bowie, Duran Duran, Sting e até mesmo uma reunião do Led Zeppelin com Phil Collins na bateria.



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Boa tarde, pessoal! Como estão as coisas, hein? Olha, comecei o post com "Amanheceu, peguei a viola", de Renato Teixeira, em homenagem ao Dia Nacional dos Cantores e Compositores Sertanejos, que é comemorado no dia 13 de julho. O preconceito rola solto com a música sertaneja. Também, não é pra menos. Com essas porcariadas de hoje em dia que se dizem sertanejos, qualquer um morreria de vergonha. Mas aqui fica a minha homenagem aos caipiras de verdade, de raiz, que fazem (ou fizeram) músicas lindíssimas, como Pena Branca, Xavantinho, Renato Teixeira, Tonico, Tinoco, Alvarenga, Ranchinho, Catulo da Paixão Cearense, Rolando Boldrin, Almir Sater, Sérgio Reis, entre outros sertanejos DE VERDADE que a gente nem tem conhecimento.

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12 de jul de 2010

Neruda, Guineto, Bon Jovi, Eric Carr, Pearl Jam, Agostinho, Robbie Williams, João Saldanha, Zidane, Waters+Gilmour, Interpol, Ferry, Muse, Walkmen

Essa aí é a capa de "Flamingo", o primeiro álbum solo do Brandon Flowers, do The Killers, e que será lançado na primeira quinzena de setembro. Acho que ficou com um estilo meio Luis Miguel...

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Se o The Walkmen for por esse caminho em seu novo álbum, "Lisbon" (lançamento previsato para setembro), podemos esperar um discaço.



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Adoreis as AOL Sessions do Gorillaz...

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Durante apresentação no festival T In The Park, na Escócia, nesse fim de semana, o baixista do Muse, Chris Wolstenholme, disse que a sua banda vai começar a trabalhar em um novo álbum já em 2011. Ele afirmou que, tão logo termine a turnê de "The resistance", disco lançado em 2009, eles tirarão rápidas férias, para começar o trabalho de composição do novo material. "Acho que as maiores férias que tivemos nos últimos doze anos foram de seis semanas", disse depois do show ao NME.

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Quem quiser baixar o EP novo do Owen Pallett, "Lewis takes off his shirt", é só seguir aqui.

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O cantor Bryan Ferry abriu o seu caderninho de telefone e convidou um bando de gente para participar de seu novo álbum, "Olympia", a ser lançado no dia 25 de outubro. Sente só: tem gente do Radiohead (Jonny Greenwood), do Scissor Sisters, David Gilmour, Mani (Primal Scream), Phil Manzanera, Andy Mackay, Brian Eno (esses três eram integrantes do Roxy Music, e não gravavam com Ferry desde o álbum "For your pleasure", de 1973), Flea (Red Hot Chili Peppers) e Nile Rogers (Chic). O último trabalho de Ferry foi "Dylanesque" (2007), e a relação de faixas de "Olympia" é a seguinte: "You can dance", "Alphaville", "Heartache by numbers", "Me oh my", "Shameless", "Song to the siren", "No face, no name, no number", "BF bass (Ode to Olympia)", "Reason or rhyme", "Tender is the night".

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"Foi-se o tempo em que se podia fazer dinheiro com a música." (Mick Jagger, líder dos Rolling Stones, conformado com a crise da indústria do disco)

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E que tal a nova música do Interpol, "Barricade"? A canção estará no próximo álbum da banda, "Lights", que sai em setembro.



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Engraçado, ontem mesmo estava vendo o DVD "Live 8", em especial as apresentações do Robbie Williams e do Pink Floyd, e hoje pipocam notícias sobre os dois. A volta de Williams ao Take That, pelo menos para mim, não é uma boa notícia. Mas o reencontro de David Gilmour e de Roger Waters em um palco, cinco anos após o "Live 8", é uma bela notícia. Os dois se juntaram para uma rápida apresentação beneficente para a HOPING Foundation (Hope and Optimism for Palestinians In the Next Generation). Duzentos convidados ouviram quatro músicas: "To know him is to love him", "Wish you were here", "Comfortably numb" e "Another brick in the wall (Part two)". A foto acima está no blog do David Gilmour. E, não, não encontrei nenhum vídeo no Youtube...

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Olha, já falei que estou com uma ressaca desgraçada da Copa, mas só quero lembrar que hoje faz 12 anos que a seleção brasileira foi detonada pela França do Zidane na final da Copa da França. Sobre aquela seleção da França, acho que foi o último grande time que vi jogar em uma Copa. A Itália de 2006 e a Espanha de 2010, definitivamente, não entraram para a história. O Brasil de 2002 pode ser pau a pau com essa França de 98.



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O Brasil estava triste por conta da eliminação precoce na Copa da Itália, em 1990. Mas ficou ainda mais triste quando soube da notícia da morte de João Saldanha, exatos 20 anos atrás. Ele morreu em Roma após comentar a Copa do Mundo pela extinta TV Manchete. Antes de fazer os seus comentários mordazes na televisão (o seu apelido era "João sem medo"), João Saldanha foi técnico da seleção brasileira, tendo montado, inclusive, a seleção de 1970. Comunista, acabou dispensado do posto de técnico da futura seleção tricampeã. Para quem quiser conhecer um pouco mais da história (e que história...) de João Saldanha, recomendo o livro "João Saldanha, uma vida em jogo", de André Iki Siqueira.



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EXTRA 3: O site Contact Music informou que o cantor Robbie Williams vai gravar um álbum e fazer uma turnê com a sua antiga banda, o Take That, no ano que vem. Antes do retorno, provavelmente em setembro, Williams lançará a coletânea "In and out of consciousness: The greatest hits 1990-2010". Segundo o mesmo site, o anúncio da volta de Williams à banda (que ele abandonou em 1995) acontecerá nos próximos dias. Por sua vez, o The Sun informou que a coletânea contará com uma canção inédita ("Shame") que terá a participação de Gary Barlow, do Take That.

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O dia 12 de julho representa um capítulo triste para a Música Popular Brasileira. Nesse mesmo dia, no ano de 1973, Agostinho dos Santos morreu em um acidente de avião perto do aeroporto de Orly, em Paris, no voo 820 da Varig. O acidente, até hoje, é relembrado como um dos mais trágicos da história da aviação brasileira. Durante os seus 41 anos, Agostinho participou de momentos importantes da MPB, especialmente do concerto que apresentou a Bossa Nova aos norte-americanos, no Carnegie Hall, em 1962. Antes, ele havia sido intérprete no filme "Orfeu do Carnaval", de Marcel Camus, das músicas "Manhã de carnaval" e "A Felicidade", esta última, uma das primeiras composições da dupla Tom Jobim / Vinicius de Moraes.



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EXTRA 2: O Pearl Jam anunciou um hi-a-to por tempo indefinido durante a apresentação ontem no festival Optimus Alive!10, em Lisboa. "Obrigado por virem ao nosso último show por muito tempo", disse Eddie Vedder no decorrer da apresentação. Ele ainda falou que não é o último show da história do Pearl Jam, mas que será o último por um tempo indefinido. Pelo jeito, vai demorar um bom tempo para os brasileiros curtirem a banda de Seattle novamente ao vivo. Quem foi a algum dos shows do Pearl Jam no final de 2005, sabe muito bem do que estou falando.



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Hoje também é aniversário de um grande e saudoso baterista. Eric Carr, o melhor baterista que o Kiss teve, nasceu a 12 de julho de 1950. Infelizmente, um câncer no coração o tirou de cena em 24 de novembro de 1991. Morreu jovem. Mas deixou grandes álbuns com o Kiss, como "Creatures of the night" (1982) e "Lick it up" (1983). Saudades.



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EXTRA 1: A quem interessar possa, acabo de receber e-mail da produtora Time For Fun confirmando o show do Bon Jovi em São Paulo (Estádio do Morumbi), no dia 06 de outubro. A apresentação, que será a única no país, cairá numa quarta-feira, dois dias antes do show do Rush, no mesmo estádio. A apresentação faz parte da "The Circle Tour", uma das turnês que mais tem lucrado nesse ano. Os ingressos serão vendidos em pré-venda exclusiva para clientes Credicard, Citibank e Diners, pelo site www.ticketsforfun.com.br, telefone, bilheterias oficiais do show e demais pontos de vendas espalhados pelo Brasil. Informações sobre preços e datas de pré-venda e venda serão divulgadas em breve. Nesse último fim de semana, a banda de Bon Jovi fez show em Nova Jersey, e o cantor saiu carregado do palco.

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E aí pessoal? Como vamos? Vou dizer que estou com uma ressaca dessa Copa do Mundo. Caraca, parece que bebi uma garrafa de vodka todo dia nesse último mês. Eu não sei se queria muito que ainda tivesse um mês de Copa ou que ela acabasse logo. Enfim, acabou... E hoje, dia 12 de julho de 2010, o que temos, hein? Bom, comecei com Pablo Neruda, que faria 106 anos de idade hoje. Um dos meus livros de cabeceira é a sua "Antologia poética" (versão bilíngue), e foi dele que tirei esse soneto abaixo. Além de Neruda, quem faz aniversário hoje é um sambista que eu gosto muito. Almir Guineto nasceu a 12 de julho de 1946, no Rio de Janeiro. Zeca Pagodinho sempre dá uma força pra ele - inclusive gravando algumas canções suas, como "Lama nas ruas". Mas Almir pode ser considareado uma espécie de padrinho de Zeca, mesmo que não tenha alcançado o mesmo sucesso. Muito do que a gente vê no Zeca Pagodinho, já podia ser visto em Almir Guineto muitos anos antes: a malandragem, o jeito de cantar... Por isso que Almir Guineto merece muito respeito.



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"Tal vez no ser es ser sin que tú seas,
sin que vayas cortando el mediodía
como una flor azul, sin que camines
más tarde por la niebla y los ladrillos,

sin esa luz que llevas en la mano
que tal vez otros no verán dorada,
que tal vez nadie supo que crecía
como el origen rojo de la rosa,

sin que seas, en fin, sin que vinieras
brusca, incitante, a conocer mi vida,
ráfaga de rosal, trigo del viento,

y desde entonces soy porque tú eres,
y desde entonces eres, soy y somos,
y por amor seré, serás, seremos."

("Soneto LXIX" - Pablo Neruda - Antologia Poética)

11 de jul de 2010

Resenhando: Ozzy Osbourne, O Rappa, Foals, Skank, The Police

“Scream” – Ozzy Osbourne
Bom, o que esperar de um novo álbum de Ozzy Osbourne? Hum, acho que nada de muito diferente, certo? Certo. “Scream”, primeiro álbum de inéditas do ex-Black Sabbath em três anos, traz aquele mais do mesmo a que os fãs estão mais do que acostumados a ouvir. Ou, como disse o crítico Antonio Carlos Miguel, de O Globo, “óbvzzzyo” demais. Mas, vamos por partes. Apesar da repetição dos velhos clichês (criados pelo próprio Ozzy e pela sua antiga banda), “Scream” é o melhor álbum da carreira do cantor desde “No more tears” (1991). Ele é encorpado, tem um som poderoso e conta com ótimas canções. Bem diferente dos, de certa forma, anêmicos “Down to Earth” (2001) e “Black rain” (2007). Por exemplo, a música de trabalho, “Let me hear you scream” traz um Ozzy em ótima forma. (Dá até para imaginar a loucura que será essa canção em seus shows.) E “Scream” não para por aí. “Life won’t wait”, no melhor estilo “Mama I’m coming home”, é uma das melhores baladas de Ozzy. E “Soul sucker” é uma pedrada que faz lembrar os melhores momentos do Black Sabbath. A cavernosa “Latimer’s mercy” é outro bom momento, assim como “I want it more”, na qual se destaca a poderosa guitarra de Gus G., capaz de deixar os fãs de Ozzy com um pouco menos de saudade de Zakk Wylde.

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“Ao vivo” – O Rappa
Uma das bandas que mais enche os seus shows Brasil afora, O Rappa não dá mole e coloca na loja CD e DVD com o registro de sua última turnê, quando divulgou o mediano álbum “7 vezes” (2008). Os shows d'O Rappa passam perto da catarse coletiva em alguns momentos, e isso ficou muito bem registrado no CD (dois volumes simples ou um duplo) e especialmente no DVD, filmado na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, e dirigido por Heron Domingues. O público canta todas as músicas, inclusive as mais novas, e não para de pular. Poucas bandas conseguem isso no Brasil. Por isso que o lançamento de um trabalho ao vivo d'O Rappa não pode ser chamado de caça-níqueis, mas um presente para os fãs. Até mesmo porque, tirando o “Acústico MTV” (2005), em 17 anos de carreira, O Rappa só havia lançado um CD ao vivo, “Instinto coletivo” (2001). Nesse “Ao vivo”, a banda de Marcelo Falcão dá uma geral na carreira com músicas de todos os álbuns da banda, além das novidades de “7 vezes”. O repertório é bem balanceado, e o show resulta explosivo do início ao fim. E você ainda pode ver que os fãs d'O Rappa cantam músicas como “Meu mundo é o barro” e “Hóstia”, tão alto quanto “Minha alma (A paz que eu não quero)”, “Pescador de ilusões”, “Me deixa” e “Hei Joe”. E a versão da (quase) imbatível “Lado B lado A” ainda consegue ser melhor do que a do álbum original, lançado em 1999.

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“Total life forever” – Foals
Se eu tivesse uma banda, acho que teria pesadelos com a “síndrome do segundo álbum”. Imagina: você compôs um bando de música durante uns quatro anos, escolhe as melhores, grava o primeiro álbum, ele é bem elogiado, começa a turnê, não há mais tempo para nada e, quando você vai ver, tem que entrar em estúdio para entregar um novo álbum à gravadora. Tenso, não? A banda Foals passou por isso agora. O seu primeiro álbum, “Antidotes” (2008), foi bastante elogiado pela crítica, com um rock simples e direto que lembrava um pouco o Franz Ferdinand. Nesse segundo álbum ficou a impressão que a banda de Oxford quis correr atrás de uma sonoridade própria, até mais adulta. Se não soa tão vibrante quanto “Antidotes”, “Total life forever” tem a vantagem de apresentar uma banda, para o bem e para o mal, mais original. Para o bem, porque o Foals mostra algumas canções bem interessantes e que soam diferentes das outras bandas que surgem a rodo por aí. Exemplos? A viajante “This orient”, de longe a melhor do álbum, ou então a abertura com “Blue blood”, melodicamente rica, e com uma guitarra esperta de Yannis Philippakis, ou ainda “After glow”, cheia de variações rítmicas, que mostram que a banda amadureceu. Por outro lado, a banda peca em algumas canções que acabaram ficando, hum, talvez adultas demais. Nesse quesito entram “Spanish Sahara”, que beira à pretensão, e “Alabaster”, um tipo de música que poderia até estar em um álbum do Muse, mas não do Foals. Enfim, a banda passou no teste do segundo álbum. Mas terá que passar por outro no terceiro.

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“Calango – 15 anos” – Skank
Muito comum lá fora, edições comemorativas de álbuns históricos são algo raro aqui no Brasil. Aliás, raro não. Inexistente. Aproveitando os 15 anos (atrasado) do lançamento de “Calango” (1994), o Skank explora esse terreno até então inédito e coloca nas lojas uma edição especial do álbum que catapultou a banda mineira para o estrelato, com clássicos do rock brasileiro dos anos 90, como “Jackie Tequila”, “Esmola”, “Pacato cidadão” e “É proibido fumar”. Todas as músicas do álbum original aparecem remasterizadas nessa edição de aniversário, além de oito faixas raras, como as versões em espanhol para “Amolação” e “É proibido fumar”, remixes de “Te ver” e “A cerca”, e demos de “Estivador”, “O beijo e a reza”, “Jackie Tequila” e “Te ver”. No encarte, um ótimo texto do jornalista Ricardo Alexandre contextualiza o disco. “E a história do álbum ‘Calango’ é a história de como esses quatro amigos mineiros começaram um ano como um bem-sucedido grupinho de dance-hall de branco e o terminaram como um dos maiores fenômenos pop nacional de todos os tempos”, escreveu o jornalista. O resto é história. Tomara que outras bandas se animem a lançar CDs comemorativos de seus trabalhos mais importantes. É uma forma de vender disco e de agradar os fãs. Ao mesmo tempo.

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“In concert – Live at Tokyo Dome” – The Police
A gravadora Coqueiro Verde tem investido no lançamento de CDs/DVDs com shows de bandas como Pearl Jam, Duran Duran, Guns n' Roses e, agora, The Police. “In concert – Live at Tokyo Dome” traz uma apresentação da banda de Sting, Stewart Copeland e Andy Summers na capital japonesa, nos dias 13 e 14 de fevereiro de 2008, ou seja, dois meses após a turnê pela América do Sul, que passou pelo Rio de Janeiro e por Buenos Aires, onde, aliás, gravou o CD/DVD/BD “oficial” da turnê, “Certifiable”. Em tempos de internet, um lançamento como esse show em Tóquio teria que se justificar muito. E não é o caso. Os discos trazem o mesmo repertório do DVD “Certifiable”, com o diferencial de deixar de fora a última música do show, “Next to you”. Além do mais, o áudio (mixado apenas em 2.0) não está lá grande coisa. E a imagem, idem, com baixa resolução, que mais parece um show baixado na internet. Em suma, apesar de ser sempre agradável ouvir clássicos como “Message in a bottle”, “Can’t stand losing you”, “King of pain” e “Every little thing she does is magic”, “In concert – Live at Tokyo Dome” não se justifica nem para um colecionador. Melhor ficar com “Certifiable”, esse sim com imagem límpida, repertório completo e áudio estrondoso.

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Abaixo, um trecho de “Minha alma (A paz que eu não quero)”, extraída do DVD “Ao vivo”, d'O Rappa.