30 de jun de 2008

SHOW: “MARÉ” (ADRIANA CALCANHOTTO) – A MARÉ CHEIA DE CALCANHOTTO

Demorou um pouco, mas depois de alguns meses, Ney Matogrosso encontrou um concorrente a altura para disputar o prêmio de melhor show do ano. (Tudo bem que, na verdade, “Inclassificáveis” estreou em São Paulo no final do ano passado, mas como o espetáculo começou a rodar o Brasil nesse ano, podemos considerá-lo como um show de 2008.) Assim como Ney, Calcanhotto, em “Maré”, apresenta um show hermético, temático, com início, meio e fim – coisa cada vez mais difícil de se assistir nas casas de espetáculo.

Como poucos artistas, Calcanhotto sabe misturar, com a maior competência, o bom gosto com o populacho (não que sejam necessariamente coisas dissociadas). Por exemplo, uma canção extremamente popular como “Meu Mundo E Nada Mais”, de Guilherme Arantes, ganha novos (m)ares na interpretação da (cada vez mais) cantora e (cada vez menos, infelizmente) compositora gaúcha. Já dá até para imaginar o sucesso que essa gravação vai fazer, caso saia o CD ao vivo... O grande hit “Devolva-me” é outra que ganha um peso formidável com a sua interpretação.

Em um palco que simula o fundo do mar (com um cenário do sempre preciso Elio Eichbauer, cheio de cavalos marinhos e uma concha imensa na frente do teclado), Calcanhotto faz as vezes de uma de sereia – embalada em estonteante figurino de Gilda Midani. Chega de mansinho no palco, mas como uma intensidade tão forte, que o público fica até receoso de aplaudi-la, afinal de contas, fica difícil bater palmas no fundo do mar...

Após a entrada de Calcanhotto, ela e sua ótima banda – formada por Bruno Medina (teclados), Marcelo Costa (bateria), Alberto Continentino (baixo) e Domenico Lancellotti (bateria, percussão, barulhinhos etc) – atacaram com a faixa-título do show. “Três”, de Marina Lima, veio em seguida, e ganhou o peso que faltou no disco, principalmente pelo trabalho de Domenico. “Seu Pensamento” serviu para mostrar que as canções de “Maré” estão, de fato, no palco, superiores ao disco. Após, Calcanhotto fez a sua clássica saudação ao público (“É um prazer tocar aqui. Vocês acham que eu falo isso todas as noites, eu falo mesmo, mas aqui é verdade...”) e mandou o sucesso “Mais Feliz”, sucesso do álbum “Maritmo”, gravado em 1998 e que iniciou a trilogia marítima da cantora gaúcha. “Asas”, a canção seguinte, também é do mesmo disco. “Teu Nome Mais Secreto” e “Para Lá” (esta inferior à interpretação definitiva de Arnaldo Antunes), duas de “Maré”, deram continuidade ao show.

Em seguida, Adriana cantou o samba “Vai Saber”, feito para Mart’nália e que acabou entrando no CD “Universo Ao Meu Redor”, de Marisa Monte. Aliás, ela estrava presente na platéia do show de ontem, no Canecão. “Esquadros” (outra de “Maritmo”) foi a deixa para o público cantar junto, assim como “Mulher Sem Razão”, um hit magnífico e extemporâneo de Cazuza.

Fazendo um link com o poeta do Baixo Leblon, Adriana aproveitou para cantar duas poesias musicadas em seguida: “Sem Saída” (de Augusto de Campos) e outra de Fiama Hasse Pais Brandão, poetisa portuguesa, durante a qual, tocou violoncelo. Segundo a cantora, essa canção ficou de fora de “Maré” não se sabe o porquê.

“Tive Razão”, composição de Seu Jorge deu continuidade ao show, antes de Adriana Calcanhotto voltar a ser Adriana Partimpim e perguntar: “Tem criança na platéia?”. A conseqüência, claro, foi “Fico Assim Sem Você”, em versão fiel a do disco dedicado às crianças (adultas). “Um Dia Desses”, canção lúdica de “Maré” e que remete ao seu trabalho anterior, entrou em seguida. Já com Adriana Calcanhotto de pé, foi a vez da inevitável “Vambora”, cantada em uníssono pela platéia. “Porto Alegre (Nos Braços De Calipso)” e uma versão com uma pegada forte (com direito a dueto de baterias) de “Maresia” terminaram o show.

Nem precisava, mas Adriana ainda retornou ao palco duas vezes. Na primeira, mandou uma versão arrepiante (apenas com guitarra) do clássico caymmiano “Quem Vem Pra Beira Do Mar”, para em seguida atacar de “Meu Mundo E Nada Mais” e, surpresa, uma excelente versão – superior a original do Los Hermanos (ex-banda do tecladista Bruno Medina) – para “Deixa o Verão”. Na segunda volta ao palco, apenas com o seu violão, foi a vez de “Cariocas” (presente exclusivo para os fãs que assistiram ao show no Rio de Janeiro) e “Devolva-me”.

Tanto o disco quanto o show “Maré” colocam, de vez, Adriana Calcanhotto não só no posto das grandes artistas brasileiras, como, a consagra a maior artista da música brasileira da atualidade, ao lado de Maria Bethânia. E que venha o DVD! Rapidamente, por favor!

Abaixo, a canção “Seu Pensamento”, filmada durante show em Lisboa.

Cotação: *****

BON JOVI FARÁ CONCERTO GRATUITO NO CENTRAL PARK

Foi anunciado hoje, pelo prefeito de Nova York, Mike Bloomberg, que a banda norte-americana Bon Jovi fará um show de graça no famoso parque da cidade, no próximo dia 12. O espetáculo fará parte das comemorações pelo All-Star Game da Liga de beisebol. A partida ocorrerá no Yankees Stadium, no dia 15 de julho.

Já o estádio do New York Mets – rival do New York Yankees –, o mítico Shea Stadium (aonde já foi realizado shows dos Beatles), será demolido após o término do campeonato de beisebol. Dois shows de Billy Joel, nos dias 16 e 18 de julho celebrarão a sua despedida.

NEIL YOUNG E PAUL MCCARTNEY REVIVEM “A DAY IN THE LIFE”



Em maio, durante um show em Liverpool, 41 anos após a sua gravação original, Paul McCartney tocou pela primeira vez uma versão ao vivo de “A Day in the Life” (vídeo acima).

Na noite de 6ª feira, conforme já noticiado aqui, Neil Young também apresentou a mesma canção no show que fechou a primeira noite do Rock In Rio Madrid (vídeo abaixo).

Uma curiosidade interessante que marca os 41 anos de lançamento de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, um dos álbuns mais importantes da história da música... Só fica difícil dizer qual a melhor versão...

LÍDER DO AEROSMITH ADMITE INTERNAÇÃO EM CLÍNICA DE REABILITAÇÃO

Steven Tyler, vocalista do Aerosmith, admitiu que se internou em uma clínica de reabilitação no mês passado, para se livrar da dependência de drogas. Tyler disse que é viciado em analgésicos e remédios para dormir. Ele afirmou que voltou a tomar remédios fortes para aliviar as fortes dores que sentia em conseqüência de uma lesão no pé. “Para ficar com o pé legal, com a perna legal, você tem que usar narcóticos”, disse à Associated Press. “Isto aconteceu um mês atrás. Agora, eu já coloquei o pé no freio, me desintoxiquei e coloquei um ponto final nessa história”, completou.

Na 6ª feira passada, Tyler, juntamente com a sua banda, lançou o jogo “Guitar Hero: Aerosmith”. A festa aconteceu no Hard Rock Cafe de Nova York (foto acima). O jogo estará disponível para os consoles Wii, Xbox 360 e PlayStation 2 e 3.

Quem se disponibilizar a comprar o jogo, poderá ‘tocar guitarra’ juntamente com Joe Perry e companhia, em canções como “Sweet Emotion” e “Walk This Way”.

GRACE JONES LANÇA O SEU PRIMEIRO ÁLBUM EM QUASE DUAS DÉCADAS

A cantora terminou de gravar o seu próximo disco, “Hurricance”, que será posto nas lojas no dia 29 de outubro. O trabalho, composto por material inédito, será o primeiro da diva negra desde “Bulletproof Heart”, de 1989. A produção do álbum é dividida entre a própria Grace Jones e Ivor Guest. “Hurricane” terá as participações especiais de Brian Eno e de Sly And Robbie.

No último dia 19, Grace Jones fez um show – muito bem recebido pela crítica – no Royal Festival Hall, em Londres.

THE POLICE E ERIC CLAPTON SE APRESENTAM NO HYDE PARK

O The Police fez na noite de ontem o último show de sua carreira na Inglaterra. O show ocorreu no Hyde Park, em Londres, no Hard Rock Calling Festival. Sting e sua banda tocaram por uma hora e meia para mais de 35 mil pessoas. Antes de começar o show, Sting disse para a platéia: “É bom estar de volta em casa”.

Como de costume nessa turnê de retorno da banda inglesa, o show começou com “Message In A Bottle”. No roteiro, grandes clássicos como “Roxanne”, “Don't Stand So Close To Me”, “Walking On The Moon”, “Can't Stand Losing You” e “Every Little Thing She Does Is Magic”. Segundo a crítica do jornal The Sun, o ponto alto da noite foi a canção “Every Breath You Take”. A última música do roteiro foi “Next To You” (vídeo abaixo), a primeira faixa do disco de estréia da banda, “Outlandos D’Amour”, de 1979.

No início dessa semana, Sting disse que o término dessa turnê representava o fim de uma era para ele. O baixista também afirmou que aprendeu como “todos nós [os integrantes da banda] avançamos de garotos jovens que éramos, mas continuamos, mais ou menos, a mesma coisa”.

Na mesma noite, tocaram no Hyde Park, The Bangles, Starsailor e KT Tunstall.




Dentro do mesmo festival, só que no sábado, o guitarrista Eric Clapton foi o grande protagonista da noite. Antes dele, se apresentaram Sheryl Crow e John Mayer. No setlist do compositor inglês, velhos sucessos como “Layla”, “Cocaine” e “Wonderful Tonight”. Alguns covers também foram apresentados no concerto, como “Here But I’m Gone” (Curtis Mayfield) e “Rockin’ Chair” (Hoagy Carmichael). O show durou duas horas e teve as participações especiais de Sheryl Crow, John Mayer e Robert Randolph durante o bis, com a canção “Crossroads” (vídeo abaixo).

Eis o roteiro do show de Eric Clapton:
1) “Tell The Truth”
2) “Key To The Highway”
3) “Hoochie Coochie Man”
4) “Outside Woman Blues”
5) “Here But I'm Gone”
6) “Why Does Love Got To Be So Sad”
7) “Driftin’”
8) “Rockin' Chair”
9) “Motherless Child”
10) “Travellin' Riverside Blues”
11) “Running On Faith”
12) “Motherless Child”
13) “Little Queen of Spades”
14) “Before You Accuse Me”
15) “Wonderful Tonight”
16) “Layla”
17) “Cocaine”
18) “Crossroads”

THE LAST SHADOW PUPPETS ANUNCIA TURNÊ

Após a boa apresentação no festival de Glastonbury, o The Last Shadow Puppets, projeto paralelo de Alex Turner (Arctic Monkeys) e Miles Kane (Rascals), anunciou a sua primeira turnê, que começará no dia 19 de agosto e terminará em 03 de novembro.

O primeiro show da turnê de 15 datas acontecerá na cidade inglesa de Portsmouth. Ainda na Inglaterra, a dupla vai se apresentar nos festivais de
Reading e Leeds, nos dias 22 e 24 de agosto, respectivamente. O último show da parte inglesa da turnê será no Hammersmith Apollo, em Londres, no dia 26 de outubro.

As duas últimas datas, dias 30 de outubro e 03 de novembro, estão reservadas para shows nos Estados Unidos. O primeiro no Grand Ballroom de Nova York, e o Segundo no Mayan Theatre, em Los Angeles.

VÍTIMA DE AMY WINEHOUSE EM GLASTONBURY FALA SOBRE O INCIDENTE

Após ter dado um soco em um fã durante a sua participação no festival de Glastonbury diante de 75 mil pessoas, Amy Winehouse continua sendo notícia. A vítima da cantora, James Gostelow, falou sobre o incidente para a rádio BBC e afirmou que acredita que a cantora tenha se enganado ao lhe desferir o soco. “Eu vi um chapéu voando vindo de trás de mim que acabou batendo no rosto da Amy. Ela apontou o olhar em minha direção e quando me viu olhando para cima, o seu cotovelo veio em minha direção, que acabou pegando na minha testa. Aí, uma pessoa atrás de mim gritou algo, que foi quando ela deu um soco novamente”, disse Gostelow.

A vítima disse que não teve a intenção de acionar a polícia, se limitando a dizer que “tudo isso faz parte da experiência de Glastonbury”. Ele também afirmou que gostou muito da performance de Amy Winehouse no festival.

O guitarrista Jamie Cook, da banda Arctic Monkeys também resolveu falar sobre Amy Winehouse nesse domingo. Segundo ele, a cantora deveria dar uma parada em sua carreira para resolver os seus problemas pessoais. Cook disse que ela tem “um talento fantástico”, mas não deveria subir ao palco nesse estado em que se encontra. No entanto, o guitarrista elogiou Amy Winehouse ao Mirror: “Há poucas semanas, ela estava muito doente, e agora já está fazendo shows”.

THE VERVE, LEONARD COHEN, GOLDFRAPP, THE ZUTONS E NEIL DIAMOND SÃO OS DESTAQUES DA TERCEIRA NOITE DE GLASTONBURY

O festival de música pop mais importante da Europa foi encerrado ontem com um show considerado antológico da banda The Verve. Mas antes da banda headliner do Pyramid Stage, principal palco do festival, vários outros artistas pisaram nos diferentes palcos de Glastonbury. O veterano cantor Leonard Cohen emocionou o público, assim como Neil Diamond, outro veterano que, recentemente, chegou ao primeiro lugar das paradas britânica e norte-americana, com o seu disco “Home After Dark”. As bandas Goldfrapp e The Zutons foram outras que surpreenderam.




O The Verve aproveitou o seu show para mostrar algumas canções novas de “Forth”, novo álbum da banda, previsto para sair em agosto. Durante o espetáculo, o vocalista Richard Ashcroft relembrou o show de Jay-Z na noite anterior: “Um grito para Jay-Z pelo bom espetáculo, mas hoje a noite é de rock n’ roll!”. Entre as canções inéditas, o The Verve tocou “Sit And Wonder” e "Love Is Noise". Antigos sucessos, como “History”, “Drugs Don't Work”, “Lucky Man” e “Bitter Sweet Symphony (vídeo acima)” também estiveram presentes no roteiro.

Durante a apresentação, o vocalista agradeceu aos organizadores do festival pela chance de sua banda encerrar a noite. “Eu gostaria de agradecer a Emily Eavis por ter nos convidado para tocar em Glastonbury. Eu espero que o seu pai [Michael Eavis, principal organizador do festival] agora tenha compreendido porque ela nos chamou. Eu acho que Michael estava com um pouco de medo, porque não somos tão bons quanto o Keane”, ironizou Ashcroft.

O repertório do show foi o seguinte:
1) “This Is Music”
2) “Sonnet”
3) “Space And Time”
4) “Sit And Wonder”
5) “History”
6) “Life's An Ocean”
7) “Velvet Morning”
8) “Rolling People”
9) “Drugs Don't Work”
10) “Lucky Man”
11) “Bitter Sweet Symphony”
12) “Love Is Noise”




Poucos momentos antes do Verve, o cantor Leonard Cohen protagonizou um show emocionante no mesmo Pyramid Stage. O cantor de 73 anos, que não permitiu que a BBC gravasse o seu show (sob o argumento de que ficaria nervoso), cantou, entre 16 canções, “Hallelujah”, o seu principal sucesso (vídeo amador acima). Durante a execução do mesmo, o sol estava se pondo, proporcionando um belo visual em Glastonbury. Em certo momento, Cohen alterou a letra original da canção (“I told the truth / I didn't come here to fool ya”) para “I told the truth / I didn't come to Glastonbury to fool ya”. Outros sucessos do compositor canadense também tiveram a sua vez, entre eles, “Who By Fire”, “Suzanne” e “So Long, Marianne”.

O set-list da apresentação foi o seguinte:
1) “Dance Me To The End Of Love”
2) “The Future”
3) “Ain't No Cure For Love”
4) “Bird On A Wire”
5) “Everybody Knows”
6) “Who By Fire”
7) “Hey, That's No Way To Say Goodbye”
8) “So Long, Marianne”
9) “Tower Of Song”
10) “Suzanne”
11) “Hallelujah”
12) “Democracy”
13) “I'm Your Man”
14) “Closing Time”
15) “Anthem”
16) “First We Take Manhattan”



A banda Goldfrapp também fez uma boa apresentação no Pyramid Stage, na noite de ontem (foto acima). A excêntrica formação da banda (um harpista, três backing-vocals, um violinista, guitarristas, tecladista e percussionista) agradou ao público, que respondeu bem a canções como “A&E” e “Happiness”, as duas primeiras do repertório. Durante a música “Little Bird”, duas dançarinas subiram ao palco com uma dança bastante sensual. Em “Happiness”, quatro dançarinos fizeram o mesmo. O encerramento do set do Goldfrapp ocorreu com a canção “Strict Machine”.

Eis o repertório do show:
1) “Utopia”
2) “A&E”
3) “You Never Know”
4) “The Goodwill”
5) “Clowns”
6) “Little Bird”
7) “Number One”
8) “Happiness”
9) “Ooh La La”
10) “Caravan Girl”
11) “Deep Honey”
12) “Strict Machine”




Já no Other Stage, o principal destaque foi a banda The Zutons, que contou com a participação especial de Mark Ronson durante o show. O produtor tocou guitarra na canção “Valerie”, composta pela banda e que já fez enorme sucesso na voz de Amy Winehouse. Antes de cantar a música, o líder do conjunto, Dave McCabe, perguntou: “Alguém aqui conhece Amy Winehouse?”. Após o efusivo aplauso da platéia, McCabe disse: “Para tocar essa canção conosco, o cara que fez essa música ser o que é, Mark Ronson”.

O The Zutons também dedicou uma canção ao grupo The Raconteurs, que já havia tocado em Glastonbury, na noite anterior. “Alguém assistiu ao The Raconteurs ontem? Nosso baterista aprecia muito o Jack White. Então esta é para ele”, disse antes de cantar “You Will You Won’t Live” (vídeo acima).




Assim como Leonard Cohen, o veterano cantor Neil Diamond também agradou à platéia, em sua maioria jovem, do Pyramid Stage. Apesar dos problemas técnicos que ocorreram durante o seu show, Diamond soube contorná-los com a sua experiência. Tanto que a canção “Sweet Caroline” proporcionou o maior coro do festival (vídeo acima).

O maior problema aconteceu durante a execução da música “Done Too Soon”, durante a qual o som desapareceu completamente. Entretanto, a platéia não parou de gritar “Neil!Neil! Neil!”, durante o momento de silêncio. Pouco antes, o cantor disse que faria o seu melhor no palco, porque gostaria de ser chamado para outras edições de Glastonbury. Além de velhos sucessos como “Forever In Blue Jeans”, “I'm A Believer” e “America”, Neil Diamond também cantou a faixa-título de seu mais recente trabalho, “Home After Dark”.

O roteiro do show segue abaixo:
1) “Cracklin' Rosie”
2) “Holly Holy”
3) “Beautiful Noise”
4) “Cherry, Cherry”
5) “Thank The Lord For The Night Time”
6) “Red Red Wine”
7) “You Got To Me”
8) “Home After Dark”
9) “Pretty Amazing Grace”
10) “Crunchy Granola Suite”
11) “Done Too Soon”
12) “Forever In Blue Jeans”
13) “I'm A Believer”
14) “America”
15) “Sweet Caroline”

29 de jun de 2008

NOITE DIFERENTE NO ROCK IN RIO MADRID COM IVETE SANGALO, CARLINHOS BROWN E TOKIO HOTEL

A segunda noite do Rock In Madrid foi bastante diferente do que os fãs roqueiros gostariam de assistir. Depois de um show de ninguém menos do que Neil Young na noite anterior, os organizadores optaram por estilos de música diferentes e a axé-music tomou conta de Arganda Del Rey, na noite passada. Em conseqüência, o público foi um dos mais jovens (e mais animados também) registrados em todas as edições do festival. O número de pagantes – 50 mil – foi maior do que o da noite anterior, mas mesmo assim bem inferior ao que estimava a produção (cem mil pessoas por dia).

A crítica especializada mostrou-se um pouco receosa com as atrações, ainda mais em comparação com o show de Neil Young na noite anterior. “O problema é que, após o apoteótico show de Neil Young na sexta-feira, nada parece brinquedo. O velho homem foi grandioso”, noticiou o jornal El País.


Dois dos principais nomes do carnaval baiano fizeram shows nessa segunda noite de Rock In Rio Madrid. Carlinhos Brown – cultuado pelos espanhóis – fez um show competente, desceu para cantar com a platéia (foto acima), e não levou nenhuma garrafada na cabeça. Ele cantou sucessos conhecidos pelo público, como “Pandeiro-deiro” e “Carlito Marrón”. Para cair de vez nas graças dos espanhóis, o compositor baiano ainda vestiu uma camisa da seleção espanhola, que joga hoje a final da Eurocopa contra a seleção da Alemanha.




Mas antes de Brown, foi a vez de Ivete Sangalo abrir a noite. Com uma grande banda e várias trocas de figurinos, a cantora baiana fez o seu costumeiro show, praticamente idêntico ao álbum “Ao Vivo No Maracanã”. Um problema de som fez com que o show fosse interrompido por alguns minutos, mas nada que tirasse a animação de Ivete e, claro, da platéia espanhola, que respondeu bem e aprovou o show, ainda mais quando a baiana cantou o hit “Corazón Partío”, de autoria do espanhol Alejandro Sanz. E como não é boba nem nada, Ivete encerrou a sua apresentação carregando as bandeiras do Brasil e da Espanha. Logo acima, um vídeo com os bastidores da apresentação de Ivete Sangalo em Madrid.


A banda Tokio Hotel, que havia cancelado um show em Madrid recentemente, levou as suas fãs adolescentes a loucura, assim como já havia feito no Rock In Rio Lisboa no final do mês passado. Durante o show (foto acima), o número de atendimentos médicos disparou e muitas fãs desmaiaram. Antes do show, entretanto, a banda alemã provocou os espanhóis dizendo que a seleção de futebol de seu país ganharia a Eurocopa hoje. Entre as canções do repertório, sucessos como “Ready Steady Go” e “By Your Side”.

O conjunto espanhol de rock El Canto Del Loco encerrou a segunda noite do Rock In Rio Madrid, que retornará na sexta-feira da semana que vem. Um vídeo com os melhores momentos dessa segunda noite pode ser visto aqui.

ÁLBUM: “CADA VEZ MELHOR” (JAMELÃO) – RENASCIDO NAS LOJAS

Um fenômeno interessante aconteceu nas grandes lojas de disco nestes últimos dias. Jamelão faleceu faz duas semanas e um disco seu – o último de sua carreira – apareceu repentinamente nas bancadas de lançamento das grandes lojas. Na verdade, o trabalho foi lançado no final de 2002, mas o consumidor mais desatento vai comprá-lo como se fosse um lançamento póstumo. Mas isso é o que menos importa. Louvável mesmo é ter um CD disponível de um dos maiores intérpretes de samba à disposição. A tiragem não é nova (ela não é nem numerada). Provavelmente os CDs estavam guardados com a gravadora, que, ao mesmo tempo que aproveita e fatura uns trocados com a morte de Jamelão, faz o favor de colocar o CD na loja. Um parêntese: Jamelão gravou mais de 60 discos desde a década de 40, e absolutamente nenhum deles encontra-se em catálogo atualmente.

“Cada Vez Melhor” é uma coletânea de sucessos regravados pelo ex-crooner da Orquestra Tabajara em 2002. Acompanhado por excelentes músicos, como o baixista Jorge Helder e o baterista Téo Lima, o intérprete e compositor mangueirense faz um apanhado geral de sua obra, regravando suas grandes canções, desde o seu primeiro grande sucesso, “Folha Morta”, de Ary Barroso, lançado originalmente em 1956, até o samba “Brasil com Z é Pra Cabra Da Peste, Brasil com S é a Nação do Nordeste”, samba campeão – da Mangueira, lógico – de 2002. Além desse samba-enredo, Jamelão interpreta no disco “Avatar e a Selva Transformou-se Em Ouro”, belo samba da verde-e-rosa, que ficou em quarto lugar em 1979. Vale lembrar que Jamelão foi intérprete da Estação Primeira de Mangueira por mais de 50 anos.

Influenciado principalmente por Cyro Monteiro, Jamelão mostra as suas duas especialidades em “Cada Vez Melhor”: o samba e o samba-canção. No primeiro grupo, além dos sambas-enredo, clássicos como “Lá Vem a Baiana” (de Dorival Caymmi) – “Nem Eu”, do mesmo compositor foi um de seus grandes sucessos nos anos 50, mas infelizmente ficou de fora desse disco – e “Esta Melodia” (“Deus deu resignação ao meu pobre coração / Não suporto mais sua ausência, já pedi a Deus, paciência”), um clássico de sua autoria.

Com relação aos sambas-canções, sucessos como “Matriz Ou Filial”, de Lúcio Cardim (“Quem sou eu / Pra sufocar a solidão da sua boca / Que hoje diz que é matriz e quase louca / Quando brigamos diz que é filial”) e “Nossos Momentos”, parceria de Ary Vidal e Luiz Reis, estão presentes no disco. Lupicínio Rodrigues (compositor ao qual Jamelão já dedicou dois discos, em 1972 e 1987) também comparece em “Cada Vez Melhor”, com “Vou Brigar Com Ela”, “Nunca”, “Ela Disse-me Assim” e a linda “Sozinha”.

Para quem conhece Jamelão apenas pelos sambas da Mangueira, “Cada Vez Melhor” é uma ótima oportunidade para se aprofundar um pouco mais na obra do tamborinista que acabou se transformando em um grande cantor. E que as outras gravadoras se animem a colocar a obra mais antiga de Jamelão em catálogo.

Cotação: ****

MASSIVE ATTACK, JAY-Z, THE WOMBATS, THE RACONTEURS, HOT CHIP, CSS E THE LAST SHADOW PUPPETS SÃO OS DESTAQUES DA SEGUNDA NOITE DE GLASTONBURY

Na segunda noite do festival de Glastonbury, vários artistas nos diferentes palcos fizeram bons shows, mas, segundo a crítica internacional, Massive Attack, The Wombats, The Raconteurs, Hot Chip e The Last Shadow Puppets fizeram as melhores apresentações da noite. A banda brasileira Cansei de Ser Sexy também animou os ingleses, e o rapper Jay-Z surpreendeu com uma versão de Wonderwall, sucesso da banda inglesa Oasis, cujo guitarrista Noel Gallagher criticou os organizadores do festival por terem escalado o rapper como headliner do Pyramid Stage, o principal palco do evento.

No Other Stage, o Massive Attack mostrou os seus maiores sucessos de todos os seus álbuns, em um grande show com muita luz e raio laser. O espetáculo começou com “All I Want” e continuou com “Rising Son” e “Teardrop”, que teve a participação especial da cantora Stephanie Dozen. Outros artistas que participaram do show foram o cantor de reggae Horace Andy (em “Angel”) e Shara Nelson (em “Unfinished Sympathy”).

O set-list do show do Massive Attack foi o seguinte:
1) “All I Want”
2) “Marooned”
3) “Rising Son”
4) “Teardrop”
5) “Mezzanine”
6) “16 Seeter”
7) “Karmacoma”
8) “Harpsichord”
9) “Red Light”
10) “Inertia Creeps”
11) “Safe From Harm”
12) “Marakesh”
13) “Angel”
14) “Unfinished Sympathy”
15) “Dobro”



Jay-Z, que fechou a noite de sábado no Pyramid Stage, teve à sua disposição, indo de encontro às expectativas, um dos maiores públicos da história do festival de Glastonbury. Criticado por Noel Gallagher – que disse que não queria hip-hop no festival –, já na primeira música, o rapper mostrou ao que veio, mandando uma versão sarcástica de “Wonderwall”, imitando vocalista do Oasis, Liam Gallagher (vídeo acima). Jay-Z também apresentou os seus principais sucessos, como “I Know”, “Girls, Girls, Girls” e “I Just Wanna Love U (Give It To Me)”.

Na metralhadora giratória do rapper, sobrou para o presidente Bush. Jay-Z fez um discurso criticando a política norte-americana com relação ao furacão Katrina, que devastou a cidade de Nova Orleans, alguns anos atrás, e ao final gritou: “Fuck Bush”. Com uma foto do candidato democrata Barack Obama ao fundo, disse: “Vamos mudar isso!”. O hit “Umbrella” também foi lembrado com a ‘participação’ da cantora Rihanna com a sua voz no sistema de som.



Mais cedo, no Other Stage, a banda de Liverpool The Wombats fez um show enxuto com as suas canções mais conhecidas, de maneira que a platéia as cantasse. O vocalista Matthew Murphy e sua banda abriram o set com “Tales Of Girls, Boys And Marsupials” a capella. Após, “Kill The Director” (vídeo acima) levou os ingleses a loucura. Antes de tocar “Patricia The Stripper”, Murphy perguntou se alguém da platéia já tinha se apaixonado por uma prostituta. A maioria dos presentes, que respondeu positivamente a pergunta do vocalista, também pulou ao som de “Little Miss Pipe Dream” e “Backfire At The Disco”, a última do show.

O repertório da apresentação foi o seguinte:
1) “Tales Of Girls, Boys And Marsupials”
2) “Kill The Director”
3) “Lost In The Post”
4) “Party In A Forest (Where's Laura?)”
5) “Here Comes The Anxiety”
6) “Moving To New York”
7) “Patricia The Stripper”
8) “Little Miss Pipe Dream”
9) “Let's Dance To Joy Division”
10) “My First Wedding”
11) “Backfire At The Disco”

No Pyramid Stage, o grupo liderado por Jack White, The Raconteurs (foto acima), também fez uma apresentação muito elogiada. A outra banda de Jack, The White Stripes, foi uma das headliners da edição do festival de 2005, mas dessa vez, o The Raconteurs estreava no festival. No show, a banda misturou canções do primeiro álbum “Broken Boy Soldiers”, com outras do atual “Consolers Of The Lonely”. No repertório, esteve presente o principal sucesso da banda, “Steady, As She Goes”, com o público berrando o refrão ‘Are you steady now?’.

O roteiro foi o seguinte:
1) “Consoler Of The Lonely”
2) “Hold Up”
3) “Level”
4) “You Don't Understand Me”
5) “Top Yourself”
6) “Rich Kid Blues”
7) “Steady, As She Goes”
8) “Many Shades Of Black”
9) “Broken Boy Soldier”
10) “Salute Your Solution”
11) “Old Enough”
12) “Blue Veins”


O cantor e guitarrista Jack White aproveitou o show de sua banda em Glastonbury para participar da apresentação do The Last Shadow Puppets (foto acima), que assim como o Franz Ferdinand, fez um show surpresa no festival. O show do grupo de Alex Turner e Miles Kane aconteceu no Park Stage e contou com as canções do único álbum da dupla, “The Age Of The Understatement”.

O set começou com “My Mistakes Were Made For You” e “Only The Truth”, e, pouco depois, o baterista do Arctic Monkeys, Matt Helders subiu ao palco para participar da faixa-título do CD da dupla. Jack White participou rapidamente da última canção do roteiro, “Wondrous Place”.

Eis o repertório do show:
1) “My Mistakes Were Made For You”
2) “Only The Truth”
3) “Calm Like You”
4) “Standing Next To Me”
5) “The Chamber”
6) “Meeting Place”
7) “The Age Of The Understatement”
8) “Wondrous Place”


A banda Cansei de Ser Sexy, praticamente desconhecida no Brasil, fechou a noite de sábado de Glastonbury, no palco Park Stage (foto acima). O grupo começou o show com “Rat Is Dead (Rage)”, canção que estará presente no próximo álbum do CSS, “Donkey”. O novo single da banda, “Left Behind” também fez parte do repertório de dez canções. Sucessos antigos, como “Off The Hook” e “Alcohol”, lógico, também fizeram parte da apresentação. Nesta última, o vocalista Lovefoxxx ameaçou se jogar na platéia. “Alala” encerrou o espetáculo.

O set-list do CSS foi o seguinte:
1) “Rat Is Dead (Rage)”
2) “Meeting Paris Hilton”
3) “This Month, Day 10”
4) “Left Behind”
5) “Off The Hook”
6) “Music Is My Hot Hot Sex”
7) “Alcohol”
8) “Reggae All Night”
9) “Let's Make Love And Listen To Death From Above”
10) “Alala”


O conjunto Hot Chip foi outro que agradou bastante ao público do Other Stage (foto acima). O grande destaque da apresentação foi o cover de “Nothing Compares 2 U”, sucesso de Prince e que fez muito sucesso na voz de Sinead O’Connor. O show do Hot Chip contou com os principais hits da banda, como “And I Was A Boy From School”, “Over And Over” e “Ready For The Floor”.

Abaixo, o repertório do show:
1) “Shake A Fist”
2) “And I Was A Boy From School”
3) “Hold On”
4) “Wearing My Rolex”
5) “One Pure Thought”
6) “No Fit State”
7) “Over And Over”
8) “Ready For The Floor”
9) “Nothing Compares 2 U'/'The Privacy Of Our Love”

28 de jun de 2008

ALANIS MORISSETTE E NEIL YOUNG SÃO OS DESTAQUES DA PRIMEIRA NOITE DO ROCK IN RIO MADRID

Após o sucesso do evento em Portugal, a primeira edição do Rock In Rio Madrid deu a largada na noite de ontem. As duas principais atrações da noite foram os artistas canadenses Neil Young e Alanis Morissette. Jack Johnson e o cantor espanhol Manolo Garcia também participaram do evento que aconteceu em Arganda Del Rey, perto da capital espanhola. Além de muita música, o público do festival pôde patinar em um ringue, brincar na neve artificial ou até mesmo assistir a desfiles de moda. Segundo o jornal El País, o mais importante da Espanha, o festival é um “espectáculo sem precedentes na Espanha”. No entanto, o público de 40 mil pessoas (incluindo muitos convidados) ficou aquém ao esperado.

Como aconteceu na última edição do Rock In Rio em sua cidade natal, no ano de 2001, a abertura do festival se deu com o hino pacifista “Imagine”, de John Lennon, executado por uma orquestra espanhola. O público levantou e agitou lenços brancos no ar.

Alanis Morissette abriu o festival com um show relativamente curto, no qual apresentou algumas canções de seu último trabalho, “Flavors Of Entanglement”, além de sucessos como “You Oughta Know”, “All I Really Want” e “You Learn”. No entanto, o jornal El País criticou a apresentação: “Em seus 34 anos, Alanis mantém a energia no palco desde o início do show, mas reduziu o ritmo das suas guitarras com as canções de seu último álbum, não conseguindo envolver o público”.

Neil Young encerrou a noite com bastante rock ‘n’ roll, ao lado de sua Electric Band, que se não chega a ser uma Crazy Horse, também não é tão inferior. O compositor canadense resgatou uma velha canção para abrir o espetáculo: “Mr. Soul”, da época de sua antiga banda, Buffalo Springfield. Outros sucessos, como “Cinammon Girl”, “The One And Only Love” e “Hey Hey, My My” (vídeo abaixo) também foram tocados. Canções de seu último trabalho, “Chrome Dreams II”, como “Spirit Road” também estiveram presentes, assim como uma versão para “A Day In The Life”, dos Beatles.

AMY WINEHOUSE CRIA POLÊMICA EM GLASTONBURY (E NO SHOW PARA MANDELA)



Como já foi noticiado aqui, Amy Winehouse fez uma pequena participação no show em homenagem a Nelson Mandela, no Hyde Park, ontem, cantando algumas canções com a sua banda e, após, retornando ao palco para um número final com todos os demais artistas que participaram do tributo.
Mas um fato curioso aconteceu enquanto a cantora inglesa participava da última canção, “Free Nelson Mandela”. No meio da música, ao invés de cantar o verso “Free Nelson Mandela”, ela homenageou o marido (que atualmente está preso) trocando a letra para “Free Blake Fielder-Civil”.

No vídeo acima, por volta dos 5 minutos e 25 segundos, é possível ouvir a ‘homenagem’.



Já no festival de Glastonbury, onde Amy Winehouse apresentou-se na noite de ontem, durante a execução da última canção (“Rehab”), a cantora deu um soco em alguma pessoa na platéia (vídeo acima). Amy desceu do palco para cantar a música junto aos seus fãs e acabou protagonizando a grotesca cena. Logo após, os seguranças a afastaram do local e a cantora acabou retornando ao palco para finalizar a canção.

Apesar do incidente, Amy mostrou-se muito satisfeita durante o show. “Vocês não têm noção de como estou feliz aqui nessa noite. Eu me sinto como se tivessem criado uma nova palavra no dicionário para alegria, e colocado uma foto minha lá”, disse ao público antes de cantar “Tears Dry On Their Own”. Ela também fez piada acerca de seu mini-vestido azul: “Três mulheres tiveram que me ajudar a entrar nesse vestido. Nós, mulheres, levamos muito tempo para nos vestirmos e pouquíssimo tempo para ficarmos nuas”.

Ela também falou sobre o seu marido, que deve sair da prisão dentro de duas semanas. “Eu nunca havia amado um homem branco antes. Aí ele veio e bateu na minha cabeça com um bastão de críquete. Não de forma literal, obviamente”, falou a cantora durante o show.

O repertório da apresentação de Amy Winehouse em Glastonbury foi o seguinte:
1) “Addicted”
2) “Just Friends”
3) “Tears Dry On Their Own”
4) “Cupid”
5) “Back To Black”
6) “Wake Up Alone”
7) “Some Unholy War”
8) “Love Is A Losing Game”
9) “Hey Little Rich Girl”
10) “A Message To You Rudy”
11) “You're Wondering Now”
12) “You Know I'm No Good”
13) “Me And Mr Jones”
14) “Rehab”

JIMMY PAGE DIZ QUE LANÇAMENTO DO DVD DO LED ZEPPELIN EM LONDRES É “PROVÁVEL”

O Led Zeppelin acenou com a possibilidade de lançar em DVD o registro do show que foi realizado em dezembro do ano passado na O2 Arena, em Londres. Boatos acerca desse DVD têm circulado desde que a informação de que o show foi filmado veio à tona.

O guitarrista Jimmy Page disse que o lançamento é “provável”. “Eu espero que aconteça algum dia. Penso que um dia ele sairá, mas não há pressa em fazer isso”, disse o baixista John Paul Jones em entrevista à rádio BBC 6Music. “Foi uma ocasião muito especial, e nós queremos mesmo que o DVD seja lançado”, completou.

Enquanto esse dia não chega, segue abaixo um vídeo amador de “Kashmir”.

AMY WINEHOUSE, LEONA LEWIS E QUEEN PARTICIPAM DE SHOW EM HOMENAGEM A MANDELA



Amy Winehouse retornou aos palcos pela primeira vez após ser diagnosticada com enfisema pulmonar. O show aconteceu ontem no Hyde Park, Londres, em comemoração ao aniversário de 90 anos de Nelson Mandela. Amy cantou poucas canções, incluindo o sucesso “Rehab” (vídeo acima) e “Valerie”, cover da banda The Zutons. Ao final da apresentação, a cantora inglesa voltou ao palco para a canção “Free Nelson Mandela”, em companhia dos outros artistas que participaram do show, que arrecadou fundos para a fundação de caridade 46664, que cuida de aidéticos.

Leona Lewis, que também cantou no evento se disse muito emocionada durante o show. Após a sua apresentação, a cantora afirmou que foi “realmente um momento muito especial”. “Eu nunca poderia imaginar que um dia eu estaria no palco cantando em um aniversário de Nelson Mandela”, completou Leona Lewis.

Outros artistas, como a banda Razorlight (que mandou uma mensagem política para o Zimbábue), Queen e Annie Lennox também subiram ao palco do Hyde Park para comemorar o aniversário do líder sul-africano.

PAUL MCCARTNEY E BOB DYLAN DEVEM PARTICIPAR DE ÁLBUM BENEFICENTE

Tanto o ex-Beatle quanto Bob Dylan estão cotados para participar de uma coletânea que arrecadará fundos para instituições de caridade do projeto ‘Warchild’. Brian Wilson também está cotado para o disco, que sucederá “Help Album” (foto acima), lançado com a mesma proposta pela ‘Warchild’, em 1995.

De acordo com o The Sun, os artistas que participarem do disco gravarão músicas atuais, incluindo uma do cantor e compositor Beck. O disco original “Help Album” contou com as participações de Noel Gallagher, Paul Weller e Sinead O’Connor, vendendo mais de um milhão de cópias.

SHOW: PEARL JAM EM NOVA YORK 2008 – UM SHOW BEM DIFERENTE

Enquanto não lança o seu próximo álbum de inéditas, o Pearl Jam aproveitou para fazer uma pequena turnê de 13 datas pela costa leste dos Estados Unidos. No último dia 24, a banda norte-americana apresentou-se no Madison Square Garden, em Nova York (foto acima). Infelizmente, como vem ocorrendo nos shows dessa turnê de verão, o Pearl Jam não apresentou nenhuma composição inédita. Contudo, deleitou o público com canções que havia anos não eram executadas ao vivo.

O Pearl Jam é a banda que faz os shows mais interessantes da atualidade. Como todo fã está careca de saber, cada show possui um repertório bem diferente dos outros. Assim, o fã do Pearl Jam que tem a sorte de morar em uma cidade com mais de um show seguido da banda deve assistir a todos, pois o que é tocado em uma noite, dificilmente será apresentado na noite seguinte.

Na noite do dia 24 de junho, a banda, em duas horas e quarenta minutos de show, apresentou 30 canções, alternando grandes sucessos com canções nem tão conhecidas (mas que costumam aparecer em seus shows), além de gratas surpresas que estavam empoeiradas na memória dos fãs.

Como de costume nos shows do Pearl Jam, nada de cenários grandiosos. Apenas a banda em cima do palco já é o suficiente para a alegria de seus fãs. E no mesmo estilo despojado, a banda começou atacando com “Hard To Imagine”, uma sobra de estúdio de “Vitalogy”, que está presente na trilha sonora do filme “Chicago Cab” e na coletânea de raridades (em versão um pouco diferente) “Lost Dogs”. Em seguida, para quebrar um certo estranhamento dos fãs menos enturmados com a obra da banda, o Pearl Jam atacou com dois cavalos de batalha: “Save You” e “Why Go”, esta última cantada a plenos pulmões pelo público que esgotou os ingressos em menos de 15 minutos para assistir o show.

“All Night”, outra sobra de estúdio da banda, deu continuidade ao show. “Down” foi outra raridade que a banda apresentou, antes de “Corduroy”, “Faithfull” e “Elderly Woman Behind The Counter In a Small Town”.

Como pode se reparar, o Pearl Jam, nessa turnê, está fazendo um show bem diferente daqueles que aconteceram no Brasil no final de 2005. Se por um lado é bom para o grande fã que conhece bem a obra da banda, por outro, o fã casual acaba se cansando um pouco com tantas canções pouco conhecidas e, geralmente, com longos solos. Talvez seja por isso que até o horário em que é permitida a venda de bebida alcoólica nos Estados Unidos (dez da noite), as filas para comprar cerveja eram quilométricas...

Mas o fanático pela banda provavelmente não se preocupou com a cerveja e continuava cantando canções como “1/2 Full”, “Unemployable” (lado B de “World Wide Suicide”, presente no último álbum da banda) e “Who You Are”. Coincidentemente, quando não era mais possível comprar cerveja, a banda atacou logo dois petardos, “Even Flow” e “Daughter”, antes de encerrar o show com “Do The Evolution”.

Se bem que “encerrar” é força de expressão em um show do Pearl Jam, tendo em vista que a banda volta pelo menos duas vezes ao palco para o bis. No show do dia 24, o Pearl Jam acabou retornando três vezes ao palco. Se o show normal teve 17 canções no roteiro, o bis contou com mais 13, ou seja, praticamente um show a parte. E nessas 13 músicas, a banda permaneceu não fazendo concessões a grandes sucessos, tanto que tacou logo de cara uma bela versão de “Love Reign O’er Me”, do The Who. Eddie Vedder, ainda que com esforço, alcançou as notas mais altas da canção, e se o espectador fechasse os olhos, podia muito bem imaginar que Roger Daltrey estava fazendo alguma participação especial no show. (Se você quiser tirar as provas do nove, o vídeo está aqui.)

Mas se Daltrey não apareceu, CJ Ramone, ex-baixista dos Ramones esteve presente para tocar na já clássica versão de “I Believe In Miracles”. Antes de apresentar CJ, Eddie Vedder disse que estaria, de certo modo, corrigindo uma injustiça, pelo fato de a melhor banda punk de todos os tempos nunca ter feito um show no Madison Square Garden, na sua própria cidade natal. “I Believe In Miracles” já fez parte do segundo bis, e antes dela, o Pearl Jam mostrou canções como “W.M.A.”, “Leash”, “Spin The Black Circle”, “Wasted Reprise”, “Porch”, “No More” (escrita em protesto à guerra do Iraque, e presente na versão digital da trilha sonora do filme “Into The Wild”, que, na verdade, é o primeiro álbum solo de Vedder), “Crazy Mary” e “Comatose”. O final do segundo bis, com “Alive”, foi arrebatador, com as 18 mil pessoas urrando a letra de braços abertos.

No terceiro bis, o Pearl Jam mandou “All Along The Watchtower”, clássico de Bob Dylan e que volta e meia também pipoca nos shows da Dave Matthews Band. Foi uma versão pesadíssima, com quase dez minutos de duração. Em contraste, logo em seguida, Eddie Vedder e seus companheiros tocaram a lenta “Indifference”. Parecia até uma piada o final do show com justamente essa canção: indiferença era a única coisa que o espectador não poderia sentir após um show tão diferente como este.

E se é praticamente impossível o brasileiro assistir um show do Pearl Jam com tantas canções pouco conhecidas, que ao menos Eddie Vedder cumpra a promessa feita em 2005 e retorne em breve ao Brasil. Nem que seja para cantar os grandes sucessos que todos conhecemos. Vai ser bom de qualquer maneira...

Abaixo, um vídeo amador, filmado durante o show, de “I Believe In Miracles”, com a participação do baixista CJ Ramone.

Cotação: ****

FRANZ FERDINAND FAZ SHOW SURPRESA EM GLASTONBURY



O público de Glastonbury presenciou um show surpresa da banda Franz Ferdinand na noite de ontem. No repertório, antigos sucessos e canções do próximo álbum da banda escocesa, que deve ser lançado no início do ano que vem.

O show da banda, que aconteceu no Park Stage, só foi anunciado na tarde do dia 26. Essa foi a primeira aparição da banda no festival desde 2004. Alex Kapranos, líder da banda iniciou o show gritando “Surprise”, e logo depois atacou com o hit “The Dark Of The Matinee”. Outros sucessos, como “Michael” e “Walk Away” também fizeram parte do enxuto roteiro de nove canções, que contou com quatro inéditas (“Kathryn Kiss Me” [vídeo acima], “'Ulysees”, “Turn It On” e “What She Came For”). A resposta do público às novas canções foi imediata.

O repertório do show foi o seguinte:
1) “The Dark Of The Matinee”
2) “Kathryn Kiss Me”
3) “Walk Away”
4) “Take Me Out”
5) “Ulysses”
6) “What She Came For”
7) “Michael”
8) “Turn It On”
9) “This Fire”

KINGS OF LEON, PANIC AT THE DISCO, VAMPIRE WEEKEND E THE TING TINGS SÃO OS DESTAQUES DA PRIMEIRA NOITE DE GLASTONBURY

Na noite de ontem foi dada a partida para o festival de Glastonbury, o mais importante da Europa. Envolvido em polêmicas para a edição desse ano, como a recusa ao Pink Floyd e a escalação do rapper Jay-Z para fechar a noite de sábado, as bandas Kings Of Leon, Panic At The Disco, Vampire Weekend e The Ting Tings acabaram sendo as grandes atrações do dia 27.

O Kings Of Leon fechou a noite no Pyramid Stage, o principal palco do festival, com sucessos como “Molly's Chambers” e “Milk”. Antes do show, os integrantes da banda admitiram que estavam muito nervosos, mas que não poderiam perder a grande oportunidade de fechar uma das noites do concorrido festival. “Estamos muito excitados e igualmente nervosos. Na verdade, estamos mais nervosos do que excitados, mas é uma grande oportunidade, então vamos ver como seguraremos isso”, disse Caleb Followill ao New Musical Express antes de entrar no palco. Já o baterista Nathan Followill afirmou que “é muito bom estar nervoso e nauseado desse jeito, pois traz o que há de melhor em você”. Ao final do show Caleb disse à platéia: “É isto, eu tenho que dizer que foi verdadeiramente um dos melhores momentos da minha vida e da vida deles [dos demais integrantes] também”.

O repertório do show foi o seguinte:
1) “Crawl”
2) “Black Thumbnail”
3) “Taper Jean Girl”
4) “My Party”
5) “Razz”
6) “King Of The Rodeo”
7) “Wasted Time”
8) “Fans”
9) “Arizona”
10) “Milk”
11) “Four Kicks”
12) “Molly's Chambers”
13) “California Waiting”
14) “The Bucket”
15) “On Call”
16) “McFearless”
17) “Pistol Of Fire”
18) “Spiral Staircase”
19) “Trani”
20) “Knocked Up”
21) “Manhattan”
22) “Charmer”
23) “Slow Night So Long”

Abaixo, a entrevista do Kings Of Leon ao New Musical Express.



O Panic At The Disco foi outro destaque da primeira noite de Glastonbury. A banda, que se apresentou pela primeira vez no festival, tocou no Other Stage no mesmo momento em que o Kings Of Leon fazia o seu show no Pyramid Stage, o que fez com que o seu público ficasse bastante reduzido. “Essa é a nossa primeira vez no festival. Obrigado por escolherem o nosso show”, disse o vocalista Brendon Urie, antes de a banda começar o show com “Nine In The Afternoon”. Canções do último álbum da banda, “Pretty. Odd” predominaram na apresentação, como “Pas De Cheval”, “Northern Downpour” e “Camisado”. A apresentação foi encerrada com uma versão mais leve de “Mad As Rabbits”, devidamente acompanhada pelo público.

O set-list da apresentação do Panic At The Disco foi o seguinte:
1) “Nine In The Afternoon”
2) “But It’s Better If You Do”
3) “Camisado”
4) “The Only Difference Between Martyrdom And Suicide Is Press Coverage”
5) “Build A God, Then We'll Talk”
6) “Lying Is The Most Fun A Girl Can Have Without Taking Her Clothes Off”
7) “Strike Up The Band”
8) “That Green Gentlemen (Things Have Changed)”
9) “There's A Good Reason These Tables Are Numbered Honey”
10) “Folkin' Around”
11) “I Write Sins Not Tragedies”
12) “Northern Downpour”
13) “Time To Dance”
14) “Pas De Cheval”
15) “It's True Love”
16) “Mad As Rabbits”

Abaixo, o Panic At The Disco entrando no palco.



No mesmo Other Stage, o Vampire Weekend fez um dos melhores shows de Glastonbury até agora (foto abaixo). “Eu não posso acreditar quantas pessoas estão nos assistindo, disse o líder da banda, Erza Koenig. “Isso aqui é um lugar muito bonito. Estamos honrados de voltar ao nosso país”, completou. No show, o Vampire Weekend tocou as canções de seu álbum de estréia (que leva o mesmo nome do conjunto), como “Cape Cod Kwassa Kwassa”. A banda também apresentou uma canção inédita. Antes de tocá-la, (a canção ainda não possui título), Koenig disse: “Temos que esquentar um pouco. Penso que com essa próxima música a gente vai entrar na vibração do festival”. O Vampire Weekend encerrou a apresentação com duas de suas canções mais conhecidas pelo público: “Oxford Comma” e “Walcott”.

O roteiro completo da apresentação foi o seguinte:
1) “Mansard Roof”
2) “Campus”
3) “Cape Cod Kwassa Kwassa”
4) “M79”
5) (Canção inédita sem título)
6) “A-Punk”
7) “I Stand Corrected”
8) “Bryn”
9) “One (Blake's Got A New Face)”
10) “The Kids Don't Stand A Chance”
11) “Oxford Comma”
12) “Walcott”


A dupla The Ting Tings também botou fogo em Glastonbury. A apresentação aconteceu no John Peel Stage, que estava absolutamente lotado, com várias pessoas assistindo do lado de fora da tenda. A dupla atrasou um pouco a apresentação por conta de um longo engarrafamento. Mas nada que tirasse a vibração do público, que delirou com o show. Quando a banda foi anunciada, o locutor disse que aquela era a platéia mais numerosa da história do John Peel Stage. “Esse é o maior show que já fizemos”, disse Katie White, que logo depois acrescentou: “ou que jamais faremos”.

O show iniciou com uma versão ‘light’ da canção “We Walk”. “Great DJs”, “Traffic Light”, “Shut Up And Let Me Go” e o hit “That’s Not My Name” também fizeram parte do repertório.

Abaixo, a canção “That’s Not My Name”, filmada durante a apresentação da dupla em Glastonbury.

LIVE NATION AFIRMA QUE INGRESSOS PARA TURNÊ DE MADONNA ESTÃO VENDENDO BEM

A cantora Madonna já vendeu mais de um milhão de ingressos para a sua próxima turnê, “Sticky & Sweet”, de acordo com a empresa promotora dos shows. A Live Nation disse que 90% de todos os bilhetes já foram vendidos, e que a turnê deverá arrecadar o valor bruto de 250 milhões de dólares. Os números, publicados ontem, vão de encontro ao que tem publicado alguns órgãos de imprensa, que dizem que a cantora norte-americana está tendo dificuldades em vender ingressos em algumas cidades, especialmente nos Estados Unidos.

Uma reportagem de terça-feira, do New York Post, afirmou que 16 mil ingressos para a apresentação de Madonna no Dodger Stadium de Los Angeles, estariam encalhados. Tal apresentação só acontecerá em novembro.

AMY WINEHOUSE DIZ QUE NÃO TEM RAZÃO PARA VIVER

A cantora Amy Winehouse admitiu que a sua vida não está nada boa desde a prisão de seu marido no ano passado. Em entrevista à Rolling Stone, a cantora inglesa disse que os seus problemas com narcóticos decorrem do tédio e que, em alguns momentos, sente que “não há nenhuma razão para viver”.

O marido de Amy, Blake Fielder-Civil, confessou ter agredido o dono de um pub e tentado ocultar o crime. Fielder-Civil foi preso em julho e deverá permanecer cinco anos na prisão. Na entrevista, que foi concedida antes de Amy Winehouse ser internada na semana passada, a cantora disse que todos os seus problemas surgiram a partir da prisão do marido.

Amy Winehouse também disse que nunca teve necessidade de concluir uma internação em clínica de reabilitação. “Eu nunca fui a uma clínica de reabilitação, quer dizer, nunca fiz isso corretamente. Eu sou jovem e estou apaixonada”, disse à revista norte-americana.

27 de jun de 2008

SHOW: R.E.M. – “ACCELERATE TOUR” – UM RETORNO ÀS ORIGENS COM A EXPERIÊNCIA DE 28 ANOS DE CARREIRA

Quando o R.E.M. lançou o seu último trabalho, “Accelerate”, os fãs ficaram surpresos com a volta às raízes da banda, com um repertório rockeiro que não era ouvido desde “Monster”, lançado em 1993. Por conta disso, todos ficaram ansiosos para ver o que o R.E.M. iria aprontar na turnê de lançamento do álbum. Como está acontecendo desde a estréia em Vancouver, no final de maio, a banda de Athens resgatou várias canções de uma fase em que ainda podia ser chamada de banda ‘indie’.

No dia 19 de junho, Michael Stipe e companhia fizeram o penúltimo show da turnê norte-americana em um Madison Square Garden (foto acima) absolutamente abarrotado. E como está acontecendo desde Vancouver, a banda mesclou canções bem antigas (algumas conhecidas e outras praticamente esquecidas) com as novas músicas de “Accelerate”, um dos melhores álbuns do R.E.M.. Pouquíssimas concessões foram feitas a sucessos antigos, e mesmo assim, o público não reclamou nem um pouco. Pelo contrário.

O R.E.M. é uma banda que não tem o costume de ‘jogar para a platéia’ em seus shows, como costuma fazer o U2, que sempre repete os seus maiores sucessos em todas as turnês. Se Stipe, Mills e Buck não estiverem a fim de tocar, em algum show, “Imitation Of Life” ou “It’s The End Of The World, As We Know It (And I Feel Fine)”, por exemplo, não vai existir a mínima possibilidade de elas serem executadas. Por outro lado, se der na telha de Michael Stipe cantar “These Days” ou “Disturbance At The Heron House”, o público vai ter o prazer de ouvir canções desse tipo, praticamente perdidas na rica discografia da banda.

Por sorte, o público presente à mais famosa arena dos Estados Unidos teve a sorte de ouvir essas duas canções, assim como pérolas como “Ignoreland” (canção de “Automatic For The People”, e que nunca havia sido apresentada ao vivo pela banda antes dessa turnê), “Let Me In” (em uma ótima versão acústica, superior a de “Monster”) e “Pretty Persuasion”, do clássico álbum “Reckoning”, que também foi lembrado com “Harborcoat” e “(Don’t Go Back To) Rockville”, cantada por Mike Mills, que antes, fez questão de dizer que o Madison Square Garden é o melhor lugar para se fazer um show. Já o disco “Life’s Rich Pageant”, considerado por muitos como o melhor da banda, esteve presente no show de Nova York, com as suas três primeiras faixas: “Begin The Begin” (já no bis), “These Days” e “Fall On Me”. Esta última teve a participação do guitarrista Johnny Marr, ex-membro do The Smiths, e atualmente no Modest Mouse, que fez a abertura do show, juntamente com a banda The National.

Apesar de não poder ser considerado um show retrospectivo no que tange aos seus grandes sucessos, a banda liderada por Michael Stipe fez questão de mostrar canções de praticamente todos os álbuns da banda no show. De “Green”, saiu “Orange Crush”, e de “Fables Of The Reconstruction”, “Driver 8”, o ponto alto do show. Com relação a “Up” e a “Reveal”, a banda optou por não tocar nenhuma canção desses discos, até mesmo porque não tinham muito a ver com a proposta do show.

Mas, para agradar a todos, o R.E.M. fez concessões a músicas mais calmas. Além da versão acústica de “Let Me In”, a banda executou, pela primeira vez na turnê, “Leaving New York” (do disco “Around The Sun”), “Drive”, “Electrolite”, além da recente “Until The Day Is Done”, de “Accelerate”. Aliás, como não poderia deixar de ser, as canções do último trabalho da banda foram maioria no show. Das 11 faixas do disco, oito foram apresentadas no Madison Square Garden, incluindo “Living Well Is The Best Revenge” (a primeira do roteiro), “Horse To Water”, “I’m Gonna DJ” (a última antes do bis e devidamente berrada pela platéia) e “Supernatural Superserious” (esta já no bis).

Entre os grandes sucessos radiofônicos, apesar das poucas concessões, até que o R.E.M. foi mais generoso com o público de Nova York – pelo menos em comparação com os outros shows da turnê –, apresentando clássicos como “What’s The Frequency, Kenneth?” (obrigatória em qualquer show da banda), “The One I Love”, “Losing My Religion” (“This song is yours”, disse Stipe antes de cantar a música) e o clássico encerramento com “Man On The Moon”.
Desde a turnê de “Up”, o R.E.M. vem optando por fazer shows mais grandiosos, com grandes cenários cheios de telões, diferentemente da turnê de “Monster”, por exemplo, cujo cenário se limitava aos próprios amplificadores da banda. Em “Accelerate”, apesar do retorno às origens, a banda apresentou um bonito cenário formado por várias telas que mostravam imagens de seus integrantes no palco – tanto que a parte de trás do palco do ginásio ficou vazia, o que não é costume nos shows realizados em arenas dos Estados Unidos.

A primeira e única visita do R.E.M. ao Brasil aconteceu no Rock in Rio de 2001. Desde então, os seus fãs aguardam a oportunidade de rever um show da banda. Se isso por acaso acontecer nessa turnê de “Accelerate”, o público brasileiro vai ser recompensado de sobra por esses sete anos de espera.

Abaixo, um vídeo amador, registrado no show do dia 19 de junho, de “Leaving New York”.

Cotação: *****

SLASH E SEBASTIAN BACH EM UM “TOP SECRET PROJECT”

O ex-líder do Skid Row, Sebastian Bach (foto acima), revelou que está prestes a embarcar em um projeto secreto com o guitarrista Slash, ex- Guns N’ Roses, e atualmente no Velvet Revolver. Bach disse que não pode revelar maiores detalhes sobre a empreitada.

Em entrevista à Billboard, o ex-vocalista do Skid Row também afirmou que os boatos de que ele ocuparia a vaga de vocalista do Velvet Revolver não são verdadeiras. Ele disse que seria estranho ele ocupar essa posição, tendo em vista a sua amizade com Axl Rose. O Velvet Revolver está sem vocalista desde abril, quando Scott Weiland deixou a banda.

DAVID GILMOUR REVELA DETALHES DE “LIVE IN GDANSK”

Foram anunciados os detalhes do próximo álbum do (ex-?)vocalista do Pink Floyd. “Live In Gdansk” (capa acima), conforme já foi anunciado aqui no blog, será lançado na Europa no dia 15 de setembro (sem previsão para o Brasil). O álbum duplo terá canções da carreira solo de David Gilmour e do Pink Floyd. O show, gravado na cidade polonesa de Gdansk, contou com a participação de uma grande orquestra – este foi o único show da turnê “On An Island” que contou com uma orquestra. Uma edição especial contará com um DVD com a íntegra do espetáculo, que foi visto por mais de 50 mil pessoas.

“Live In Gdansk” chegará às lojas em cinco (?!?) versões diferentes:
1) CD duplo com a íntegra do show;
2) CD duplo + DVD com o show;
3) CD duplo + DVD duplo (além do show, este DVD também trará bônus, e uma versão remasterizada em áudio 5.1 surround do disco “On An Island”);
4) CD duplo + DVD duplo + CD com 12 faixas ao vivo gravadas na turnê de “On An Island”;
5) Box com cinco vinis, com faixas exclusivas não disponíveis nos formatos acima.

As faixas do álbum duplo serão as seguintes:

CD1:
1) “Speak To Me”
2) “Breathe”
3) “Time”
4) “Breathe (reprise)”
5) “Castellorizon”
6) “On An Island”
7) “The Blue”
8) “Red Sky At Night”
9) “This Heaven”
10) “Then I Close My Eyes”
11) “Smile”
12) “Take A Breath”
13) “A Pocketful Of Stones”
14) “Where We Start”

CD2:
1) “Shine On You Crazy Diamond”
2) “Astronomy Domine”
3) “Fat Old Sun”
4) “High Hopes”
5) “Echoes”
6) “Wish You Were Here”
7) “A Great Day For Freedom”
8) “Comfortably Numb”

COLDPLAY ABRE SELEÇÃO PARA BANDAS DE ABERTURA

Após alcançar o primeiro lugar das paradas norte-americana (721 mil cópias vendidas apenas na primeira semana de lançamento) e britânica, o Coldplay resolveu inovar mais uma vez. A banda liderada por Chris Martin vai recrutar novas bandas, através de uma competição feita em parceria entre o site Youtube e seis estações de rádio norte-americanas, para abrir alguns shows da turnê “Viva La Vida Or Death And All His Friends”.

A competição vai acontecer nas cidades de Boston, Chicago, Washington D.C., Hartford, Filadélfia e San Jose. As bandas que as estações de rádio considerarem com potencial serão convocadas para colocar vídeos de canções suas no Youtube. Os jornalistas das estações de rádio farão uma avaliação prévia e selecionarão 15 bandas em cada cidade. Após, os fãs poderão votar e, dentre as três finalistas, a melhor será escolhida pelo Coldplay. Haverá uma banda vencedora em cada cidade.

O prêmio será um show de abertura de 20 minutos, dois mil dólares e dez ingressos para o show. A cantora Santogold abrirá os shows do Coldplay nas demais cidades norte-americanas.

FBI INVESTIGA BLOGUEIRO QUE VAZOU “CHINESE DEMOCRACY”

O FBI está investigando um blogueiro que colocou no ar algumas canções de “Chinese Democracy”, o álbum mais esperado de todos os tempos, adiado por nove anos. Kevin Skwerl, que já trabalhou no departamento de distribuição da Universal Music (gravadora do Guns ‘n’ Roses), postou em seu blog nove supostas canções do disco, incluindo três absolutamente inéditas. Ele disse aos policiais que recebeu as músicas de uma fonte anônima através da internet. Em entrevista a Rolling Stone, Skwerl disse: “Foi uma emboscada. Quando retornei do almoço eles estavam me esperando na recepção. Eles sabiam aonde eu trabalhava”.

“Chinese Democracy” está se transformando no disco mais pirateado do mundo. Em 1999, a Universal publicou um release com a capa do álbum e a data de lançamento. Só que Axl Rose, que inclusive já teve que mudar alguns integrantes da banda, adiou o seu lançamento por diversas vezes. O álbum começou a ser gravado há 14 anos e já custou mais de 15 milhões de dólares aos cofres da gravadora.

As nove faixas de “Chinese Democracy” que já pipocaram na internet são as seguintes:
1) The Blues
2) Catcher In The Rye
3) Chinese Democarcy
4) IRS
5) Madagascar
6) Oh My God
7) Rhiad and the Bedouins
8) Silkworms
9) There Was A Time


Por sua vez, o baterista do Velvet Revolver (e ex-Guns N’Roses), Matt Sorum, declarou que está convencido de uma reunião dos antigos integrantes do Guns N’ Roses. “Eu tenho certeza de que acontecerá eventualmente”, disse ao site MusicRadar.com. “Eles podem até estar se reunindo neste momento. Axl, Slash, Duff e Izzy podem estar em um abrigo anti-bombas! Talvez até Steven Adler. Eu não sei. Mas provavelmente serei o último, último, último cara a ser chamado”, completou.

26 de jun de 2008

CANTANDO COM A ALMA

Por coincidência, Zélia Duncan e Simone, no decorrer de suas carreiras, gravaram uma música chamada “Alma”. A “Alma” de Zélia Duncan foi composta por Arnaldo Antunes e Pepeu Gomes, enquanto a “Alma” de Simone é de autoria da dupla Sueli Costa e Abel Silva. Lá pelo finalzinho do show “Amigo é Casa”, Zélia Duncan cantou a “Alma” que fez tanto sucesso na voz de Simone, que, por sua vez, fez o mesmo com a “Alma” de Zélia Duncan.

Essa troca de papéis é emblemática no DVD “Amigo é Casa”, que chegou ao mercado via Biscoito Fino, pouco tempo depois do CD com os melhores momentos do show gravado no belo Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Desde o extra do DVD, que mostra as duas cantoras interpretando a linda canção “Amigo é Casa” (de Hermínio Bello de Carvalho e Capiba), e que acabou ficando de fora do show principal, o mote de todo o espetáculo acaba sendo a amizade mesmo. E o DVD fica muito mais bonito do que o CD, a partir do momento que traduz em imagens a afinidade de Zélia Duncan e Simone. E nada melhor que uma cante a “Alma” da outra, no sentido literal da palavra.

A canção “Amigo é Casa”, que está no extra do DVD, é outra que traduz bem o espírito do projeto: “Amigo é pra ficar, se chegar, se achegar / Se abraçar, se beijar, se louvar, bendizer / Amigo a gente acolhe, recolhe e agasalha / E oferece lugar pra dormir e comer / Amigo que é amigo não puxa tapete / Oferece pra gente o melhor que tem / E o que nem tem quando não tem, finge que tem / Faz o que pode e o seu coração reparte que nem pão”.

Como já pôde ser observado desde o lançamento do CD, a união da tradição de Simone com a modernidade de Zélia Duncan gerou um bom trabalho, que acaba ficando muito melhor no DVD. A inclusão de músicas essenciais para o projeto, como as duas versões de “Alma”, faz com que o espírito do projeto seja mais bem compreendido. E além disso, claro, dá ao espectador a oportunidade de ouvir ótimas versões de canções como a serena (e ao mesmo tempo, pesadíssima) “Mar e Lua” (de Chico Buarque), “Vento Nordeste” (mais uma pérola da dupla Sueli Costa / Abel Silva), e os sucessos “Então Me Diz”, “Jura Secreta” e “Não Vá Ainda”. Todas essas últimas três são ótimos duetos de Simone e Zélia Duncan, e a versão acústica – apenas com o bandolim de Zélia – de “Não Vá Ainda” ficou especialmente bonita.

Em “Amigo é Casa”, Zélia Duncan mostra o seu poder de “se transformar em outras” e, ao mesmo tempo, ajuda Simone a se renovar. Isso é bem perceptível nas novas versões de Simone (em momento solo) para “Diga Lá, Coração” e “Encontros e Despedidas”, que são bastante superiores às datadas gravações de estúdio. A verdade é que Simone soa mais cool e com a voz mais lapidada. Zélia Duncan também brilha em suas partes solo, como na ótima “Na Próxima Encarnação” (“Na próxima encarnação / Não quero saber de barra / Replay de formiga não / Eu quero nascer cigarra”) que faz referência ao sucesso “Cigarra”, bem como homenageia Simone. “Cuide-se Bem”, de Guilherme Arantes, também é um outro momento especialmente bonito no show (vídeo abaixo).

Com relação aos momentos em dupla, esses dispensam maiores comentários, especialmente no que diz respeito à versão para “Meu Ego”, de Roberto e Erasmo Carlos, assim como “Petúnia Resedá”, que ganhou arranjo mais moderno e jazzístico, com destaque para as guitarras de Walter Villaça e Webster Santos.

A dupla vai sair em turnê nacional para divulgar “Amigo é Casa” já no final desse mês. A estréia será no dia 27 em Porto Alegre. Entre os dias 01º e 03 de agosto, Simone e Zélia Duncan aportam no Canecão, no Rio de Janeiro.

Cotação: ****1/2


25 de jun de 2008

JAMES TAYLOR “CANTA” AS SUAS HISTÓRIAS

No final do ano passado, foi praticamente ‘cuspido’ o último trabalho de James Taylor no mercado nacional. “One Man Band”, pacote que abriga CD e DVD ao vivo, foi lançado pela gravadora Universal aqui no Brasil, mas pouca gente ficou sabendo. Tudo bem que o fato de o trabalho ser mais uma coletânea ao vivo do artista de Massachusetts é sempre desanimador, mas não justifica que seja lançado de maneira tão escondida no país que já foi até homenageado por James Taylor em uma canção.

Em “One Man Band”, que foi gravado em julho do ano passado, James Taylor, em companhia de Lerry Goldings, apresenta os seus maiores sucessos – “Only a Dream In Rio”, a canção que foi feita em homenagem ao Rio de Janeiro, logo após a sua apresentação no Rock in Rio de 1985, que simbolizou o seu renascimento artístico, infelizmente ficou de fora – em versões minimalistas (apenas violões e teclados, com uma discreta guitarra em “Steamroller Blues”).

O CD contém o repertório completo do show gravado no lindo Colonial Theatre, na Estado natal do artista, e o DVD, além de todas as mesmas músicas, mostra James Taylor contar as histórias de cada uma das canções. Nesse caso, foi uma bela sacada colocar o CD somente com as músicas, e o DVD com o show completo. Isto porque, James Taylor acaba falando demais no DVD, com algumas histórias maiores do que as próprias músicas. E isso pode acabar cansando o espectador. Aliás, o vídeo foi produzido por ninguém menos que o ator Sydney Pollack, que faleceu recentemente.

No repertório, como não poderia deixar de ser, Taylor sintetiza os seus mais de 40 anos de carreira – que lhe renderam mais de 40 milhões de álbuns vendidos, 40 discos de ouro e platina e cinco prêmios Grammy – em clássicos como “Something In The Way She Moves” (o seu primeiro hit), “You’ve Got a Friend”, “Shower The People”, “Sweet Baby James” (vídeo abaixo), “Carolina In My Mind”, “Fire And Rain” e “Copperline”. “Mean Old Man” e “My Travelling Star”, ambas de seu último disco de estúdio, “October Road”, também estão presentes no DVD.

Para quem já tem outras coletâneas ou DVDs ao vivo de James Taylor, este “One Man Band” acaba sendo dispensável. Mas para quem não possui nada, este pacote é um ótimo começo para se conhecer a obra de James Taylor. Pode comprar nas melhores lojas do ramo. Se ainda estiver em catálogo, claro...

Cotação: ***1/2



24 de jun de 2008

LIVING COLOUR: VOCÊ AINDA SE LEMBRA DESSA BANDA?

“On Stage At World Cafe Live” foi lançado em meados de 2007 no exterior, mas infelizmente, nenhuma gravadora brasileira se interessou em lançá-lo por aqui. Azar dos brasileiros que não podem pagar pelo DVD importado e ficam sem a oportunidade de assistir a um show de uma das grandes bandas de rock do mundo. Parece que aquele show apoteótico que a banda de Vernon Reid (um dos melhores guitarristas do planeta) e companhia realizou no Rio de Janeiro e em São Paulo, no extinto Hollywood Rock foi realmente esquecido pelas gravadoras. E olha que eles foram headliners da primeira noite do festival realizado em 1992...

Com a sua mistura única de hard rock, rap, heavy metal, jazz, punk e funk, a banda negra formada em 1984, nos Estados Unidos, encantou ninguém menos do que Mick Jagger, que além de ter conseguido um contrato para eles com uma gravadora, produziu algumas faixas do primeiro álbum da banda, “Vivid” (1988), inclusive o seu mega-hit “Glamour Boys”, que está presente nesse DVD (vídeo abaixo). Desse mesmo disco, também comparecem no DVD “Cult Of Personality” (que chegou a faturar um Grammy) e a ótima “Open Letter (To a Landlord)”.

“Time’s Up”, o álbum seguinte que acabou garantindo mais um prêmio Grammy para a banda – e que tem os grandes sucessos “Solace Of You” e “Elvis Is Dead”, infelizmente não presentes em “On Stage At World Cafe Live” –, conseguiu ser melhor do que o anterior, e é bem representado no vídeo com “Love Rears Its Ugly Head”, na qual o vocalista (e ex-ator) Corey Glover explora bem a sua potência vocal. Após “Time’s Up”, a banda ainda lançou a coletânea de raridades “Biscuits” e o álbum de inéditas “Stain” (representado no DVD por “Ignorance Is Bliss”, “Auslander” e “Wall”). Mas quando a banda experimentava o auge do sucesso, o guitarrista Vernon Reid acabou saindo da banda para se dedicar a outros projetos. O Living Colour deixava então de existir.

A volta aconteceu em 2001, e dois anos depois, a banda lançou “Collideoscope” (“In Your Name” está presente no DVD), que acabou sendo o último álbum de inéditas da banda que, mesmo assim, e para alegria dos seus fãs, não deixou de se apresentar ao vivo, tendo inclusive retornado ao Brasil em 2004 e em 2007. E apesar disso tudo, “On Stage At World Cafe Live” permanece inédito por aqui…

Cotação: ****



23 de jun de 2008

RECEITA PARA UM DVD VENDER MUITO

Como já é de praxe no mercado brasileiro de discos, depois do CD ao vivo é a vez do DVD. (Até mesmo porque se ambos saíssem juntos, dificilmente alguém iria comprar o CD.) Agora é a vez de Dudu Nobre, que, há menos de um mês, colocou nas lojas o CD com o mesmo show constante no DVD agora lançado.

No finalzinho do making of do DVD (aliás, as gravadoras brasileiras precisam aprender urgentemente o que é um making of, pois esse de Dudu Nobre, assim como 99% dos outros que aparecem em extras de DVD estão bem distantes do que seja realmente um making of), Rildo Hora diz: “Dudu é o retrato no Brasil. Porque ele é sambista e o samba é o ritmo que abraça toda a nação brasileira”. Aproveitando a deixa do maestro, após uma olhada neste “Roda de Samba”, podemos afirmar o seguinte: “Esse DVD de Dudu é o retrato do mercado fonográfico brasileiro”.

Além do fato de ter sido lançado logo após o CD ao vivo, como já dito acima, neste “Roda de Samba” é possível identificar toda a receita para se fazer um DVD que venda bastante.

A receita das gravadoras pode ser resumida da seguinte maneira:
1) Pegue um artista popular do seu elenco;
2) Coloque-o para cantar várias canções antigas (suas e de outros compositores);
3) Chame alguns convidados especiais também bastante populares (nesse caso, se o Zeca Pagodinho aceitar o convite, é garantia de umas 30 mil cópias vendidas);
4) Grave ao vivo. Para enxugar o orçamento, de preferência em um local sem custos. Por que não o quintal da própria gravadora?;
5) Arrume um patrocínio e coloque o seu logotipo no fundo do palco. Isso vai ajudar a pagar o chope dos VIPS e o cachê dos músicos;
6) Por falar em VIPS, encha a platéia deles. O pessoal em casa vai adorar reconhecer os artistas e os jogadores de futebol;
7) Três meses depois, na hora do lançamento do projeto, coloque primeiro o CD no mercado;
8) Um mês depois, coloque o DVD. O fã verdadeiro, que já comprou o CD vai ter que dar mais uma graninha para a gravadora na hora de levar o vídeo para casa;
9) O DVD deve ter umas três músicas que não tem no CD. Isso porque, mesmo que o consumidor não goste de DVD, vai ter que comprá-lo só para ouvir as três músicas que ficaram de fora do CD. Se der para deixar de fora um grande sucesso, faça-o. Observação importante: mesmo que essas três músicas caibam no CD (caso deste “Roda de Samba”), não seja maluco de incluí-las.
10) Quando a turnê estiver nos trinques, lotando todos os Halls da vida, faça um outro DVD com o mesmo repertório do anterior.

Impressionante notar como os nove primeiros ingredientes acima foram usados neste “Roda de Samba”. Quanto ao décimo, só o tempo dirá. Se formos julgar pela qualidade, ele está quase que garantido, afinal Dudu Nobre, mesmo quando não lança álbum de inéditas, consegue ser muito bom.

A crítica do CD, que é igual ao DVD, já foi escrita aqui nesse blog há pouco tempo. Quem quiser encontrar maiores detalhes, ela está aqui.

E para dizer que não há nada de diferente no DVD, seguem as três faixas que ficaram de fora do CD (tópico 9 da receita acima): “Feirinha da Pavuna”, “Patrão Prenda Seu Gado” e o medley “Eu Não Fui Convidado / Não Quero Saber Mais Dela”. As duas últimas são pérolas do repertório de Pixinguinha. Provavelmente ficaram de fora do CD porque um artista como ele não vende muito...

Cotação: ***1/2

22 de jun de 2008

A DESPEDIDA ALEGRE DE B.B. KING

Na última vez que veio ao Brasil, um jornalista de São Paulo perguntou à B.B. King se aquela realmente era a sua turnê de despedida. Com o seu habitual bom humor, o rei do blues respondeu da seguinte maneira: “Um dos meus atores favoritos é um homem escocês chamado Sean Connery. Ele ficou conhecido por interpretar o James Bond, mas também fez um filme chamado ‘Never Say Never Again’ [nunca diga nunca novamente]”.

Depois de 2006, B.B. King realmente não fez mais turnês, mas chegou a participar, em meados de 2007, do show beneficente anual de Eric Clapton (Crossroads Guitar Festival). E caso B.B. King resolva não fazer mais grandes shows – ele já está com 82 anos de idade –, pelo menos agora existe um registro digno de um show seu em DVD. “B.B. King Live”, que chegou às lojas há pouco, apresenta um espetáculo integral do compositor nascido no Mississipi; um show, a bem da verdade, que ele apresenta já há alguns anos nos quatros cantos do planeta, mas que ninguém se cansa de assistir.

Filmado nas duas casas de show “B.B. King Blues Club” (em Nashville e Memphis), o DVD traz o registro do show por completo, na ordem original das músicas, apesar de tudo ter sido gravado em diversas noites do mês de outubro de 2006. B.B. King não se apresentava nas casas que levam seu nome havia 13 anos. Outro DVD do compositor lançado, “Live By Request” (2003), também é muito bom, mas foi filmado para um especial de televisão, bem diferente deste novo, através do qual o espectador pode ter a experiência de assistir realmente a um concerto completo e originalmente como foi concebido por B.B. King.

Como de costume nos shows de B.B. King, a banda começa atacando temas instrumentais turbinados, enquanto o rei do blues se prepara para subir ao palco. Quando finalmente ele pega a sua clássica guitarra Lucille e ataca com a auto-confessional “Why I Sing The Blues”, é possível entender perfeitamente porque B.B. King é o rei do blues. Feliz de quem teve a oportunidade de presenciar uma apresentação ao vivo dele...

“I Need You So” mostra que apesar da idade, B.B. King ainda está em plena forma vocal, e “All Over Again”, “Just Like a Woman” e “Darling, You Know I Love You” provam o que não precisa ser provado: B.B. King é um dos maiores guitarristas de todos os tempos. Outros grandes momentos são a versão para a suingante “A Whole Lot Of Loving” (de Fats Domino) e a lenta e autoral “Don’t Answer The Door”. A versão para “When Love Comes do Town” (vídeo abaixo), que B.B. King já havia gravado com a banda irlandesa U2, também desce bem.

Mas o melhor mesmo fica para o final, que é arrebatador com os clássicos “Rock Me Baby”, “Key To The Highway” (a mesma que Eric Clapton abria seus shows na “Reptile Tour”) e, claro, “The Thrill Is Gone”. O encerramento com “When The Saints Go Marching In” – a tradicional e alegríssima marcha fúnebre muito usada em enterros na cidade de Nova Orleans, e que foi imortalizada na versão de Louis Armstrong –, traduz bem o espírito do show: uma despedida alegre do rei do blues. Que essa despedida seja realmente apenas das grandes turnês.

Cotação: *****



21 de jun de 2008

EM NOVO DISCO, TIRA POEIRA JOGA NAS ONZE

Quando muita gente pensava que a música instrumental brasileira estava morta, a gravadora Biscoito Fino fez o imenso favor de lançar o conjunto Tira Poeira, com um ótimo disco de estréia, em 2003. Depois disso, a banda fez diversos shows e se apresentou ao lado de Maria Bethânia no já clássico “Brasileirinho”, de 2004.

Agora, quando muita gente pensava que o Tira Poeira não ia ter mais uma outra oportunidade de lançar um disco instrumental, a mesma Biscoito Fino novamente nos presta um grande favor ao lançar “Feijoada Completa”. O intervalo de cinco anos foi realmente um pouco grande, mas só o fato de a gravadora ter a coragem de colocar mais um disco instrumental no pobre mercado fonográfico brasileiro, é digno de registro.

Nesse intervalo, uma mudança é notável. Os choros, sambas e sambas-canção clássicos do primeiro trabalho foram postos de lado para dar lugar a um repertório mais moderno. De fato, o Tira Poeira de “Feijoada Completa” é mais popular do que o Tira Poeira do álbum de estréia que levava o mesmo nome da banda. Mas isso não é um demérito. Pelo contrário. Caio Márcio, Henry Lentino, Samuel de Oliveira, Fábio Nin e Sérgio Krakowski mostraram que jogam bem em todas as posições. No novo CD, o Tira Poeira mistura jazz, samba, valsa, forró, MPB dos anos 60 e a eletrônica com a mesma competência que fez em canções mais tradicionais, como “Caminhando”, “Três Apitos” e “Murmurando”, do primeiro álbum.

O leque desse novo trabalho se abre tanto, que coisas como “My Favourite Things”, eternizada no saxofone de John Coltrane, ganha um colorido novo e bem brasileiro. O mesmo acontece em “O Trenzinho Caipira” – que ganha um tamburello que simula com originalidade o barulho de um trem – e em “Eleanor Rigby”, clássico dos Beatles, em uma versão jazzística, graças a um toque da guitarra de Caio Márcio.

Das 13 canções, três possuem vocais, cada uma a cargo de um artista diferente. Mostrando que já possui um grande prestígio, o Tira Poeira recebe Maria Bethânia – pena que seja na batida “Gente Humilde”, já presente no disco “Que Falta Você Me Faz”, da cantora baiana), Lenine (em “Atrás da Porta”) e Olivia Hime, que, apesar da bonita voz, tira um pouco da beleza da melodia da “Valsa de Eurídice”, que, aliás, é de Vinícius de Moraes, e não de Tom Jobim, como muitos imaginam.

“Vera Cruz”, clássico de Milton Nascimento foi outra grata surpresa no repertório. E, com certeza, nos deixa com água na boca ao imaginar o quanto poderia ser interessante um álbum do Tira Poeira dedicado exclusivamente às intricadas melodias do compositor mineiro-carioca. A canção que dá título ao CD, e que foi composta por Chico Buarque, é outro ponto alto. Nela, os integrantes do sexteto se esmeram nos improvisos, como em uma ‘jam session’, e mostram os grandes músicos que são.

O único senão de “Feijoada Completa” acontece logo na última faixa. A mistura com a eletrônica em “O Samba Não Tem Vez”, definitivamente, não funcionou. Mas nada que ofusque esse grande disco da música instrumental brasileira.

Cotação: ****